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12 de dezembro de 2014

Camilo repete "estilo Cid" em escolha de secretários

Com demoras e desconhecimento de aliados sobre nomes ou datas, formação de equipe de Camilo se assemelha muito às de Cid (Edimar Soares)
Envolto em mistério e pretensa “calmaria”, formação do secretariado de Camilo Santana (PT) já se assemelha ao estilo Cid Gomes (Pros) de montar equipes. Até a noite de ontem, nomes ou prazos para indicações ainda eram desconhecidos por líderes de partidos aliados. A situação lembra montagem dos dois governos Cid, que deixaram para a “última hora” os anúncios. 

Entre aliados de longa data dos Ferreira Gomes, a total ausência de informações não incomoda ou surpreende. “Da nossa parte, não (incomoda). Se Camilo for seguir a tradição do governador Cid Gomes, vai tomar um tempo ainda. Em 2010, só soubemos da pasta que iriamos administrar em 24 de dezembro. Ou seja, está dentro do prazo esperado”, diz o presidente do PDT no Ceará, deputado federal André Figueiredo.

Enquanto todos os outros 15 governadores eleitos ou já anunciaram suas equipes ou fixaram datas para tal, Camilo guarda a sete chaves suas indicações. Aliados negam que a demora decorra de tensões na base. Com 18 partidos na coligação que o elegeu, o petista poderia ter problemas para acomodar todos os aliados.

Procurada pelo jornal O POVO, a assessoria de imprensa do governador reforçou o clima de calmaria no governo eleito. A pedido da família, Camilo teria inclusive esvaziado agendas de ontem e hoje, permanecendo em repouso. Novas reuniões com líderes aliados não foram nem sequer agendadas para até o final desta semana.

Apesar de Camilo ter admitido divulgar nomes de maneira gradual, atual andamento da questão se assemelha muito ao “estilo Cid”. Em 2006, o secretário da Segurança foi anunciado apenas no dia da posse. Em 2010, o anúncio da equipe para o 2º mandato saiu de uma vez só, apenas em 27 de dezembro.

“Acho que (a demora) não vem de tensão não. Ele está decidindo sem pressão nenhuma, nem partidária, nem individual”, diz o deputado Welington Landim (Pros). Segundo ele, demora ocorre porque Camilo seria muito “organizado”. “Ele está fazendo por etapas, e agora está firmemente vendo toda a situação que vai receber do Estado, analisando todas as secretarias”.

A assessoria de Camilo mantém ainda que ninguém teria sido convidado, até agora, para compor a equipe de governo. “Claro que não tem nomes. Até porque, se você quiser excluir, eliminar um nome agora, coloque ele na mesa. Coloque que ele é automaticamente eliminado”, diz o presidente do PT, De Assis Diniz (PT).

Questionado se isso representaria tensões no processo, De Assis nega. Segundo ele, tem ocorrido “diálogo bastante construtivo” com lideranças aliadas. Ele afirma que nomes devem ocorrer entre os dias 22 e 23 deste mês. Camilo, no entanto, tem dito apenas que nomes saem “até o dia 31 (de dezembro)”.

Sem informações oficiais, o secretariado é objeto de grande especulação. Nos bastidores, aliados rejeitam calmaria e atribuem a demora à dificuldade em abarcar legendas. Há quem diga que Camilo estaria esperando Ciro Gomes, que estava viajando, para definir equipe.

Mauro Filho, ex-secretário da Fazenda, terá cargo federal ou estadual. A vice-governadora Izolda Cela (Pros), segundo o próprio Camilo, não se restringirá a vice. Entre petistas, o secretário do Desenvolvimento Agrário Nelson Martins é cotado. Na Segurança, discurso de continuidade sinaliza indicação de Servilho Paiva.

Leônidas Cristino também é cotado. Indicação abriria vaga para Vicente Arruda (Pros). Há ainda expectativa em torno de Arialdo Pinho, atual secretário chefe da Casa Civil.

 Com informações O Povo Online

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