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7 de maio de 2022

Pacheco defende Justiça Eleitoral, Lira silencia

 Rodrigo Pacheco afirmou que a sociedade precisa saber que "temos um sistema que vem funcionando ao longo do tempo" (Foto: Pedro Gontijo)

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), saiu em defesa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele afirmou que a responsabilidade pelas eleições cabe à Corte, que tem estrutura para garantir a higidez do processo eleitoral e da apuração dos votos. Segundo o parlamentar, a sociedade pode ficar tranquila e confiar nas urnas eletrônicas.

Pacheco disse considerar legítima a participação de empresas de auditoria no processo eleitoral, "desde que dentro de certos limites". A manifestação é em relação ao anúncio do presidente Jair Bolsonaro de que seu partido, o PL, pretende contratar uma empresa privada para auditar as eleições deste ano.  

"Não cabe a entidade privada, ou outra instituição, a contagem ou recontagem de votos, porque isso é papel da Justiça Eleitoral", enfatizou. "Quanto mais transparência, melhor, mas cabe à Justiça Eleitoral a apuração. Esse é o sistema constitucional, esse é o Estado de direito, e nós precisamos ter confiança nas instituições."

De acordo com Pacheco, a sociedade precisa saber que "temos um sistema que vem funcionando ao longo do tempo". Na avaliação dele, os questionamentos sem justa causa podem atrapalhar o bom andamento das instituições. O senador lembrou que todos os atuais parlamentares no Congresso Nacional foram eleitos por esse processo.

"Não há motivo razoável ou justa causa para se questionar a lisura do processo eleitoral. Até há pouco tempo, isso era motivo de orgulho para todos nós, brasileiros", frisou. "Tenho plena confiança nas urnas eletrônicas e que nossas eleições vão correr dentro da legalidade."

O parlamentar informou que vai consultar o TSE para apreciar uma possível participação do Parlamento Europeu como observador das eleições no Brasil. De acordo com Pacheco, a sugestão do convite ao Parlamento Europeu partiu do senador Ranfolfe Rodrigues (Rede-AP), depois da revogação do convite por parte do próprio TSE. O convite não teria sido bem-visto por integrantes do Executivo.

Pacheco assumiu, ontem, o comando do país como presidente da República interino, após viagem de Bolsonaro à Guiana; do vice-presidente Hamilton Mourão ao Uruguai; e do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), aos Estados Unidos.

Por outro lado a falta de uma posição mais contundente do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), em relação às críticas do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao processo eleitoral tem causado descontentamento entre parlamentares.

Na última terça-feira, Lira afirmou ser necessário "aliviar a tensão" entre os Poderes, mas integrantes da oposição veem o posicionamento como insuficiente. Eles classificam a postura como "conivência" com as investidas de Bolsonaro contra instituições democráticas.

O deputado Glauber Braga (PSol-RJ) disse não esperar uma atitude mais firme do presidente da Câmara em relação ao chefe do Executivo. "(Lira) bebe, do governo Bolsonaro, poder, grana das emendas de relator, cargos, ocupação de espaço político. É um típico parlamentar do Centrão", afirmou, em relação ao grupo de sustentação do governo, do qual Lira é um dos caciques. "Na relação com o Supremo, ele vai jogar numa linha do que é melhor para o acúmulo de poder dele. Não tem nenhuma preocupação de caráter público."

Quem também critica Lira é o deputado Rogério Correia (PT-MG). "Por tudo o que (o presidente) faz, deveria ter sido aberto um procedimento de impeachment, mas eles (Centrão) sequestraram o Orçamento", acusou.

"Lira, satisfeito com as RP9 (emendas de relator), é conivente. Ele não pode ficar esperando que a vociferação antidemocrática (de Bolsonaro) vire ação." Para Correia, a única expectativa, agora, é de que Bolsonaro perca nas urnas.

Já o deputado Lincoln Portela (PL-MG) reprovou o uso — pelo colega de Parlamento — da palavra "conivente". Ele considerou jocoso o termo, utilizado por "alguém que pratica o comunismo". "Falar sobre democracia chega a ser hilário. Onde há comunismo, não existe democracia", rebateu.

Portela argumentou que Lira apenas está "pensando como alguém de centro", apelando para um discurso prudente, no momento em que os ânimos estão exaltados. "Está procurando ser mais cauteloso, para buscar um equilíbrio para essa balança em que vivemos", defendeu. "As narrativas não têm sido as melhores. A relativização das coisas tem sido grave. Não podemos nos idiotizar. É hora de nos prepararmos para uma pré-campanha", acrescentou.

Para o deputado José Nelto (PP-GO), não se pode tumultuar as eleições. "O povo tem de ter liberdade de votar sem ter pressão nem de um lado nem do outro. E o Congresso é a garantia do cumprimento da Constituição. Lira tem essa responsabilidade, é um homem cauteloso e que age muito nos bastidores. Tem um bom diálogo entre os Poderes", comentou o parlamentar. Ele acredita que esse "bom trânsito" esteja sendo usado justamente para apaziguar o clima pré-campanha.

Com informações portal Correio Braziliense

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