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9 de abril de 2026

Trump ousou dizer o indizível, por Plínio Bortolott

Trump anunciou que estava prestes a cometer um genocídio (Foto: Brendan Smialowski)

O presidente dos Estados Unidos, a maior potência bélica do planeta, tendo ao seu dispor cerca de cinco mil ogivas nucleares, teve a desumanidade de ameaçar com o indizível: "Uma civilização inteira morrerá essa noite".

Esse é um tipo de declaração que deveria ser criminalizada somente por ser dita, mesmo que a ameaça se apresente apenas como um método do "grande negociador" para pressionar adversários. Mas o que Trump anunciou ao mundo foi que estava prestes a cometer um genocídio.

O que ele promete (pois a ameaça continua) é liquidar com a civilização persa, com seus mais de três mil anos de história. Apesar de majoritariamente da religião muçulmana, os iranianos não são árabes, porém descendentes do povo persa.

Até onde se sabe, na história moderna, o único homem que se propôs a liquidar com todo um povo foi Adolf Hitler. Ele tinha uma política deliberada para esmagar fisicamente e culturalmente o povo hebreu. O seu ódio levou ao assassinato de mais de seis milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. O que derrotou o "fuhrer" foi um pacto civilizatório, do qual participaram os Estados Unidos, impondo uma derrota arrasadora ao nazismo.

Como já fez outras vezes, na terça-feira Trump adiou o ultimato, "por duas semanas". Ou seja, ele não desistiu de sua intenção de praticar um genocídio, apenas marcou nova data para o fim do mundo. Caso ele mantenha a proposta macabra, terá de utilizar armas de destruição em massa para atingir seu objetivo.

Trump parece desorientado, por isso, torna-se mais perigoso. Certamente, ele deve estar cada vez mais isolado na Casa Branca, ouvindo apenas os áulicos, que cumprem o papel desse tipo de gente: dizer o que o chefe quer ouvir.

Esse cessar-fogo dos "dois lados", caso se confirme, levará Trump a uma situação existente antes de ele ter começado a guerra. Ou seja, o estreito de Ormuz vai ser desbloqueado (situação já existente antes da guerra) e o regime iraniano continuará no poder.

O seu seja, Trump deu uma volta de 360 graus, voltando ao ponto de partida. Não sem antes ter deitado um rastro de morte e destruição por onde pisou.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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