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3 de abril de 2016

Potiretama a cidade onde a gratidão é mais forte do que a crise

Praça central de Potiretama na região Jaguaribana (Foto: Divulgação)
Afastados dos grandes centros de convulsão política e com uma rotina típica de cidade do Interior, os moradores do município de Potiretama (a 279 quilômetros de Fortaleza), que em 2014 registraram a maior porcentagem de votos do Ceará na presidente Dilma Rousseff (PT), não se dizem arrependidos da escolha. Apesar das manifestações contra o governo, do processo de impeachment e das denúncias de envolvimento em esquemas de corrupção, Dilma e seu tutor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda detêm o prestígio dos potiretamenses. 

Diante da crise política no Governo, o jornal O POVO foi até o município, já na divisa com Rio Grande do Norte, saber se a presidente ainda conta com a simpatia do eleitorado local. Não foi difícil encontrar eleitores dizendo que, se as eleições fossem hoje, repetiriam o voto no PT. Cercados por estrutura de proteção social que vai desde o Bolsa Família aos programas de apoio rural, os moradores são enfáticos ao falar da mudança na cidade desde o suporte do Governo.

“No nosso município, quando chegava uma época dessas de seca, as pessoas da Baixinha (localidade rural de Potiretama) já vinham atacar a cidade. Quando chegavam aos comércios, os comerciantes faziam uma feira e saía cada qual com uma feirinha pra casa. Quando aquela feira acabava, lá vinham de novo, atacavam colégio, as merendas. Quando o PT chegou, mudou a história”, diz a agricultora Maria Creusa da Silva, de 50 anos. Na porta de casa dela, permanece intacto colado um adesivo da campanha de Dilma ao lado de Lula. “Quem chega aqui, já sabe que sou PT”, brinca Creusa.

O discurso em torno da presidente se confunde com os elogios a Lula. Logo o nome do ex-presidente substitui o da atual. A professora Lindocélia Macena Saldanha, 37, divide a profissão com a venda de queijos na cidade. Ela diz ser eleitora de Lula “desde que se entende por gente”, quando acompanhava o pai defendendo o ex-presidente. “Votei e voto nele quantas vezes ele se candidate. Foi o único que a gente viu que deu oportunidade ao povo carente”, defende.

Entre as ações ressaltadas pelos potiretamenses, estão construção de açude para garantir o abastecimento de água, suporte financeiro de empréstimos, seguro-safra, desenvolvimento de projetos junto à população rural e Bolsa Família. “Se tirar Dilma, se tirar Lula, quem é que fica? Quem vai assumir? Numa época dessa de seca, a oposição fala: o Lula deu o Bolsa Família, deixou o homem mais preguiçoso. Mas eles (beneficiários) não acham isso, não. Fala isso para quem tem um Bolsa Família ou algum programa social?!”, pontua Creusa.

O agricultor Antônio Francisco de Freitas, 37, destaca que há quem não queira opinar sobre a crise política “porque não sabem se está mesmo acontecendo ou é só coisa da televisão”. “Não se sabe se isso é mídia ou marketing, mas está dividindo as opiniões porque hoje as pessoas estão sentindo o impacto no bolso”, frisa.


“A gente sabe que há anos vêm acontecendo (corrupção). Se eles deverem, que eles paguem. Agora, deixe chegar o tempo dela (Dilma)”, sugere Lindocélia.

Com informações O Povo Online

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