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6 de agosto de 2026

Alfredo Gaspar vira vice de última hora na chapa de Flávio Bolsonaro

A escolha de Gaspar representou uma mudança na estratégia inicial da campanha, a prioridade era encontrar uma vice mulher (Foto: Ed Alves)

Depois de semanas de negociações em busca de uma mulher para ser vice em sua chapa, o pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, anunciou, nessa quarta-feira — último dia do prazo para realização das convenções partidárias—, um homem do próprio partido para a função, o deputado federal Alfredo Gaspar (AL). O parlamentar foi relator da CPMI do INSS e pediu a prisão de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

"A pessoa que tem que ser o meu vice é aquele vice que não volta para a cena do crime e dá mão para o criminoso. Então, tenho muita honra de anunciar aqui Alfredo Gaspar", declarou Flávio.

A escolha de Gaspar representou uma mudança na estratégia inicial da campanha. Durante boa parte das negociações, a prioridade era encontrar uma vice mulher. O nome mais desejado por Flávio era o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), considerada uma peça capaz de agregar o agronegócio, ampliar o diálogo com o Congresso e aproximar a candidatura de setores mais moderados da direita. A tentativa, porém, esbarrou na decisão do Progressistas de manter neutralidade na disputa presidencial.

Além de Tereza Cristina, outros nomes femininos chegaram a ser avaliados por aliados do senador. Entre eles estavam Priscila Costa (PL-CE), vista como uma possibilidade de aproximação com o Nordeste e como uma alternativa para reduzir os efeitos do desgaste provocado pelo episódio envolvendo Flávio e Michelle Bolsonaro. Também foram citadas nos bastidores parlamentares como Bia Kicis (PL-DF) e Júlia Zanatta (PL-SC).

A dificuldade para fechar uma composição externa ao partido foi ampliada pela posição adotada por legendas que eram consideradas estratégicas para a campanha. Além do PP, o Republicanos decidiu não apoiar oficialmente nenhuma candidatura presidencial. O União Brasil, o MDB e a federação progressistas também eram apontados como caminhos possíveis para uma aliança mais ampla, mas as negociações não avançaram.

Com a ausência de uma legenda aliada para indicar a vice, Flávio acabou optando por uma chapa "puro-sangue", mantendo a disputa presidencial dentro do núcleo mais próximo ao bolsonarismo.

O anúncio foi feito na sede nacional do PL, em Brasília, em um evento que reuniu integrantes da cúpula do partido. Estiveram presentes a senadoras do Republicanos Tereza Cristina e Damares Alves; o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto; o senador Rogério Marinho, entre outros dirigentes e parlamentares.

Michelle

Apesar de não ter comparecido ao evento, Michelle Bolsonaro se manifestou pelas redes sociais após o anúncio da chapa. Em publicação, desejou sucesso à composição.

No discurso, Gaspar afirmou que assume a candidatura como "um soldado do Nordeste" e prometeu lealdade durante toda a campanha. "Eu sou o seu soldado. Estarei como para-choque, na retaguarda, sempre leal e pronto para servir", disse. Segundo o deputado, a chapa terá como prioridades o enfrentamento da corrupção, do crime organizado e da crise econômica, além da geração de oportunidades para a população.

Durante o evento, Costa Neto afirmou que Gaspar foi escolhido há meses. A declaração buscou apresentar a opção como uma decisão planejada pelo partido. “Escolhi o Alfredo há seis meses. Isso que eu não entendi, como não vazou. É impressionante”, declarou. De acordo com o dirigente, desde o início das conversas, orientava Flávio a preservar a informação. “Eu falava para eles: ‘Pelo menos fala para o Alfredo não falar nada. Isso não pode vazar. Vamos levar isso até o final’”.

Nos bastidores, porém, uma fonte do partido disse ao Correio, sob reserva, que o nome de Gaspar ganhou força principalmente na reta final, depois que as negociações para atrair uma vice mulher e uma legenda aliada não prosperaram. A avaliação era de que o deputado alagoano se tornou a alternativa disponível diante da dificuldade de fechar um acordo com outro partido.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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