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| Cid também manifestou ter ficado incomodado ao ver o nome do irmão Ciro Gomes em articulações com Flávio Bolsonaro (Foto: Aurélio Alves) |
O senador Cid Gomes (PSB) afirmou à coluna que mantém relação distante com o ministro da Educação, Camilo Santana (PT). Não há abalo na relação política, mas também não há proximidade entre os líderes do grupo governista cearense. A ligação entre os dois é, meramente, política.
“Não tem abalo, não tem diferença. Há muito tempo, a minha relação com o Camilo é pouco próxima, de pouca proximidade. Nós temos, creio eu, uma coisa em comum, que é apoiar a candidatura do governador Elmano. Se ele está apoiando o Elmano, nós estamos juntos”, resumiu Cid.
Líder do PSB no Senado, Cid manifestou a aliados ter ficado incomodado ao ver o nome do irmão Ciro Gomes (PSDB-CE) em articulações com Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em um papel, o pré-candidato à presidência anotou querer um vice do PL na chapa de Ciro ao governo.
Em conversa com o repórter João Paulo Biagi, porém, Cid preferiu não comentar o assunto. “Não é do meu estilo falar
de outras candidaturas. Eu tenho um campo de atuação e irei defender esse campo
de atuação. Então, defenderei a candidatura do governador Elmano”, concluiu o
senador, deixando claro não ser possível trocar de lado nas eleições.
Cid
Gomes e a liderança do elmanismo
Assim como há quatro anos, é grande a expectativa sobre o papel de Cid Gomes (PSB) nas próximas eleições. Em 2022, ele acabou se mantendo afastado da disputa. Neste 2026, o irmão dele, Ciro Gomes (PSDB), caminha para concorrer a governador — o que o senador aponta como provável “maior constrangimento" da vida.
Independentemente da candidatura do agora tucano — e dos movimentos de aproximação pretendidos por gente do entorno — Cid repete que tem compromisso de apoiar a reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O chefe do Poder Executivo, por sua vez, disse querer Cid na coordenação da campanha. Algo que o senador afirma que fará “de corpo e alma” se assim for designado.
Mas Elmano diz que a coordenação terá também Camilo Santana (PT). Isso dá certo?
O governador negou os rumores sobre animosidade entre os dois antecessores e disse que a relação entre eles é de harmonia. Manifestou ainda total confiança no principal expoente do PSB cearense.
Porém, do que está dito publicamente, o compromisso de Cid é com Elmano. Em tese, não se estenderia no caso de uma eventual entrada do ministro da Educação como candidato.
Inclusive, partiu do antigo padrinho a manifestação mais incisiva contra a anunciada desincompatibilização de Camilo, que deverá ocorrer até o começo de abril. Para Cid, será um “fantasma” para Elmano.
Estará o senador disposto a assumir a linha de frente do elmanismo, diante do camilismo?
A
configuração do governismo
O atual grupo governista no Ceará ascendeu em 2007. Embora a principal referência pública fosse Ciro Gomes, o líder era Cid, eleito governador em 2006. Em 2014, Camilo foi eleito para dar continuidade ao cidismo. Um camilismo, mesmo, veio a se afirmar na passagem de 2021 para 2022. Elmano, no cargo desde 2023, já tem um grupo próprio? Já existe o elmanismo?
Ao chegar ao poder, durante tempo considerável, o governador repetia, nos eventos aos quais Camilo comparecia, que o ministro era o político mais relevante do Estado e aquele quem ele tinha como líder.
Quem é a cota pessoal de Elmano dentro do governo? Waldemir Catanho (PT) era alguém, como o próprio governador, do grupo da deputada Luizianne Lins (PT). Deixou a Articulação Política para ser candidato em Caucaia. Passada a eleição, foi realocado no Detran. Max Quintino era um secretário da Casa Civil alvo de questionamentos. Não era novidade no governo, mas ganhou novo status no começo da atual gestão. Hoje foi remanejado e comanda o Complexo do Pecém. No lugar está Chagas Vieira, o mais destacado secretário de Elmano, mas é muito próximo também a Camilo.
Nelson Martins está na articulação política e tem a confiança do chefe do Poder Executivo, assim como teve a de Camilo e de Cid. É provavelmente a figura de maior proeminência em funções do governo ao longo dos 20 anos do ciclo.
A vice-governadora Jade Romero (MDB) — promovida para a destacada pasta da Proteção Social depois da saída de Onélia Santana — é talvez uma das personagens em posição de relevo cuja associação política maior é hoje com Elmano.
De modo que não há, ainda, um elmanismo estabelecido. Existe um mal-estar dos Ferreira Gomes com Camilo, e isso ficou evidenciado nas declarações do início do ano dos também irmãos Ivo Gomes e Lia Gomes. Ambos cobraram o ministro, mas pouparam o governador. Lia, aliás, é secretária.
Os
Ferreira Gomes, há quase 40 anos, têm protagonismo na política do Estado. Como
já fizeram em outros momentos, buscam isso hoje em duas frentes. Uma pelo
enfrentamento, por Ciro. Outra pode ser justamente ao fortalecer Elmano,
inclusive para começar a equilibrar o jogo de forças com Camilo.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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