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15 de junho de 2019

Altaneirenses aderem a Greve Geral contra a Reforma da Previdência

Altaneirenses participaram da Greve Geral contra a Reforma da Previdência (Foto: Paulo Robson)
Professores da rede estadual e municipal, estudantes, representantes sindicais, servidores e servidoras públicas de diversos setores e ativistas político do município de Altaneira, na microrregião do cariri oeste, participaram na manhã desta sexta-feira, 14, de manifestação contra a Proposta de Emenda à Constituição 6/2019, a PEC da Previdência do governo federal Jair Bolsonaro (PSL).

O ato começou por volta das 09h da manhã no Calçadão da cidade onde professores, estudantes e servidores públicos aguardavam o outro grupo que saíram em caminhada da Escola de Ensino Fundamental 18 de Dezembro.

“Essa reforma, ou melhor, essa deforma da previdência retira direitos dos trabalhadores    que foram conquistados com muita luta. Nós não estamos reivindicando nenhum direito a mais. Estamos lutando para assegurar o que já temos”, disse o professor e diretor da Escola de Ensino Médio Santa Tereza, única no município.

O professor Luís Júnior, da mesma instituição, destacou que o momento é muito importante para mostrar o descontentamento do povo com a reforma, mas afirmou que a educação também está sendo atingida. Segundo ele, “o Ceará possui ótimos resultados na educação, mas se os cortes do governo federal continuarem não terá mais o que comemorar”.

Francisco Rodrigues, conhecido popularmente por Chico Bagaceiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Altaneira (STR), frisou que a reforma retira direitos e dificulta a aposentadoria do homem e da mulher do campo. “Por isso, temos que nos mobilizar e continuar organizado”, finalizou.

O agricultor Cícero Marcolino também demonstrou descontentamento com a reforma e com a classe política. “Essa reforma que ai está não atende aos interesses do povão e só estamos passando por isso porque a classe política é corrupta e não há valorização dos professores”, pontuou.

O historiador, professor, palestrante e blogueiro Nicolau Neto fez uma análise dos impactos negativos que, se aprovada, a reforma trará para a população brasileira e destacou a importância que as mobilizações e os atos de rua possuem.

Para Nicolau, a reforma do jeito que foi apresentada possui caráter elitista e machista. Elitista porque não acaba com os privilégios como fazem crer os principais veículos de comunicação porta-vozes do governo federal. Ao contrário, mantêm intactos os privilégios daqueles e daquelas que ganham altos salários e retira direitos dos/as que ganham apenas um salário mínimo. É machista quando ao invés de diminuir o tempo de contribuição das mulheres está propondo ampliar. “Todos nós sabemos que somos uma sociedade machista e que por isso mesmo as mulheres ainda em pleno século 21 continuam tendo dupla, tripla e até quádrupla jornada”, disse.

Em que pese ao professores e professoras, Nicolau destacou que essa classe é uma das mais atingidas pela reforma.

“Com a força das mobilizações e dos protestos realizados nos últimos dias algumas mudanças já foram feitas no texto que vai para análise e possível votação, como a retirada do Benefício de Prestação Continuada (BPC) onde a ideia era reduzir para R$ 400,00, a retirada do regime de capitalização, a revisão do abono (antes apenas para quem recebia até um salário mínimo), a exclusão de estados e municípios da reforma, mas temos que ficar atentos e mobilizados para que os direitos dos trabalhadores rurais sejam assegurados e que os professores sejam retirados da proposta previdenciária pretendida pelo governo federal”, destacou Nicolau.

O professor aproveitou o momento para destacar a importância da participação das crianças no ato. “Estão dando um exemplo e participando de uma verdadeira aula de cidadania”, concluiu.

Para o presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Altaneira (Sinsema) - entidade responsável pela organização do ato -, o professor José Evantuli, a mobilização contou com “a adesão da educação que foi totalmente paralisada”. De acordo ele, “o governo federal odeia pobres, por isso uma reforma dessa natureza”.

O sindicalista fez um balanço e uma avaliação da manhã de protesto.

“A minha avaliação do movimento de Greve hoje é muito positiva. O que vimos foi a boa participação dos educadores, gestores e principalmente dos ALUNOS que deram uma aula Cidadania, colocando em prática a aprendizagem da sala de aula com seus professores. Uma semente do amanhã para fazer o enfrentamento da Luta por direitos”, memorou.

Para ele o momento é de mobilização e de luta da população “para dizer NÃO ao desmonte do Pais, a política entreguista do Bolsonaro e a Extrema Direita, cortes de verbas nos setores populares, viés ideológico, a deforma da Previdência, e por fim, a politica Anti Povo e Anti Pobres”.

O sindicalista agradeceu aos oradores professores Paulo Robson, Luis Junior, Nicolau Neto, Francisco Rodrigues e o popular Cicero Marcolino.

O evento da manhã contou com apoio da AFAPECI na logística e demais colaboradores e a estimativa é que cerca de trezentas pessoas tenham participado.

Com informações Blog Negro Nicolau

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