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15 de fevereiro de 2024

Bolsonaro naufraga, direita se agarra com ele e irá junto, por Érico Firmo

 Quase todo o conservadorismo está defendendo Bolsonaro do indefensável, um dos mais contudente é o pastor Silas Malafaia (Foto: Reprodução/Facebook)

A direita está sob ataque no mundo, dizem seus líderes. Donald Trump nos Estados Unidos e Jair Bolsonaro (PL) no Brasil são investigados. Quem diria que estimular distúrbios contra a democracia os colocaria em problemas, não é mesmo? Os ex-presidentes atentaram escancarada e deliberadamente contra as instituições e imaginavam não sofrer consequências. Na verdade, aparentemente apostaram tudo para ficar no poder. Perderam e agora precisam arcar com seus atos. Denunciam perseguição, mas parece que esperavam álibi para agir à margem da lei. Não é como se, desde o primeiro momento, os desvios institucionais não fossem apontados.

Quase todo o conservadorismo está defendendo Bolsonaro do indefensável. O presidente tem ampla hegemonia no campo, mas há alguns poucos segmentos não-bolsonaristas. Em certo momento, ensaiaram crítica ao modus operandi do ex-presidente. Sentiram reações virulentas — ainda mais que contra a esquerda. Hoje, o discurso conservador é quase monolítico e parece naturalizar os absurdos que vêm sendo revelados.

O conservadorismo tem hoje muita força na sociedade brasileira. Mais até do que a esquerda — Lula (PT) foi eleito com voto de muitos dos próprios eleitores que não são propriamente esquerdistas, mas são lulistas, e apoiam as políticas sociais. Há outros tantos que não votaram a favor de Lula, exatamente, mas contra Bolsonaro. Aí entram nomes como Tasso Jereissati (PSDB), que ninguém dirá que é de esquerda. Pelo contrário, foi tratado como inimigo número um do PT e aliados no Ceará por décadas.

A direita, seduzida pelo inegável apelo de massas do bolsonarismo, algemou-se a ele. É uma aposta imediatista e de alto risco no médio prazo. Pode dar muito errado.

Os conservadores dizem estar sendo alvo de ataques, mas ninguém atenta mais contra a direita do que quem a subordina e coloca a reboque do golpismo.

Vai-Vai e a piada com policiais

Entidades de policiais e políticos eleitos com o voto deles e de familiares estão revoltados com uma ala da escola de samba Vai-Vai, do Carnaval de São Paulo. Os integrantes desfilaram vestidos de policiais, com chifres e asas coloridos, como alusão a diabos.

De ser criticado ninguém gosta, mas a natureza do Carnaval é a subversão, a sátira, a chacota, e de forma alegórica e lúdica. Entendo o incômodo, mas o estardalhaço por causa de um desfile carnavalesco é meio ridículo.

As polícias são instituições públicas e como tal estão sujeitas à crítica. Afinal, pode-se criticar até o Supremo Tribunal Federal (STF), o Congresso Nacional, os governos, mas as políticas não podem?

Inclusive, entre os que propagam indignação estão influenciadores que adoram fazer chacota com tudo, são provocadores, contra o que acreditam ser “politicamente correto”. Falam de uma ideia de liberdade, que falam mesmo e tudo mais. Mas quando mexe com eles, ave Maria.

Policiais ao longo do tempo, até pela formação histórica, têm uma autovisão distorcida. Gostam de se chamar entre si de “heróis”. Há a ideia de autoridade. Muitos querem ser policiais pela posição de força e poder. São, sim, autoridade, mas são fundamentalmente servidores públicos, cujo papel é servir à população. Não se deve esperar deles heroísmo.

Devem ter, isso sim, boas condições de trabalho, equipamentos e treinamento adequados, salários condizentes com a responsabilidade. Isso nem sempre ocorre. Heroísmo não é algo a se exigir ou esperar de ninguém.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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