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16 de outubro de 2013

Cidadão de Farias Brito é homenageado em Brasília

“Quando o caminhão abastecido de livros entra na cidade, é como se um oásis se abrisse em meio ao calor e à secura evidentes na paisagem. Ali, as pessoas têm sede de conhecimento” com esta frase a jornalista Leilane Menezes do Jornal Correio Brasiliense, um dos principais da Capital, inicia reportagem sobre a atuação do servidor público federal aposentado Elmano Rodrigues Pinheiro na distribuição livros que ela chama de presentes. 

Elmano há 17 anos recolhe doações de livros em Brasília e envia para diversas cidades do Ceará a quem não tem acesso a essa riqueza. Todo ano, são pelo menos 50 mil unidades. Para pagar os fretes, Para ele a única recompensa é ver gente simples se deliciando com os livros. Ele começou fazendo doações a bibliotecas já montadas e, recentemente, tomou a iniciativa de construir novos espaços.

Entrar na casa de Elmano localizada no Park Way em Brasília é como estar em uma grande biblioteca. Os exemplares acumulados ali, porém, não são de sua propriedade. Serão doados em breve para a inauguração de espaços destinados à leitura. As dezenas de toneladas de livros aguardam carretas para serem levadas até o Ceará. Os livros vieram de doações, especialmente da Fundação Assis Chateaubriand, vinculada aos Diários Associados.

Para quem não conhece Elmano nasceu na vizinha Farias Brito e desde cedo ao lado de sete irmãos e dos pais, descobriu o prazer da leitura. Seus pais eram responsáveis pela única biblioteca (que era privada) da cidade. Em 1958, o pai de Elmano, o candidato a prefeito Enoch Rodrigues, morreu assassinado em uma disputa pelo comando político da região. A mãe, Carmosina, mesmo passando a enfrentar dificuldades, não deixou de lado a educação dos filhos. Montou uma pequena escola para dar aula a crianças de famílias carentes. “Esse valor que eles davam à educação me marcou muito”, lembra Elmano.

Elmano fixou em Brasília há mais de 30 anos e, desde então, trabalha na Editora da Universidade de Brasília (UnB). Ali, o publicitário de formação teve contato com uma grande quantidade de títulos, nem sempre bem aproveitados por lá. “Eu via todos aqueles livros e lembrava que na minha cidade não tinha nem sequer uma biblioteca. Daí nasceu a ideia de mandar as publicações para lá, para incentivar o gosto pela leitura. Pensei nos meus. A gente roda o mundo todo, mas o coração fica preso.”

Aos poucos, no boca a boca, o servidor público ficou conhecido pelas arrecadações de exemplares. Amigos, colegas e desconhecidos, sempre que precisavam se desfazer de suas bibliotecas particulares, procuravam Elmano, certos de que os livros teriam um bom destino. “Com as moradias cada vez menores e as pessoas cada vez mais presas ao computador, muita gente quer se desfazer de bibliotecas inteiras”, observa.

Na Casa do Ceará, em Brasília, Elmano descobriu o termo “padarias espirituais”. O nome surgiu em um movimento modernista, no fim do século 19. Naquela época, o romancista e poeta cearense Antonio Sales e outros intelectuais investiram na popularização da produção cultural voltada para a literatura. “Isso me inspirou. Resolvi chamar as bibliotecas de padarias espirituais, porque é lá que as pessoas encontram o alimento do espírito”, explica.

Por este trabalho Elmano foi um dos homenageados pela passagem dos 50 Anos da Casa Ceará em Brasília, evento prestigiado pela alta corte brasiliense.

Para Joilson Kariri Rodrigues Elmano é um grande operário da Cultura. “O cara que fez e provou que não é necessário cargo político para se fazer, se quiser realmente fazer” Joilson cita que Elmano e Rosemberg “são os nossos grandes ícones, nosso orgulho maior” comentou no Grupo Filhos e Amigos de Farias Brito na rede social Facebook.

A professora da UFBA Doutora Salete Maria disse também que ficou muito feliz com a homenagem, pois trata-se de pessoa simples que tem feito um excelente trabalho com seu projeto “Padarias Espirituais”.

Confira fotos do Evento compartilhadas na rede social Facebook pelo homenageado:
 
 
 
 
 

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