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11 de setembro de 2026

O saldo dos debates entre Ciro e Elmano, por Henrique Araújo

Os candidatos não apenas debatem entre si, mas disputam a leitura do debate pelos dias que se seguem (Fotos: Heron Targino)

Candidatos ao Governo do Estado, Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT) já se enfrentaram três vezes em debates televisivos até aqui, uma ainda na fase de pré-campanha e duas com a disputa eleitoral oficialmente em andamento. Na primeira delas (TV Band), deu Elmano. Na segunda (O POVO), Ciro. Na terceira (Verdes Mares), empate - a meu juízo, nem o petista nem o tucano se impuseram a seu oponente, com ambos figurando em momentos de protagonismo.

É evidente que cada bloco político da corrida pelo Abolição vai sempre alardear que venceu por goleada, como é de praxe, mas quem assistiu ao embate sai dele com uma impressão mais ou menos formada sobre o desempenho dos líderes das pesquisas. O postulante pode até achar que engana a audiência, mas quem se engana é ele.

Isso é um aspecto. Outro é o seguinte: o debate não se esgota no tempo durante o qual os aspirantes a governador se encaram, atacando-se e defendendo-se. Pelo contrário, a sobrevida do programa se estende para muito além de sua cronologia, replicando-se nos cortes das redes sociais, que são os momentos escolhidos a dedo pela equipe de estratégia a fim de apresentar o candidato no auge do seu brilhantismo retórico-argumentativo - ou de seu gênio da galhofa.

Esses fragmentos, claro, têm sua lógica própria, praticamente recriando o todo do qual ele é parte, dotando-o de um sentido, que normalmente se traduz numa pergunta algo simplista: quem ganhou e quem perdeu a batalha.

Como "ler" o debate

Em resumo: os candidatos não apenas debatem entre si, mas disputam a leitura do debate pelos dias que se seguem, reforçando pontos altos e expondo os escorregões do adversário. Foi assim com Ciro enfatizando uma gafe de Elmano, por exemplo, e do petista acuando o tucano sobre aliados.

De maneira que não soa tão absurdo concluir que, hoje, cada eleitor monta uma imagem do debate a partir do consumo de uma oferta particular de recortes sem nexo com o painel completo - o que vale é o flagrante. E nisso o ex-ministro e o governador têm se destacado, investindo nas trapalhadas que um e outro cometeram até agora.

As dinâmicas

Dos três encontros, o mais inflamado foi o da Verdes Mares (o que não significa que tenha sido o mais propositivo), por duas razões.

Uma é a pressão do calendário (a votação está logo ali). Outra é o formato, com liberdade para trânsito e banco de tempo, duas medidas que conferem maior flexibilidade, mas dão margem a encontrões como os que se viram, com Ciro e Elmano apontando-se na cara, dedos em riste - um episódio que certamente diverte, mas também constrange a quem o testemunha. No geral, trata-se de desenho interessante - pensando no público.

Nem todo mundo, contudo, aceita expor seu candidato a esse tipo de configuração cênica, que exige mais em termos de postura e teatralidade - andar pela cena sem afetar arrogância ou medo, aproximar-se do oponente, administrar a distância e calibrar, além do tempo, uma dosagem equilibrada entre agressividade e placidez. Daí que haja sempre um jogo de forças prévio para definir as regras.

Tentativas em vão...

A grande pergunta, no entanto, é se debate rende voto ou se apenas produz alívio cômico na campanha. Como fã da modalidade, tendo a achar que há uma faixa do eleitorado cujo interesse por esse tipo de programa é genuíno, seja para se informar e assim decidir o voto ainda pendente, seja para espinafrar o oponente, municiando-se para o trabalho de convencimento nos grupos de WhatsApp da família, que costumam ferver neste período do ano.

Num caso ou noutro, os debates acabam por cumprir papel importante.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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