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| Lula afirmou ainda que o intervalo até o segundo turno exigirá uma atuação mais rápida e eficiente (Foto: Minervino Junior) |
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante reunião de coordenação do PT nesta segunda-feira (5/10), que a campanha terá como um dos principais desafios, nos próximos 20 dias, recuperar o interesse de cerca de 30 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Para Lula, a abstenção representa uma oportunidade de ampliar a participação eleitoral na reta final da disputa.
“São 30 milhões de pessoas que não foram votar”, afirmou o presidente. Na avaliação dele, é preciso compreender as razões que levaram esse grupo a não participar da eleição. “Possivelmente tem uma causa: desinteresse. E a responsabilidade é nossa. É devolver o interesse para ele participar do processo eleitoral.”
Lula defendeu que a campanha não concentre esforços apenas em apontar erros cometidos pelos adversários. Segundo ele, o foco deve estar na identificação das falhas da própria campanha e na capacidade de corrigir rapidamente os problemas. “A gente não tem que ficar procurando defeito que os outros cometeram, que pode ter nos prejudicado. Nós temos que procurar o que nós não fizemos corretamente”, disse.
O presidente afirmou que o intervalo até o segundo turno exigirá uma atuação mais rápida e eficiente. “A gente agora tem que fazer em 20 dias, tem que fazer mais rápido e mais bem feito. Esse é o desafio”, declarou.
Lula
questiona motivo da abstenção
Durante a reunião, Lula levantou hipóteses para explicar a ausência de milhões de eleitores nas urnas. “O que aconteceu com essas pessoas? Eles perderam o sentido de responsabilidade? Eles não foram convencidos? Eles não gostam dos candidatos?”, questionou.
Para o presidente, caso a insatisfação com os candidatos fosse o principal fator, uma alternativa política mais forte teria surgido na eleição. Lula afirmou que uma “terceira via” não se consolidou e citou a polarização como uma característica presente também em eleições de outros países. “Em todo o mundo inteiro as eleições são polarizadas”, afirmou.
Na avaliação de Lula, portanto, a tarefa da campanha é buscar os eleitores que ficaram fora da votação e convencê-los a participar do segundo turno. “O que nós temos é que tentar convencer porque 30 milhões de seres humanos não foram votar”, disse.
Lula também admitiu que ficou frustrado por não ter vencido a eleição no primeiro turno. “Toda eleição eu fico decepcionado porque eu quero ganhar no primeiro turno”, afirmou.
O presidente, porém, lembrou sua experiência na eleição de 1989 para argumentar que uma votação menor na primeira etapa não impede uma recuperação posterior. “A pior que eu enfrentei foi com o Collor. Eu só tive 17% dos votos do primeiro turno para depois chegar a quase 47. Foi um longo caminho naquele tempo”, declarou.
Ao falar sobre os próximos dias, Lula afirmou que a campanha precisa colocar em evidência questões que, segundo ele, deveriam ter sido apresentadas durante todo o ano. “São 20 dias em que a gente vai ter que colocar para fora aquilo que a gente deveria estar colocando o ano inteiro”, afirmou.
Segundo
o presidente, entre os objetivos está “desnudar o que está por trás da eleição
de um possível herdeiro do fascismo nesse país” e mobilizar o eleitorado para a
etapa decisiva da disputa.
Publicado
originalmente no portal Correio Braziliense
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