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26 de abril de 2017

Igreja Católica convoca fiéis a protestar contra reformas de Temer

Em vídeo, o bispo do Crato, Dom Gilberto Pastana, convoca população para ato contra reformas de Michel Temer (Reprodução Facebook)
Mais de 400 bispos estão reunidos em Aparecida, São Paulo, para a Assembleia Nacional em que deverão redigir mais um documento unificado contra as reformas da Previdência e trabalhista propostas pelo governo do presidente Michel Temer. A militância de alguns clérigos já começou pelas redes sociais. Eles pedem que os fiéis se unam em paralisação geral do dia 28 de abril.


O bispo Dom Gilberto Pastana, da Arquidiocese do Crato, gravou vídeo convidando a população para participar de ato “A Caminhada pela Vida contra a Reforma Previdência e Trabalhista” em Juazeiro do Norte, às 16 horas.

“Diga sim a vida e diga não à exclusão, à morte, à possibilidade da perda de direitos conquistados por todo o povo de Deus”, enfatizou o sacerdote.

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a principal representante da Igreja Católica no País, já havia publicado nota de repúdio às reformas. A entidade se uniu ainda com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em manifestação contrárias às medidas.

Para o secretário-geral da CNBB, Leonardo Stainer, o que faltou foi debater melhor o tema com a sociedade. “O movimento sinaliza que a sociedade quer o diálogo, quer participar, quer dar sua contribuição. Reformas de tamanha importância não podem ser conduzidas sem esse amplo debate”, disse. Ele garantiu ainda que as manifestações serão pacíficas.

Porta-voz da CNBB no Nordeste, o Padre Gilson Soares explica que as mudanças não foram suficientes para mudar a visão da Igreja porque vários pontos ainda precisam ser conversados. “No tempo da ditadura, a Igreja esteve muito presente e depois esfriou um pouco. Mas agora diante do grito do povo, a Igreja está de novo junto com o povo, marchando em ele, na rua com ele”, admite o padre, que tem 40 anos de sacerdócio.

Representantes da Igreja argumentam ainda que os projetos prejudicariam os mais pobres e ferem os ensinamentos religiosos que seguem, como a igualdade.

“Dizem que essa reforma da Previdência vai pegar os pobres. Vou usar uma palavra forte: mentira. Mentira, porque 63% do povo brasileiro ganham salário mínimo, portanto, (a reforma) não vai atingir os pobres. Os que resistem e fazem campanha são os mais poderosos, são aqueles que ganham mais”, rebateu o presidente Michel Temer, em meio a críticas.

Há pouco menos de duas semanas, o líder da Igreja Católica, papa Francisco, enviou carta ao presidente falando da crise e declinando convite para vir ao Brasil neste ano.

“Não posso deixar de pensar em tantas pessoas, sobretudo nos mais pobres, que muitas vezes se veem completamente abandonados e costumam ser aqueles que pagam o preço mais amargo e dilacerante de algumas soluções fáceis e superficiais para crises que vão muito além da esfera meramente financeira”, escreveu o pontífice.

Oficialmente, a recusa se deu por choque de agenda, conforme o Planalto e ofício do departamento de imprensa da Santa Fé.

Com informações O Povo Online

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