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29 de março de 2020

Contrariando Bolsonaro, Mandetta incentiva pessoas a ficarem em casa


O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, incentivou na tarde de ontem (28/03) que as pessoas fiquem em casa e que se mantenha a redução da circulação de pessoas. As falas contrariam o que tem sido dito pelo presidente Jair Bolsonaro, que prega o chamado “isolamento vertical” - ou seja, mantendo em casa apenas os idosos e pessoas com doenças crônicas, sob a justificativa de que a economia não pode parar.

Ao falar sobre a necessidade de equipar os profissionais da Saúde, Mandetta explicou sobre as dificuldades de compra, uma vez que a China, por exemplo, não estava vendendo os equipamentos de proteção individual (EPIs) produzidos por lá.

"Mais uma razão para a gente ficar em casa, parado, até que a gente consiga colocar os equipamentos nas mãos dos profissionais que precisam. Porque se a gente sair andamento, todo mundo de uma vez, vai faltar para o rico, para o pobre, para o dono da empresa", disse.

Ele explicou que a redução do número de pessoas nas ruas, reduz chances, por exemplo, de acidentes de trânsito, responsável por um número grande de traumas. Isso, segundo ele, faz com que mais leitos fiquem desocupados e disponíveis para atender pacientes com Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. O ministro diz ter informações de que há lugares com queda de até 50% da taxa de ocupação, o que abre espaço para atendimento de infectados pelo vírus.

"Mais uma razão para a gente diminuir bastante a atividade de circulação de pessoas, no intuito de diminuir o trauma, que é um efeito também secundário, além de diminuir a transmissão", disse.

Mandetta afirmou que “não existe quarentena vertical ou horizontal”, e que o “lockdown” (uma quarentena total, com fechamento de tudo), pode vir a ser necessário em algum momento, em algumas cidades. “O que não existe é o fechamento de todo o território nacional, ao mesmo tempo e de forma desarticulada. Isso é um desastre que vai causar muito problema para nós da Saúde”, disse.

Conforme o ministro, serão elaborados alguns critérios para medidas de restrição - mas frisou que será algo construído entre União, estados e municípios. Atualmente, cada Estado tem implementado medidas restritivas, fato que causou desavenças entre o presidente da República e governadores, já que o primeiro defende que as atividades econômicas funcionem normalmente. “Vamos medir todos os dias (os efeitos das regras). Onde a gente ver que pode estar perdendo a guerra, a gente aperta. Onde a gente ver que apertou demais, a gente solta", disse. 

O ministro criticou, ainda, aqueles que minimizam o problema, frisando que o coronavírus não se trata de um problema local. "Aqueles que pensarem localmente e não tiverem cabeça e visão para verem o mundo, vão ter muita dificuldade de passar por tudo que a gente vai ter que passar. E eu rezo para que aqueles que falam que não vai ser nada, que vai ser só uma... uma pequena... um pequeno estresse, que isso passa logo e acaba, eu rezo todo dia para que estejam corretos nas suas avaliações", disse. Nos últimos dias, Bolsonaro chamou o coronavírus, mais de uma vez, de "gripezinha" e "resfriadinho".

Mandetta ainda fez referência às carreatas que aconteceram nos últimos dias com pessoas pedindo que seja reautorizada a abertura de comércios e outros espaços nos lugares onde gestores estaduais decretaram o fechamento. "Daqui três semanas, os mesmos que falam 'vamos fazer carreata de apoio', vão ser os mesmos que vão estar em casa. Não é hora", disse.

O ministro explicou ainda que é importante deixar crianças e adolescentes sem frequentar aula, pelo fato de serem assintomáticos, o que pode fazer com que transmitam para familiares. A afirmação contrapõe falas do presidente em pronunciamento na última terça-feira (24), quando ele questionou o fechamento de escolas. “O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima dos 60 anos. Então, por que fechar escolas?”, questionou.

O presidente tem pregado que não há necessidade de um isolamento massivo sob a justificativa de que a economia vai parar. Uma campanha publicitária com a marca do governo federal chegou a ser divulgada por um dos seus filhos, o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). A Secretaria de Comunicação do governo afirmou que o vídeo foi produzido “em caráter experimental” e, depois que a Justiça Federal proibiu a veiculação, negou a existência da campanha.

Com informações portal Correio Braziliense

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