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4 de abril de 2026

O fim de uma janela muito louca, por Érico Firmo

O deputado Leonardo Pinheiro deixou o Progressistas, fez escala-relâmpago no PT, e, nesta semana, filiou-se ao PSB (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Todos os meses de março e abril em anos de eleição são intensos, mas 2026 está especial. Não me recordo de uma janela partidária tão movimentada e repleta de idas e vindas. Para ilustrar:

O deputado estadual Apóstolo Luiz Henrique, por sua vez, saiu do Republicanos, acertou ingresso no PSD de Domingos Filho e acabou no MDB de Eunício Oliveira.

Já a vice-governadora Jade Romero deixou o MDB, anunciou a filiação à federação União Brasil-Progressistas e foi parar finalmente no PT.

O destino partidário seria o mesmo do deputado estadual Leonardo Pinheiro. Ele comunicou há mais de ano a filiação ao PT. Tornaria a legenda a maior bancada na Assembleia Legislativa. Chegou a afirmar ter o aval do antigo partido para sair antes da janela. Porém, permaneceu no Progressistas até semana passada, fez escala-relâmpago no PT, conforme mostra o colega Carlos Mazza na Vertical, e, nesta semana, filiou-se ao PSB — esse sim a maior bancada.

Houve ainda a saída de Luizianne Lins do PT para a Rede. Ela trava confrontos dentro da legenda há quase 30 anos, pelo menos, mas a situação parece ter mudado desde 2024, com a hegemonia de Camilo Santana, logo quando um antigo afilhado dela, Elmano de Freitas, tornou-se governador.

Razões para uma janela tão frenética

Há uma explicação para a janela partidária ter sido atipicamente movimentada. Antigamente, este constituía um dentre tantos prazos do calendário. Seis meses antes da eleição era o momento da desincompatibilização. Até 2015, o prazo de filiação se encerrava um ano antes. Não havia a coincidência.

De lá para cá, nunca houve eleição tão polarizada. Em 2014, quando Camilo e Eunício travaram acirrado confronto, as trocas de partido se processaram em setembro do ano anterior. Não ocorrera ainda o rompimento entre os dois. Em 2022, uma eleição com três fortes candidaturas, na teoria, a cisão da base aliada só se confirmou em julho. Então, o período de mudança de partidos não serviu para acomodar forças alinhadas com um lado ou outro.

Nesta eleição de 2026, além de posicionar os políticos em novas legendas, há um reagrupamento de forças entre dois lados de uma disputa com prenúncio de ser bastante parelha. A briga pela federação União Brasil-Progressistas é o maior símbolo disso.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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