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21 de setembro de 2018

Candidatos baixam o tom em debate na TV Aparecida

Candidatos durante o debate: tom mais ameno entre os presidenciáveis (Foto: Denise Rothenburg)
Sem a presença do candidato Jair Bolsonaro (PSL), que continua internado após o ataque sofrido em Juiz de Fora (MG), e do Cabo Daciolo (Patriota), que alegou incompatibilidade de agenda, sete candidatos ao Palácio do Planalto baixaram o tom de voz e se mostraram mais calmos, com discussões e ataques leves durante o debate promovido pela Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) na TV Aparecida, na noite de ontem (20/09), no Santuário Nacional de Aparecida.

Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Fernando Haddad (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSol), Henrique Meireles (MDB) e Marina Silva (Rede) participaram da discussão, dividida em cinco blocos e falaram sobre temas como corrupção, educação, saúde, segurança, desigualdade social, defesa da vida e questão indígena.

O presidente da CNBB, cardeal Sérgio da Rocha, realizou a abertura do evento, afirmou que a Igreja não adota posicionamento político e que o objetivo do debate é o de ajudar os fiéis a conhecerem melhor as propostas dos candidatos. Rocha ressaltou a importância do diálogo e do respeito, especialmente na política.
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Boulos citou o Papa Francisco para falar da questão da moradia. Segundo ele, o país precisa de "teto, terra e trabalho". O candidato do PSol defendeu a realização de uma reforma política e, se eleito, disse que revogará a reforma trabalhista. Ele ainda reafirmou o compromisso com a causa das mulheres e prometeu acabar com a desigualdade salarial de gênero. "Basta proibir empréstimos em bancos públicos para empresas que fazem tal prática." Boulos defendeu também a federalização de uma lista suja do trabalho infantil, a desmilitarização da polícia e a descriminalização das drogas. "É preciso ter coragem de enfrentar o sistema que lucra com a violência. O verdadeiro comando do crime organizado não está em nenhuma favela. Está muito mais perto da Praça dos Três Poderes", disparou.

Corrupção

Haddad defendeu o fortalecimento das instituições que combatem a corrupção. "Precisamos ter uma Controladoria, uma PF e um MP fortes e apartidários." Outro aspecto, segundo o petista, é favorecer os mais pobres. "Os programas desenvolvidos ao longo de 12 anos de governo Lula foram muito importantes", disse. Haddad afirmou ainda que, caso seja eleito, revogará a reforma trabalhista. No quesito sistema tributário, ele afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "fez uma das maiores reformas tributárias às avessas do país ao colocar o pobre no Orçamento pela primeira vez".

Álvaro Dias, por sua vez, atacou Haddad e o partido: "Você vem para essa campanha como porta-voz da tragédia, representante do caos. O PT se transformou na filosofia do fracasso, na crença à ignorância, o arauto da intolerância". Ele ressaltou que é essencial a mudança do sistema de governança. "É corrupto e incompetente. É um balcão de negócios. A causa maior dos problemas que estamos vivendo. O Brasil não alcançará índices de crescimento se este sistema prevalecer." Segundo ele, sua primeira providência será substituir o "sistema de segurança corrupto".

Já Ciro Gomes, do PDT, afirma que o enfrentamento da corrupção no Brasil precisa ser aperfeiçoado. "Precisamos dar exemplo no combate aos malfeitos. Os últimos 20 anos de democracia fracassaram por causa da fragmentação partidária, marcada pelo clientelismo e o fisiologismo dos cargos públicos." Sobre a situação da saúde pública no Brasil, em especial a falta de remédios,  Ciro Gomes afirmou que há dois problemas na área: distribuição de remédios e a falta absoluta de acesso a especialistas e a exames mais sofisticados. Em relação à economia, ele criticou que o PT esteve no poder por 14 anos e não tributou lucros e dividendos. "Eles querem matar o carteiro para o povo não ler a carta. O grande pacto do PT com o PSDB nunca permitiu mudar o sistema de tributação brasileiro."

Desemprego

Sobre o desemprego, Meirelles, do MDB, culpou o crescimento da dívida pública, que provocou o aumento da inflação. "Uma das heranças do governo da Dilma. Agora, começou o trabalho de reação. Enquanto estive no Ministério da Fazenda, criamos 2 milhões de empregos, mas é necessário muito mais", citou ele, prometendo criar 10 milhões de vagas em quatro anos. Em relação ao aumento da criminalidade e dos assassinatos, Meirelles afirmou que a segurança pública tem que ser administrada com capacidade e competência e defendeu a criação de um "sistema nacional de informações".

O ex-ministro da Fazenda questionou Marina Silva sobre a proposta de criação da CPMF, apoiada por Paulo Guedes, guru econômico de Jair Bolsonaro, citado apenas nesta parte do  debate. A candidata da Rede também alfinetou Bolsonaro, dizendo que uma suposta crise entre ele e Paulo Guedes seria um "incêndio no Posto Ipiranga". Marina lembrou o ataque a Bolsonaro e disse que ele foi vítima de uma "tragédia inaceitável".
“Vamos fazer uma reforma tributária que descentralize os recursos e que acabe com a injustiça tributária", disse Marina Silva, antes de afirmar ser contra a volta da CPMF. Ela ainda ressaltou o combate ao feminicídio. "As mulheres são vítimas de todo e qualquer tipo de violência. Isso é inaceitável."

O tucano Geraldo Alckmin (PSBD) defendeu que o enriquecimento ilícito seja tipificado como crime e se disse favorável à reforma trabalhista. Ele afirmou ainda que o alto número de desempregados é "herança do PT".  Alckmin afirmou que o Brasil não é apenas uma rota do tráfico de drogas, mas um dos maiores mercados consumidores de entorpecentes. "De um lado é crime e de outro, saúde pública. Dar a mão ao jovem para que ele se recupere." E promete resolver o problema com tecnologia, inteligência e gestão.  Ele afirmou que, em São Paulo, deixou o governo sem deficit primário. "Educação e saúde não estão vinculados à PEC do Teto dos Gastos. Eu vou priorizar. Eu vou investir na educação básica, no ensino infantil. Zerar a falta de vagas na pré-escola."

Com informações portal Correio Brasiliense

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