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9 de janeiro de 2018

A opção Luciano Huck por Guálter George

Há muita gente apostando que Luciano Huck, o dono das tardes de sábado na Rede Globo, pode ser o nome credenciado para garantir a presença de uma candidatura ideologicamente centrista forte na disputa presidencial no Brasil. 

De centro é possível, mas inexiste razão objetiva para se acreditar que ele, neófito na política, realmente se faça apto a enfrentar com chances reais de vitória as adversidades de uma campanha eleitoral com as duras características esperadas para o decisivo ano de 2018 em que nos encontramos.

Claro que o fato dele representar algo fora do cardápio de nomes tradicionais neste momento ajuda seus planos. Nem de longe, porém, se basta como estratégia contra estruturas políticas que, a despeito do peso eventual representado hoje pelo tempo de vigência na vida pública e a carga negativa que tal característica representa para o momento, entendem a alma do eleitor muito mais do que Huck.

Inclusive para explorar aquelas situações recorrentes nas quais o apelo ao novo parece maior. O que acontece agora. É enganoso imaginar que os velhos caciques estão parados e apenas esperando chegar o tempo para uma passiva transferência de poder.

Os motivos do entusiasmo que alguns demonstram com a opção Luciano Huck permanecem ocultos, porque ainda não encontram-se expressos em pesquisas de intenção de voto. Nenhuma das divulgadas até hoje permite qualquer entusiasmo em relação à aventura de apostar no apresentador global para inserir novidade no debate.

Um outro aspecto a considerar, desde agora, é que será menos fácil do que o previsto carimbar no carismático apresentador global a marca de um autêntico outsider, puro mesmo. Não por experiências anteriores na vida pública, que ele não tem, de fato, mas porque sua inquietude com as coisas erradas da política o fez assumir posturas pessoais pelas quais terá que responder.

Na mais notória e mais recente, abraçou com entusiasmo a candidatura de Aécio Neves à presidência da República em 2014 e agora toma conhecimento de suas travessuras. Sua manifestação pública de “decepção” com o antigo aliado encerra o assunto na perspectiva do cidadão, mas anda longe de bastar como esclarecimento do candidato. Caso venha a ser.

Publicado originalmente no portal O Povo Online

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