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| Dos três nomes apontados pela mídia, apenas Ciro Gomes ainda não anunciou a pré-candidatura (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais) |
Época de eleição deixa as pessoas ouriçadas, e olha que ainda é fevereiro. De um lado, dizem que Ciro Gomes (PSDB) já ganhou. De outro, fala-se em vitória de Elmano de Freitas (PT) no primeiro turno, com Ciro em terceiro. Os dois lados, porém, sabem que a eleição não é fácil e não se ganha de véspera. “Já ganhou” cabe aos militantes, amadores. Profissionais da política sabem que a vitória precisa ser construída e dá trabalho. Ventos mudam rápido e o que aconteceu ontem pode não se repetir amanhã.
O Ceará é terreno tradicionalmente difícil para adversários do poder. Desde 1958, houve apenas duas eleições em que um opositor foi eleito para o Poder Executivo estadual. Uma foi mesmo em 1958, quando Parsifal Barroso, do PTB, derrotou Virgílio Távora, da UDN. A outra foi em 2006, quando Cid Gomes (PSB) derrotou Lúcio Alcântara, à época do PSDB. São circunstâncias muito raras.
O detalhe é que os dois vitoriosos haviam sido aliados das gestões que os antecederam. Parsifal, em 1954, foi eleito senador na chapa de Paulo Sarasate, da UDN. E Cid e o grupo Ferreira Gomes mantiveram cargo na administração Lúcio até abril de 2006. Sarasate, eleito em 1954, foi o último governador a ter sido opositor ao longo de quatro anos e saiu vitorioso na eleição seguinte.
De lá para cá, houve 21 anos de ditadura. Mas também uma longa continuidade de governadores que elegem sucessores. Já escrevi que alternâncias de poder não costumam se dar pelas urnas, mas nas disputas dentro dos próprios grupos. Se Ciro impuser derrota a Elmano e Camilo Santana (PT), o mesmo ingrediente não deixará de ter estado presente.
Ciro, se de fato concorrer, chega com status diferente de outros que disputaram antes dele. Daí a compreensível empolgação dos aliados.
No Ceará, ele não tem experiência em derrotas eleitorais. Desde que está na política, o primeiro governador a se eleger sem o apoio dele foi Elmano. O que viveu em 2022 foi novidade.
Os
ex-governadores que retornaram
Na República, houve dois governadores cearenses eleitos pelo voto que retornaram ao cargo também em eleições diretas: Nogueira Acióli e Tasso Jereissati. Os dois viraram nomes de eras na história política. Mais de 70 anos separam um e outro. Ambos retornaram ainda mais fortes — e como candidatos de situação.
Desde a redemocratização, todos os governadores ou tentaram se eleger novamente depois de saírem ou foram fortemente cogitados. Tasso conseguiu. Os outros que concorreram de novo o fizeram pela oposição, sem as mesmas condições políticas, e perderam de forma impactante. Os demais foram cogitados no auge da força, como situação, e não concorreram de novo porque não quiseram.
Gonzaga Mota, eleito em 1982, lançou Tasso em 1986. Em 1998, os dois se enfrentaram. Tasso teve 62%. O antigo padrinho, 21%.
Em 2010, Lúcio Alcântara, derrotado por Cid Gomes, buscou revanche. O irmão de Ciro se reelegeu com 61%. Lúcio ficou em terceiro, com 16%, atrás ainda de Marcos Cals, que teve 19%.
Ciro foi cotado para concorrer em 2002 e 2006. Cid relatou que teve convite em 2022 e foi novamente especulado para 2026. Camilo é citado agora.
O próprio Tasso resistiu a concorrer em 1994 — esteve envolvido em negociações para uma chapa como vice de Lula, antes do Plano Real. E, em 1998, declarou que não queria a reeleição. Mas acabou indo em ambas. Foi especulado de novo em 2006 e 2010, pelo menos. Ex-governadores costumam hesitar sobre voltar a disputar — e mais hesitam quanto mais fortes estão.
Caso Ciro, um ex-governador, retorne ao cargo pela oposição, será algo a que o Ceará nunca assistiu.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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