Páginas

26 de agosto de 2026

As correlações de forças capazes de definir a eleição no Ceará, por Érico Firmo

Ciro se uniu a Direita de Wagner para tentar ganhar do governador Elmano (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Se olhar de longe, são três os grandes grupos políticos no Ceará. Grosso modo, o PT, o cirismo e a direita. De 2006 a 2022, os dois primeiros estavam juntos e venceram todas as eleições. Há quatro anos, ocorreu a divisão. Na urna, o PT teve 54%; a direita, 32%, e o cirismo, 14%. Neste ano, os dois últimos se uniram contra o PT.

A matemática eleitoral não envolve apenas o agrupamento de forças. Os cenários mudam, o eleitor não segue automaticamente sempre o mesmo alinhamento e também há a relevância pessoal dos candidatos que representam o partido em uma campanha ou outra. O prestígio nem sempre se transfere, ainda mais de modo integral.

Rearrumação

Em 2022, Elmano de Freitas, do PT, teve mais de 50% dos votos. Porém, agora Ciro Gomes (PSDB) é o candidato. Certamente o tamanho dele não se resume aos 14% de Roberto Cláudio há quatro anos. Além disso, uniu-se à antiga aliança de Capitão Wagner (União Brasil).

Por outro lado, Elmano desta feita agregou o apoio de duas máquinas poderosas antes adversárias: a Prefeitura de Fortaleza era do bloco cirista em 2022. A Presidência da República era ocupada por Jair Bolsonaro (PL).

Qual a perspectiva com esse rearranjo? Para responder, há outros elementos a considerar.

Subdivisões do bloco de Elmano

A eleição é mais do que a soma das alianças e a composição das coalizões não está resumida à cabeça de chapa. A coligação de Elmano inclui Cid Gomes (PSB), Domingos Filho (PSD), Eunício Oliveira (MDB), Luizianne Lins (Rede), Chiquinho Feitosa (Republicanos) e André Figueiredo (PDT), que não se confundem com o PT.

Há ainda as subdivisões. Cid tem como suplente Júnior Mano (PSB) — aliados, mas não uma força homogênea. O PSD de Domingos tem também Luiz Gastão. Luizianne é da Rede, unida em federação ao Psol, cada qual com suas particularidades. A candidata a senadora é recém-filiada e chega com grupo próprio. O PDT de André recebeu Chagas Vieira.

Correntes na aliança de Ciro

No bloco de Ciro, a federação entre União Brasil e Progressistas possui as conflituosas alas governista e oposicionista. Do lado da oposição, há Roberto Cláudio e Capitão Wagner. Hoje são melhores amigos, todavia, foram adversários empedernidos por mais de uma década, até dois anos atrás. RC e Wagner não são a mesma coisa nem o mesmo eleitor.

O PSDB tem Ciro e Tasso Jereissati, uma aliança política de quatro décadas. Contudo, origens, personalidades, estilos e momentos são diferentes. Eles ficaram afastados por uma década. Entre os pleitos de 2016 e 2018, houve os episódios de maior hostilidade, com palavras mais ríspidas entre eles.

Naquele período, Ciro era inimigo de Wagner, a quem Tasso se aliou. Em 2018, o Capitão não foi candidato a governador porque Tasso vetou a associação do palanque oposicionista a Jair Bolsonaro (PL).

Wagner disputou em 2020 e 2022 com apoio de Bolsonaro. Entretanto, ele e o bolsonarismo não são um agrupamento coeso. Em 2024, eles se enfrentaram e André Fernandes (PL) levou a melhor.

O próprio bolsonarismo não é uma coisa só, como mostraram Michelle Bolsonaro e Priscila Costa. Carmelo Neto, do mesmo PL, é uma terceira vertente da ala no Ceará.

Publicado originalmente no portal O Povo +

Leia também:

Deputado do PT minimiza peso eleitoral de dissidências petistas que declaram apoio a Ciro


Nenhum comentário:

Postar um comentário

A Administração do Blog de Altaneira recomenda:
Leia a postagem antes de comentar;
É livre a manifestação do pensamento desde que não abuse ou desvirtuem os objetivos do Blog.