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28 de março de 2026

Fim da intriga da federação, ao que parece, por Érico Firmo

Capitão Wagner com carta de Rueda na mão (Foto: Foto: Fco Fontenele)

Capitão Wagner (União Brasil) apresentou documento de Antonio Rueda que o oficializa como presidente da federação agora homologada entre União Brasil e Progressistas. Ele ainda relatou conversa com os presidentes nacionais dos dois partidos, Rueda e também Ciro Nogueira. Parece que a definição se encaminha.

Já pareceu em outras ocasiões, porém, desta vez é diferente. Há um documento. Pode ser revisto amanhã? Pode, mas ficará feio. Rueda já fez coisas mais feias? Dizem que sim.

Além disso, as tratativas ocorrem muito perto do fim do prazo de filiações. Garantias dadas neste momento, se rasgadas, possuem impacto muito maior. Se não eram antes, acordos agora precisam ser mais sérios e consequentes. Se serão mesmo é outra história.

Em novembro do ano passado, quando Roberto Cláudio se filiou, escrevi que os discursos pareciam encerrar qualquer dúvida. Não foi o caso.

Pela primeira vez, nesta sexta-feira, um documento é tornado público.

Semana da oposição

A semana política no Ceará foi da oposição, com a vitória em relação à federação e ainda o resultado da pesquisa Datafolha, que O POVO publicou.

A anterior havia sido governista, mas com menos elementos para tal. Reunião do governador Elmano de Freitas (PT) com aliados dentro do bloco, anúncio de filiação da vice-governadora Jade Romero, até então no MDB.

Duas semanas antes, a oposição parecia ter sido vitoriosa. Wagner chegou a divulgar nota na qual confirmava o apoio a Ciro Gomes (PSDB) para governador. Já foram muitas idas e vindas.

Pode ser que o jogo tenha chegado ao fim.

Gente na base quer a federação longe

O Palácio jogou todo peso na tentativa de atrair a federação, mas havia muita gente na base governista sem lá grande interesse em ter União Brasil e Progressistas como aliados. A principal moeda de troca era a perspectiva de ter o deputado federal Moses Rodrigues como candidato a uma das duas vagas a senador. Justamente as mais cobiçadas. Se houvesse o acerto, Moses iria para uma vaga e, provavelmente, o PSB para outra. Então, encerraria essa que é a grande disputa na base.

Gente de MDB, PSD, Republicanos e até do PT torce ou mesmo trabalha contra o acordo, agora distante.

Saldo parcial das trocas partidárias

Falta uma semana para a janela partidária se fechar. Será Sexta-Feira da Paixão. Então, os deputados estaduais e federais deixam de estar resguardados para trocar de partido sem risco aos mandatos. De todo modo, no dia seguinte, em 4 de abril, termina o prazo de filiação para quem desejar ser candidato. Os nervos estão à flor da pele. Não se define tudo, mas muita coisa fica sacramentada. No mínimo, as possibilidades se estreitam.

A movimentação é frenética. Acertos fechados mudaram no meio do caminho. Por exemplo, o deputado Apóstolo Luiz Henrique deixou o Republicanos, acertou com o PSD e terminou no MDB. O vereador Gardel Rolim saiu discretamente do PDT, fez escala no PRD e desembarcou no Republicanos. Nos sete dias pela frente ainda vamos ver coisa.

Nas trocas até aqui, alguns processos são de acomodação diante das mudanças políticas. PSDB recebe os deputados de oposição egressos do PDT e mesmo do União Brasil. PSB conclui a migração do grupo de Cid Gomes remanescente do PDT governista, iniciada em 2023.

Do ponto de vista da reacomodação política, o PSD de Domingos Filho e o Republicanos de Chiquinho Feitosa se fortalecem. E o pequeno PRD — controlado remotamente por Acilon Gonçalves e Júnior Mano (ambos hoje no PSB) — volta a ocupar espaço estratégico para o grupo, após ficar aparentemente abandonado desde o fim de 2025.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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