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| Ciro ainda falou sobre o andamento da relação com o PL no Ceará (Foto: Daniel Galber) |
O ex-governador Ciro Gomes (PSDB) concedeu entrevista coletiva, nesta sexta-feira, 16, na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), após participar da primeira edição deste ano do Café da Oposição. Ciro comentou o cenário político estadual, falou sobre alianças dentro da oposição e sinalizou que deve-se formar uma chapa com ele, Roberto Cláudio (União Brasil), Capitão Wagner (União Brasil) e outros nomes para a eleição de outubro.
"Esse nosso movimento é de mudança. Vamos juntar todo cearense de boa-fé e se for a mim tocar a tarefa de liderar isso, para o cargo de governador, mas até lá, até decidir que essa responsabilidade é minha, está aqui o nosso coletivo. Você deve ver uma chapa comigo, com o Capitão Wagner, com Roberto Cláudio, para compor as chapas majoritárias. Temos a outra vaga de senador, para compor com outros aliados, porque o que interessa para nós não é politicagem, é enfrentar a violência impune que tomou conta da política", declarou.
Ciro fez críticas ao governo do Ceará, liderado pelo PT e aliados, e lembrou o caso de Bebeto Queiroz (PSB), ex-prefeito de Choró que está foragido há mais de um ano, e o caso de Santa Quitéria, onde o prefeito eleito Braguinha (PSB) foi preso antes de tomar posse, e posteriormente cassado por envolvimento com facção criminosa.
Ciro falou sobre o andamento da relação com o PL no Ceará e sinalizou que as críticas já feitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) - motivo da suspensão das negociações entre a sigla e a pré-candidatura de Ciro -, também já se direcionaram a outros nomes que ocuparam a Presidência da República.
"Tem que dar o tempo deles, eu respeito muito isso", disse ao ser perguntado por jornalistas sobre as conversas com líderes do partido bolsonarista. Na sequência, Ciro comentou a recente posição da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), pivô do rompimento de negociações entre o PL e Ciro após chamar a aliança estadual de "precipitada", no ano passado.
"Se as críticas que fiz ao ex-presidente Bolsonaro, como são as mesmas que fiz ao Lula e ao FHC, porque por regra eu andei na oposição. Candidato a presidente do Brasil, condenando o modelo econômico, brasileiro, que considero antissocial, ruinoso, como todo mundo vai ver, senão já está vendo", disse.
Ciro
continuou argumentando ser crítico ao modelo brasileiro de política.
"(...) Tenho uma crítica grave ao modelo de governança no Brasil. O Lula e
eu esculhambamos o Bolsonaro porque ele liberou R$ 30 bilhões em emendas, sem
critério. Lula está liberando o dobro. Lá a gente esculhambava porque era o
Bolsonaro, agora a petezada diz que é governabilidade. Não concordo com isso.
Eu sou uma pessoa de posições, leais, claras, mas não estou disposto a vender a
alma para ser presidente ou outro tipo de missão".
Reação
a falas de Ivo Gomes
Ciro considerou o posicionamento político e as falas recentes de seu irmão, o ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes (PSB), como um “gesto de dignidade”. Ivo disse não ter mais compromisso com o governador Elmano de Freitas (PT), por ele se aliar com adversários políticos do ex-gestor de Sobral.
Ciro enfatizou que as críticas de Ivo em relação a governistas, como o ministro da Educação, Camilo Santana (PT); e o secretário da Casa Civil do Ceará, Chagas Vieira, não tem relação com as afinidades ou diferenças pessoais entre os irmãos. “Não tem nada a ver comigo. Tem a ver com o fato de que o Camilo Santana está confraternizando com a oposição ao Ivo em Sobral”.
De acordo com Ciro, as falas de Ivo não foram resultados de conversas prévias sobre a política estadual ou o governo e culpou Camilo. "Uma das formas de confraternizar é apoiar uma coisa de suborno de vereadores para desaprovar as contas do Ivo que foram aprovados no Tribunal de Contas. A ditadura no Ceará no que tem de corrupta, está passando de qualquer limite. O Ivo reagiu porque isso é um elemento da dignidade que eu conheço dele. Tem nada a ver comigo, nem com política do estado, nem com o governo, nem nada".
O ex-prefeito de Sobral participou de uma série de programas de rádio e podcasts no município na última semana. Ivo afirmou que a aproximação de Elmano com o deputado federal Moses Rodrigues (União) e com o pai dele e atual prefeito de Sobral, Oscar Rodrigues (União), não considera ter nenhum compromisso com o governador em 2026.
Ivo pontuou que ainda não é oposição a Elmano, mas que poderia vir a ser. Ele afirmou que não será visto “encangado” nem com Capitão Wagner e nem com Moses.
Ainda durante a sequência de entrevistas concedidas em Sobral, o ex-prefeito atribuiu a Roberto Cláudio (na época no PDT e atualmente no União Brasil), ex-prefeito de Fortaleza, a responsabilidade pela crise política de 2022, que culminou num racha entre PDT e PT no Ceará e, posteriormente, no afastamento entre os irmãos Cid e Ciro Gomes.
Ciro afirmou que a reunião desta sexta serviu para que fossem feitos encaminhamentos dos próximos passos a serem tomados pelo grupo da oposição.
"Nós vamos fazer alguns eventos, que são eventos de mobilização ao redor de propostas concretas para resolver esses problemas do Ceará. O Ceará vai se encantar. Não é porque a gente tem, vamos dizer, a luz solitária, não, é porque nós vamos chamar de volta toda a inteligência que hoje tá banida, marginalizada do Ceará", afirmou.
Ele adiantou que o primeiro encontro deve ocorrer no Cariri. "A primeira agenda vai ser no Cariri, vamos definir a data com os nossos líderes de lá. E a segunda vai ser em Fortaleza, já comprometida com a questão do desenvolvimento perdido pelo Estado do Ceará", adiantou, afirmando haver ainda um encontro em Brasília com temática não revelada.
O ex-governador disse que irá organizar a agenda para receber líderes políticos, tendo encontros como prioridade. "Constitui uma comissão de deputados estaduais e federais para priorizar a agenda. Eu vou receber pessoas, seja como o presidente do PSDB, seja como eventual participante da chapa majoritária".
Questionado se, nessas conversas, poderá convidar políticos de outros partidos para entrar no PSDB, Ciro disse que não fecha portas para ninguém que queira estar na oposição. "Nossas portas estão para quem quiser ajudar a mudar o Ceará. Isso, inclusive, vale especialmente para essa opressão que hoje vive no Interior", destacou.
Ele continuou: "Acabaram a política, acabou a democracia. Todo mundo do mesmo lado, prefeitos com convênios atrasados, sem receber, obrigados a escolher empreiteiras para entregar propina. (...) É uma roubalheira generalizada e nós vamos resolver essa parada. Quem se quiser ajudar, está convidado", afirmou.
Questionado sobre em que posição estará na eleição de outubro, o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) disse estar à disposição do grupo da oposição para disputar qualquer posição.
"O Ciro citou o nosso nome como um possível integrante da chapa majoritária, mas isso não está definido. O meu nome está à disposição, seja para ocupar o espaço de vice, umas das vagas de senador, seja para disputar para federal. Eu digo, se for só para coordenar a campanha e vencer, eu vou só coordenar", explicou.
Ele pregou que é momento de abrir mão de vaidades. "Não adianta eu querer lutar por mim e esquecer o projeto mais importante que é o Estado do Ceará. Então, para ser um projeto vencedor, a gente tem que abrir mão das nossas vaidades", afirmou.
O
presidente estadual do União Brasil não negou que o sonho é ser governador, mas
reconheceu que talvez não seja o momento. "Eu quero ser governador, mas o
momento talvez não seja o mais adequado. O nome do Ciro é muito melhor. O Ciro
nem queria ser candidato, mas o momento está mais favorável para ele. Então, a
gente tem que entender a conjuntura e dentro dessa conjuntura tomar nossas
decisões", finalizou.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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