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| Diana Azevedo é professora titular e vice-reitora da UFC (Foto: Fernanda Barros) |
A cada mês de março, o país se mobiliza em torno do Dia Internacional das Mulheres. É justo reconhecer avanços: mais meninas nas escolas, mais mulheres nas universidades, mais lideranças emergindo na ciência, na política e nas empresas. Apesar das iniciativas para corrigir desigualdades históricas, os tetos de vidro persistem. Nas áreas de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), a presença feminina não ultrapassa os 30%, sobretudo nos níveis mais altos da carreira. Pior cenário ocorre nos espaços de poder e decisão, em qualquer campo do conhecimento. Muitas entram, poucas chegam ao topo.
Há um paradoxo inquietante. Enquanto o debate sobre equidade ganha visibilidade sazonal, crescem os índices de violência de gênero - inclusive a violência política. A cada avanço, parece haver uma reação que tenta restabelecer antigas hierarquias. Romper os tetos de vidro exige vigilância permanente e mudanças estruturais na forma como educamos meninos e meninas. Que sonhos incentivamos? Que limites naturalizamos? Que lideranças (des)legitimamos?
As instituições de educação superior têm compromisso inarredável com essa agenda - promovendo inclusão, prevenindo e enfrentando todas as formas de violência de gênero e suas interseccionalidades, e formando lideranças comprometidas com a justiça social.
Acima
de tudo, é fundamental que as mulheres tenham consciência do próprio poder.
Reconhecer-se sujeito de direito, liderança legítima e voz autorizada é parte
do processo de transformação. Preta Gil regravou a marchinha e provocou:
"Quem disse que eu não tô no meu lugar?". A pergunta é também
afirmação: nosso lugar é onde decidimos estar. Que o "abre alas"
deixe de ser pedido e se torne prática para além do calendário. Equidade não é
concessão, é condição indispensável para uma democracia plena.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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