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| Girão, Elmano, Jarir e Zé Batista já se apresentaram suas pré-candidaturas (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais) |
Faltam três meses para o fim do prazo para oficializar as candidaturas às eleições deste ano. Entre 20 de julho e 5 de agosto, os partidos realizarão as convenções para oficializar as posições no pleito que ocorrerá dentro de cinco meses. Em 4 de outubro, os brasileiros vão às urnas para escolher deputados estaduais e federais, dois senadores por estado, governadores e o presidente da República.
No Ceará, a disputa pela cadeira de chefe do Executivo estadual, hoje ocupada pelo governador Elmano de Freitas (PT), já se desenha desde 2025. Tanto na base governista, quanto na oposição, há disputas internas, nomes colocados à mesa e intensos debates sobre alianças e cenários possíveis. A expectativa cresce com a aproximação do pleito.
Elmano é apontado como o pré-candidato da base governista, que registra disputa intensa pelas indicações para o Senado. Já a oposição trabalha com o cenário de ter Ciro Gomes (PSDB) como candidato a governador e administra disputa interna no PL sobre o Senado.
Quem
são os pré-candidatos a governador até agora
Eduardo Girão (Novo), atual senador. Empresário, foi candidato a prefeito de Fortaleza
Elmano de Freitas (PT), atual governador, ex-deputado estadual e ex-secretário da Educação de Fortaleza. Foi candidato a prefeito de Fortaleza e de Caucaia.
Jarir
Pereira (Psol), professor da rede pública estadual, diretor do sindicato de
professores Apeoc e dirigente do Psol
Zé Batista (PSTU), operário de construção civil. Foi candidato a governador em 2022, a prefeito de Fortaleza em 2024 e a vereador da Capital em 2020.
O ex-governador Ciro Gomes (PSDB), quatro vezes candidato a presidente da República, ex-ministro de dois governos, ex-prefeito de Fortaleza, ex-deputado federal e ex-deputado estadual também é apontado por aliados como pré-candidato a governador, mas anunciou que ainda esse decide se será candidato a presidente ou a governador.
Qual a situação de Elmano
Atual ocupante do cargo, Elmano de Freitas é o pré-candidato natural do grupo governista à reeleição. O controle da máquina administrativa é um trunfo importante, e o governador tem enfatizado que 2026 será um ano de “entregas à população” — discurso repetido por toda a equipe. O slogan do “governo que não para” busca reforçar a imagem de gestão ativa e melhorar ainda mais a popularidade, ampliando as chances de renovação do mandato.
Outro trunfo importante do governismo é a tentativa de ampliar a base, o que fortaleceria o campo governista e minaria a oposição. Para isso, o governo tentou de várias formas trazer União Brasil e o Progressistas — que agora formam a federação União Progressista — para a aliança. O apoio formal acabou com a oposição, embora ter havido liberação para filiados apoiarem quem quiserem tenha sido visto como uma vitória parcial.
Com alta popularidade no Estado, o ex-governador Camilo Santana (PT) foi figura central na eleição de Elmano, em primeiro turno, há quatro anos. O ex-ministro da Educação do governo Lula é apontado como um dos nomes com potencial para liderar o PT na era pós-Lula.
Camilo se desincompatibilizou do Ministério da Educação (MEC) no início de abril, embora afirme não ter intenção de concorrer — o mandato de senador ainda tem quatro anos. O nome de Santana é costumeiramente ventilado para novamente concorrer ao governo.
Na pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada, Camilo aparece 7 pontos na frente de Ciro. Elmano, 9 atrás do tucano.
Na oposição, aliados de Ciro acreditam que uma candidatura competitiva do ex-governador poderia levar o governo a substituir Elmano por Camilo na disputa. Ex-aliados e hoje adversários, Ciro frequentemente direciona críticas contundentes a Camilo nas declarações públicas.
Ao longo dos últimos meses, não faltaram declarações que contribuíram para especulações sobre uma possível troca na cabeça da chapa governista. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou a dizer que a desincompatibilização do ministro foi para "ficar de olho" e ser candidato "se precisar".
Apesar disso, Elmano parece mesmo ser o escolhido para encabeçar a chapa. Uma possível troca por Camilo não apenas parece improvável, como seria visto como medida desesperada em algum caso extremo.
Nas últimas semanas, Camilo montou escritório político na Capital e mantém intensa agenda de articulações de apoio voltadas às campanhas de reeleição de Elmano e Lula.
Neste contexto, os nomes mais cotados na corrida pelo governo do Ceará são Elmano de Freitas e Ciro Gomes. O dinamismo da política, contudo, precisa ser considerado até a definição final das chapas.
O fator Ciro Gomes
Após anos afastado de disputas estaduais, o nome do ex-governador Ciro Gomes (PSDB) voltou a ganhar destaque em 2025, quando ele passou a aparecer ao lado de diversos opositores do governador Elmano — entre eles, a ala bolsonarista — defendendo a necessidade de uma união “para salvar o Ceará” do grupo que um dia ele mesmo compôs.
Rapidamente, Ciro foi apontado como predileto de boa parte da oposição por ser considerado capaz de unificar o campo e disputar o Palácio da Abolição em pé de igualdade com o governo. Com o PDT aliado aos governos petistas, o ex-ministro deixou a sigla após dez anos e retornou ao PSDB, atendendo a convite do amigo e também ex-governador Tasso Jereissati (PSDB).
Publicamente, Ciro nunca confirmou ser candidato. Em diferentes ocasiões, afirmou que, "se tivesse juízo, não concorreria”, mas que é movido pelo coração. Disse porém estar pronto para cumprir a missão que lhe for atribuída.
No fim de dezembro, Ciro teria comunicado a aliados, em reuniões fechadas, que disputaria o governo do Ceará neste ano.
Durante visita ao Ceará, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) criticou a possibilidade de apoio do Partido Liberal a Ciro, pelo histórico de críticas feitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O episódio gerou constrangimento e culminou em crise interna. Após reunião com a cúpula nacional do PL, o presidente estadual, deputado federal André Fernandes (PL-CE), anunciou a suspensão das negociações com Ciro, posição mantida até hoje, pelo menos "por enquanto".
Por outro lado, o fato de ter aliados no comando da federação União Progressista foi uma vitória política. O bloco foi alvo de investidas para levá-lo ao palanque de Elmano. A base governista acreditava que, sem apoio do PL e do União Brasil, dificilmente Ciro toparia disputar o governo. O apoio formal da federação deu fôlego à campanha tucana, enquanto negociações com PL seguem suspensas.
Apesar disso, outros membros da oposição cearense continuam defendendo publicamente que Ciro Gomes é o único nome viável para enfrentar o governo estadual.
Com a definição da federação e o PL cearense extraoficialmente mais perto, tudo levava a crer que o anúncio da candidatura estava próximo. No início de abril, Ciro afirmou que a definição deverá ocorrer até o fim de abril. O convite público do presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, para que Ciro concorra novamente à Presidência, seguido pela indefinição na resposta do ex-governador, voltou a criar uma dúvida sobre quem poderá encabeçar a principal chapa oposicionista na disputa pelo Governo do Ceará.
Ex-prefeito de Fortaleza e hoje principal aliado de Ciro, Roberto Cláudio disse ao podcast Jogo Político, do O POVO, que Ciro deverá confirmar em maio que concorrerá a governador. Dias depois, o ex-ministro confirmou que define neste mês o cargo que disputa, sem antecipar qual.
Personagens da oposição afirmam não ter dúvidas sobre Ciro Gomes se tornar candidato, embora o próprio tucano não confirme. Porém, caso haja reviravolta, Roberto Cláudio (União Brasil) é o mais provável substituto, conforme o próprio Ciro aponta.
Insatisfeito com os rumos do PDT no Ceará, o ex-prefeito de Fortaleza deixou a sigla antes mesmo de Ciro Gomes e, após um período sem filiação, ingressou no União Brasil, partido com uma das maiores bancadas do país no Congresso.
Derrotado na disputa pelo governo em 2022, Roberto Cláudio não esconde o desejo de voltar a concorrer, mas declara apoio a Ciro, apesar de declarações do ex-governador apontando ele como o nome ideal para a disputa.
Diante desse cenário, as chances de RC disputar o Palácio da Abolição se restringem à possibilidade de Ciro desistir de encabeçar a chapa, seja pela perda de apoio do PL ou por outro fator. Nesse caso, RC poderia entrar na disputa com a estrutura de uma legenda robusta como o União Brasil.
O próprio Ciro já declarou, mais de uma vez, que RC seria seu nome ideal para a disputa. A proximidade de ambos fazem Roberto ser cotado para ser o candidato a vice-governador em chapa encabeçada por Ciro.
Girão se apresenta pela direita não cirista
As principais forças conservadoras se articulam em torno da pré-candidatura de Ciro, mas outra opção de direita que se coloca é o senador Eduardo Girão (Novo)
Ele anunciou que não disputará a reeleição ao Senado, alegando ser, por princípio, contrário a qualquer tipo de reeleição. Além disso, lançou-se como pré-candidato ao governo do Estado. Girão sustenta que os outros nomes ventilados na oposição — Ciro Gomes e Roberto Cláudio — não representam os valores da direita e do conservadorismo.
Ele conta com apoio de líderes da direita nacional, alguns dos quais estiveram presentes no lançamento de sua pré-candidatura, incluindo Michelle Bolsonaro. Caso haja um veto nacional ao apoio do PL a Ciro — ou mesmo a improvável desistência de concorrer — o bom relacionamento de Girão com o partido faz com que ele seja cogitado, inclusive, para uma eventual troca de sigla visando a disputa.
O senador não demonstra intenção de abrir mão da candidatura. Se não conseguir o apoio do PL, isso pode provocar um racha na direita e um cenário que a oposição diz querer evitar.
Opções à esquerda do PT
O Psol lançou, ainda no fim de 2025, o professor Jarir Pereira como pré-candidato da sigla ao Governo do Ceará. Ele é professor da rede estadual de ensino há mais de dez anos, integrante da direção do sindicato Apeoc, que representa a categoria, e membro da executiva do partido.
Outro partido que definiu que terá candidatura própria ao Palácio da Abolição foi o PSTU. A sigla lançou o sindicalista Zé Batista, que soma-se a outros concorrentes já colocados como pré-candidatos no pleito que se avizinha.
Ele foi candidato a prefeito de Fortaleza, na eleição de 2024, e ao governo cearense em 2022, tendo atingido 0,04% e 0,03% dos votos, respectivamente. Também foi candidato a vereador da Capital, em 2020, tendo recebido 156 votos na ocasião.
Candidatura alternativa
No
começo de abril, lançou-se pelo PRD Giovanni Sampaio, que foi duas vezes
vice-prefeito de Juazeiro do Norte, por lados opostos. Ele foi vice de Arnon
Bezerra, de 2017 a 2020, e se reelegeu pela oposição, ao lado de Glêdson
Bezerra (Podemos), com quem rompeu. Mais recentemente, foi diretor do Hospital
Regional do Cariri no governo Elmano de Freitas. Desincompatibilizou-se para
ser candidato
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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