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2 de outubro de 2026

Entrevista de Lula no Flow bate novo recorde de audiência

A entrevista com Igor Coelho bateu o recorde de visualizações simultâneas do canal  (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Na entrevista concedida ontem (01/10) ao Flow Podcast, o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se mostrou otimista de que a eleição presidencial possa acabar no primeiro turno, afirmou os modelos atuais de debates são "infrutíferos", explicou ausência e fez séria criticas a seu principal adversário Flávio Bolsonaro (PL). 

A entrevista com Igor Coelho bateu o recorde de visualizações simultâneas do canal (uma marca estabelecida pelo próprio Lula em outubro de 2022). Segundo acompanhamento, a conversa chegou a atingir 1,65 milhão de espectadores ao mesmo tempo, registrando média de 1,5 milhão ao longo da entrevista de quase duas horas.

Confira os principais momentos:

 Lula chama debates de "infrutíferos" e explica ausência

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou na noite desta quinta-feira (1º/10) que considera os debates eleitorais com vários candidatos “infrutíferos” e que o formato não permite uma discussão aprofundada sobre o país. A declaração foi dada durante entrevista ao Flow Podcast, ao explicar por que decidiu não participar do debate presidencial que seria promovido pela TV Globo nesta mesma noite.

“Eu, sinceramente, acho que esses debates são infrutíferos, não produzem nada, não dão sequência”, disse Lula. Para o petista, o número de participantes e o pouco tempo disponível para cada resposta transformam os encontros em uma sucessão de falas curtas, sem espaço para desenvolver os assuntos.

“Quando você tem cinco ou seis candidatos, você fala um minuto e espera dez minutos, fala dois minutos e espera dez minutos. Não tem sequência. É como se o jogador desse um pique e voltasse para descansar”, comparou. Lula também criticou o que classificou como uma busca por “piada”, “pegadinha” e “lacração” durante os confrontos.

O presidente defendeu um modelo que levasse em consideração o desempenho dos candidatos na disputa. Segundo ele, seria desproporcional colocar no mesmo confronto um presidenciável com 49% das intenções de voto e outro com 1%. Lula afirmou que prefere debates entre adversários em condições semelhantes, como ocorre no segundo turno.

Ao relembrar outras campanhas presidenciais, Lula citou Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e afirmou que a Globo não realizou debates em 1994 e 1998 porque, segundo ele, a emissora apoiava a eleição do tucano. De fato, a Globo não promoveu os confrontos presidenciais nos dois pleitos. A emissora, porém, atribui as decisões às regras eleitorais da época, ao número de candidatos e, em 1998, também à recusa de FHC em participar.

Lula também voltou a 2006, quando disputava a reeleição e faltou ao último debate da Globo antes do primeiro turno. Na ocasião, a emissora manteve vazio o espaço reservado ao petista. “O que a Globo fez comigo? Colocou uma cadeira vazia”, recordou. Naquele ano, participaram Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque. Lula compareceu ao debate da emissora no segundo turno, contra Alckmin, hoje seu vice-presidente.

A lembrança ganhou novo peso nesta quinta. Horas antes do encontro previsto para 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Globo não poderia exibir o púlpito vazio de Lula nem permitir que os demais candidatos simulassem perguntas ao presidente ausente. A decisão atendeu a um pedido da coligação do petista.

Durante a entrevista ao Flow, Lula também foi questionado sobre a possibilidade de um confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL). O presidente disse considerar debates “saudáveis” quando feitos entre pessoas que, na avaliação dele, têm trajetória política e condições de discutir a Presidência.

“Uma coisa é disputar com Fernando Henrique Cardoso, disputar com o Zé Serra, disputar com o Maluf, que eu já disputei. Não tem nenhum problema, são gente da política”, afirmou. Em seguida, atacou Flávio: “Outra coisa é você imaginar disputar a Presidência da República com uma pessoa desqualificada, como o Flávio Bolsonaro”.

Lula ainda afirmou que o senador “não tem passado, não tem presente e não tem futuro” e questionou o que levaria um eleitor a votar no candidato do PL. As declarações ocorreram depois de o próprio Flávio anunciar que também não participaria do debate da Globo.

Lula afirma que não ficou "chorando" com tarifas e foi "procurar parceiros"

O presidente Lula afirmou que buscou novos parceiros comerciais após a imposição de tarifas pelo governo Trump a produtos brasileiros. “Em vez de ficar chorando com o Trump, eu fui procurar parceiros. Eu fui vender minhas coisas e agora estamos negociando com o Trump. [...] Ele sabe que nós temos coisas estratégicas que ele precisa, mas eu não coloquei a lei da reciprocidade.”

Além disso, o presidente destacou que a postura de Trump resultou em uma diminuição de 9,7% na relação comercial entre os dois países. “Sabe quando cresceu com a China? 20%. Indonésia, 15%; Alemanha, 15%”, disse o candidato à reeleição.

Lula também citou a questão das terras raras e dos minerais críticos, ao afirmar que a postura deve seguir sendo a de que as riquezas sejam produzidas no país, enquanto países como China e Estados Unidos podem trazer tecnologia para o território nacional.

“Terras raras e minerais críticos. A gente não vai deixar mais exportar nossos minérios, a gente quer transformar aqui no Brasil. Tem um plano real para isso.

A China pode ser parceira nossa, trazendo tecnologia para nós, como os Estados Unidos também. Eu não tenho cerceamento aos Estados Unidos. Agora, o Trump tem que saber que ele cuida dos Estados Unidos; do Brasil, tomo conta eu”, disse.

Lula diz que fica "analisando por que alguém votaria no Flávio Bolsonaro"

Lula questionou as razões que levariam um eleitor a votar no senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência da República. “Eu fico analisando por que alguém votaria no Flávio Bolsonaro”, afirmou. Na sequência, Lula disse que o principal fator seria a oposição ao presidente, ao PT e à esquerda.

“Eu fico imaginando por que o Igor sairia da casa dele ou o Lula da casa dele para votar no Flávio Bolsonaro. Pensando no que? O que ele tem para oferecer?”, questionou o presidente.

Lula afirmou que Flávio Bolsonaro teria como principal ativo eleitoral o chamado “anti-Lula”. “A única coisa que ele tem é o chamado anti-Lula. Não sei se é a única coisa, mas com certeza ele é forte. Que é o anti-PT, que é o anti-esquerda”, declarou.

O presidente relacionou esse posicionamento contrário ao PT a políticas sociais implementadas durante seus governos. Segundo Lula, avanços em áreas como educação e políticas de inclusão teriam contribuído para a formação de uma parcela do eleitorado que hoje se opõe a ele.

Críticas a Flávio Bolsonaro

Ao falar sobre a eventual disputa com Flávio Bolsonaro, Lula também questionou a trajetória política do senador. Ele afirmou que considera saudável uma eleição quando os candidatos têm experiência e uma trajetória na política. “Uma coisa é disputar com Fernando Henrique Cardoso, disputar com Zé Serra, disputar com Maluf, como eu já disputei, não tem nenhum problema, são gente da política. Outra coisa é você disputar a Presidência da República com uma pessoa desqualificada, como o Flávio Bolsonaro”, afirmou.

Lula disse ainda que Flávio “não tem passado, não tem presente e não tem futuro” e criticou a trajetória profissional do senador. “Esse rapaz nunca trabalhou na vida, esse rapaz foi vereador com 21 anos, sabe, e seguiu a carreira dele ganhando dinheiro público e passa ideia que não é político”, declarou.

Apesar das críticas ao adversário, Lula afirmou acreditar que vencerá a eleição no primeiro turno. “Eu sinceramente acho que eu vou ganhar as eleições. Eleições no primeiro turno. Acho que essas eleições vão ser definidas domingo, se não for paciência”, disse.

Lula diz que Master tinha irregularidades e defende Mantega após consultoria

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou também que o Banco Master foi fechado após a identificação de irregularidades durante a investigação conduzida pelo Banco Central. 

Segundo Lula, o controlador do banco esteve com ele uma vez, durante cerca de meia hora, e relatou estar sendo alvo de perseguição política. O presidente disse que orientou o empresário a deixar a investigação seguir seu curso. “No meu governo não tem perseguição política. Você está sendo investigado pelo Banco Central. Se a gente encontrar coisa errada, você vai pagar; se você não tiver coisa errada, você vai sobreviver. Ele tinha coisa errada, nós fechamos o banco, é isso”, afirmou.

Na entrevista, Lula também foi questionado sobre a atuação do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega como consultor do banco. O presidente afirmou que não vê problema no fato de ex-integrantes do governo trabalharem no setor privado após deixarem os cargos. “Quando eu tiro a pessoa do governo, que ele sai do governo, eu não consigo pagar para a pessoa. A pessoa vai trabalhar onde quiser”, disse.

Lula citou ainda o ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo, que, segundo ele, também passou a atuar no setor privado após deixar o governo. Sobre Mantega, afirmou que ele era consultor e questionou: “Qual é o problema?”.

O presidente também defendeu a trajetória do ex-ministro da Fazenda, a quem classificou como “o meu ministro da economia” e disse considerar “o mais digno” que ocupou a função. Lula afirmou ainda que, durante sua gestão, Mantega participou com ele de dois grandes investimentos, que, segundo o presidente, somaram US$ 270 bilhões.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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