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| Ex-governador Ciro Gomes entre o prefeito e o presidente da Câmara de Juazeiro do Norte (Foto: Yago Pontes) |
Em entrevista coletiva após solenidade na Câmara Municipal de Juazeiro do Norte ontem (07/02), na qual foi homenageado, o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes foi questionado ser uma terceira via nas eleições presidenciais de 2026, Ciro disse que, “nestas eleições, em nenhuma hipótese”. “Não participo porque eu tenho uma crença muito negativa sobre essa polarização. Eu acho que ela está fazendo mal mortal ao Brasil”, iniciou, citando números da dívida pública.
Em seguida, o tucano considerou a situação financeira do Brasil como um “desastre muito grande que tende a piorar” caso não se faça, na avaliação dele, “do processo político uma discussão de como resolver esse assunto, porque a solução, cada vez mais difícil, exige sacrifício”. “E esse sacrifício só será feito se o povão entrar conscientemente no jogo. E, infelizmente, eles preferem um ao outro, numa disputa de ódios e paixões que não respondem nada desse negócio aí”.
Sobre concorrer a governador do Ceará, o ex-ministro ainda não cravou a candidatura. “É o povo do Ceará (que vai decidir), sem dúvida”, iniciou Ciro. “Eu tenho um impulso emocional de aceitar, mas o meu juízo está cada vez mais fraquinho, dizendo: 'Sai dessa, sabe? Chega de confusão, a política está muito suja, muita ingratidão, muita traição e tal'. Mas eu falo a você com muita sinceridade: eu só vou fechar essa disputa entre meu coração e a minha cabeça quando eu sentir que essa é uma responsabilidade verdadeira minha com o povo do Ceará”, resumiu.
Ciro foi cauteloso ao comentar acerca de pesquisas eleitorais que mostram bom desempenho dele no Estado. "Pesquisa para quem tem a minha experiência é um mero retrato, e a vida é filme. Então o que que a gente tem que fazer? Dar uma olhadinha com rabo de olho na pesquisa, mas a gente tem que construir e amoldar o movimento de opinião pública".
Ciro afirmou ainda que a pesquisa é um retrato do momento. "Se a gente tiver êxito em amoldar isso, o filme vai ter um final feliz a depender daquilo que a gente imagina que é necessário. Se não, as pesquisas também mudarão”, completou.
Pré-candidatura de Eduardo Girão
Com o senador Eduardo Girão (Novo) resistente a integrar o bloco de oposição que aposta em Ciro Gomes para a sucessão do governador Elmano de Freitas (PT), o ex-ministro evitou críticas diretas e ressaltou a autonomia do parlamentar.
“Acho que o senador Eduardo Girão tem todo o direito de lançar sua candidatura e eu não tenho nenhum comentário negativo a fazer. Pelo contrário, eu tenho mais do que respeito, eu tenho afeto por ele”, afirmou.
No fim de janeiro, Girão criticou a “ansiedade” da direita por alianças contra o PT no Ceará, classificando aproximações como uma mistura de “água e óleo” (um sistema heterogêneo e imiscível).
Lembrado sobre esse comentário, o tucano citou a própria atuação, segundo ele, em prol do senador do Novo. “Para bem-dizer, eu ajudei ele a se eleger, porque eu fui contra o acordo que o Cid e o Camilo fizeram para apoiar o Eunício Oliveira na data e ajudei a eleição do Girão”.
Por fim, Ciro disse que caberá a Girão definir o próprio papel na corrida eleitoral. “Ele é que vai ser o juiz de qual é a principal tarefa nesse instante em jogo na disputa. Não serei eu que vou dizer para ele o que é que deve fazer”.
O tucano disse que a conversa com os presidentes do União Brasil, Antônio Rueda, e do Progressistas, Ciro Nogueira, na terça-feira, foi “muito agradável” e que não falou de nada a não ser sobre o Ceará.
“Sobre candidaturas, a gente, não só eu, eles também têm uma certa perplexidade, porque não consideram ainda fechado o quadro de alternativas, como de fato não está fechado. E aqui no Ceará eu voltei com a esperança renovada de que eles vão nos ajudar”, reforçou o Ciro do Ceará.
Situação política Cid Gomes é "inconciliável"
Questionado sobre a situação com o irmão Cid Gomes (PSB) disse que é “inconciliável”. Disse que “a questão não é nem familiar, nem remotamente uma questão de Chico ou Maria, ou Manoel. Nós, que estamos nesse agrupamento aqui com nossas diferenças, achamos que o Ceará precisa desesperadamente mudar e, infelizmente, neste momento, o Cid está lá ajudando a manter o que está aí. Isso é inconciliável”.
Ainda durante a declaração para a imprensa, Ciro criticou novamente o PSB, destacando ser comandado no Estado por Eudoro Santana, pai do ministro da Educação, Camilo Santana (PT). Ele foi lembrando que o irmão também compunha os quadros do partido. “Pois é, né? constrangedor”, respondeu.
A
importância do Cariri
Na agenda que cumpriu ontem no Cariri, Ciro Gomes (PSDB) voltou a criticar o Governo do Ceará num discurso de tom eleitoral. Na ocasião, que antecedeu a entrega da mais alta honraria da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, o tucano destacou o papel da Região e a liderança do prefeito Glêdson Bezerra (Podemos).
“O que eu estou agora com entusiasmo é ajudando a construir um movimento de libertação do Ceará, que vai ter que aterrissar numa chapa, e qualquer chapa que queira realmente representar bem o Ceará vai ter que ouvir as lideranças do Cariri”, iniciou Ciro, que recebeu a Comenda do Mérito Legislativo.
“Não para desfazer ninguém, mas é a maior cidade, naturalmente líder da economia e dos serviços regionais, que é o prefeito Glêdson, que sofre todo tipo de perseguição e, ainda assim, é reconhecido como o melhor prefeito do Ceará”, completou.
Glêdson Bezerra chegou a ensaiar uma aproximação com o governo Elmano de Freitas (PT). Contudo, protagonizou embates. Já Ciro, favorito para disputar a sucessão do petista pela oposição, reafirmou que ainda não bateu o martelo sobre concorrer nas eleições de 2026.
“Olha, eu não estou construindo chapa majoritária ainda. Ainda estou naquela briga do juízo dizendo para eu não ser mais candidato, porque o que aconteceu comigo em 2022 me doeu muito. Machucou muito e não é culpa do povo, porque pelo povo eu tenho só gratidão. E se eu morrer muito velho e ainda morrer trabalhando, ainda vou morrer devendo ao povo cearense, ao povo brasileiro. Mas a política ficou muito suja”, disse o tucano.
Ciro ressaltou ainda: "O que eu posso lhe garantir hoje é que nenhuma chapa será fechada sem antes consultar as lideranças do Cariri". Apesar disso, ele não antecipou as definições. "Eu venho tentar mobilizar o que há de mais importante no interior do Ceará, que é a liderança do Cariri para um movimento que pretende mudar as coisas do estado do Ceará. A hora própria para escolher candidatos não é essa ainda".
Segundo o tucano, o momento agora é de compreender "a natureza do problema do Estado" e começar a "ouvir as pessoas que são responsáveis, que têm, enfim, presença real na vida do povo" e, assim, "começar a formular um projeto para o Ceará de maneira que, quando a candidatura for escolhida, ela nasce junto com o projeto".
Políticos de direita
Além de Glêdson, participaram do evento políticos que compõem o bloco de oposição no Ceará. Na chegada, Ciro cumprimentou o ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil) chamando-o de “senador”.
Em entrevista coletiva, Wagner comentou sobre a movimentação. “Olha, a gente está muito feliz. Cada dia a gente vê um apoio popular mais forte, crescente a pré-candidatura do nosso irmão Ciro Gomes. Como ele disse, nem lançou ainda a candidatura e já está com toda essa força. Imagine quando tiver o lançamento, perspectiva de que a gente possa libertar o Ceará e para isso ele pode contar comigo.”
Até o momento, a oposição tem lançada a pré-candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal e dirigente partidário André Fernandes (PL).O PL, por sua vez, suspendeu as negociações sobre compor um palanque estadual no Ceará. Apesar disso, os deputados federais Matheus Noronha e Dr. Jaziel e os deputados estaduais Alcides e Dra. Silvana prestigiaram Ciro na Câmara de Juazeiro. Nesse tempo, o tucano já mencionou que a chapa deve ser composta por ele, Wagner e Roberto Cláudio (União Brasil), ex-prefeito de Fortaleza.
Questionado sobre ser candidato a vice-governador, RC postergou a decisão. “Na verdade, tem uns prazos legais, né? A partir de abril é que se define legalmente as pré-candidaturas. Mas o movimento do povo cearense fala por si mesmo. Onde a gente anda no Ceará, de norte a sul, leste oeste, essa comoção, essa emoção, esse sentimento de desejo de mudança que está representado pela força, experiência e liderança do Ciro Gomes”.
Durante a solenidade, Ciro abriu o discurso cumprimentando as autoridades presentes. Sobre Wagner, ele falou: “Esse jovem, talentoso líder cearense, a quem aprendi a admirar depois de ter feito forte, vigoroso a oposição, eu e ele, mas a quem eu já pedi desculpas por reconhecer de perto a virtude e o valor que ele representa, cumprimentar o Capitão Wagner, que também cumprirá grandes missões”. Alcides Fernandes foi convidado pela cerimonialista a compor a mesa da Câmara. O ex-ministro saudou o bolsonarista, reforçando o desejo em votar nele para o Senado.
“Cumprimentar o meu querido amigo, quem sabe, o futuro senador do Ceará, Alcides Fernandes. Pelo menos, eu tenho vontade de votar nele. Eu espero que dê tudo certo, porque eu tenho vontade de votar nele pela humildade, pela simplicidade, pela necessidade de termos um Senado à altura da grave missão de enfrentar a instabilidade institucional e os abusos que determinados poderes, hoje, têm praticado contra a democracia e contra a sociedade brasileira”. Quem também foi contemplada pelos elogios do tucano, foi a líder do PL na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).“E a Dra. Silvana, que tem aguentado incompreensões para sustentar a amizade, o carinho. Muito obrigado pelo seu valor de mulher lutadora”.
A presença de deputados da sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou a atenção. Quando questionado sobre isso, Ciro respondeu: "Pergunta para eles". Depois, ponderou que os parlamentares do PL compunham a ocasião como "convidados".
"Nós fizemos uma gentileza. Nós sabemos que eles estão com esse problema. Há outros problemas em andamento na seara deles, que é a ideia que disse que o Flávio Bolsonaro vai exigir que todas as sessões do PL tenham um candidato próprio a governador", disse.
E prosseguiu: "Mas
nós, que estamos preocupados de unir o Ceará para discutir a questão local no
Estado, resolvemos, por gentileza, apesar de sabendo que as negociações estão
suspensas, convidar. E pra nossa alegria, o pai veio, o filho não. Quer dizer,
não que a alegria seja o filho não vir, (mas) o pai vindo".
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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