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| Ciro Gomes não reconheceu derrota (Foto: Leo Canabarro) |
Em 2022, Roberto Cláudio não se manifestou na noite da apuração. À época, Capitão Wagner divulgou uma nota. Segunda-feira passada, RC e Wagner fizeram posts nas redes sociais. Naquele ano, Jair Bolsonaro (PL) fez o que fez — a postura é parte da explicação para ele estar preso.
A despeito da dor que possa sentir, quem se dispõe a ser candidato e passa meses atrás de voto tem de ser capaz de aparecer para agradecer aos eleitores, muitos ou poucos. O apoiador também está chateado e sem esperança. O alento precisa ser de quem lidera. É ainda um sinal de respeito ao pleito e à democracia, assim como o silêncio é desdém a tudo isso. As relações migraram para as redes sociais. Todavia, entendo ser papel do político aparecer em público, na noite da definição, e falar à população que pretendia governar.
Ao menos ao povo de Sobral ele devia dar satisfação. Houve uma bonita reconciliação política e os números das urnas foram avassaladores em favor do tucano.
Ciro se manifestou na tarde da terça-feira, 6, e o fez para jogar querosene numa fogueira apagada.
Pode-se concordar ou discordar das atitudes de Ciro, mas sempre considerei que ele agia conforme acreditava ser o melhor para o Ceará. Desta vez, não creio nisso. A publicação é um prato servido num encontro entre a amargura e a soberba.
A mensagem é triste e fica feia na história dele.
Lições
com o novo aliado
Ciro, quem diria, poderia aprender lições com o jovem e cada vez mais poderoso novo aliado André Fernandes (PL). Em 2024, o deputado perdeu a Prefeitura por muito pouco e adotou postura bastante digna. Foi até os simpatizantes, agradeceu o apoio, reconheceu o resultado e anunciou oposição. Trouxe tranquilidade a um ambiente no qual já se falava em questionar placar tão apertado.
Ciro ganhou muitas eleições e perdeu ainda mais. Tem idade e maturidade para ir a público e enfrentar a frustração com altivez.
Fez isso em 2018. Na entrevista após a derrota, respondeu a uma provocação com a expressão transformada em bordão: "Ai dento".
As derrotas têm sido duras e ele age de forma a torná-las piores.
Vitórias
de Ciro e aliados já foram questionadas
Ciro diz que a eleição foi roubada.
Isso também foi dito do pleito responsável por guindá-lo ao primeiro plano da política estadual. Ele se elegeu prefeito de Fortaleza, em 1988, com 5.317 votos de vantagem sobre Edson Silva, sob acusação de fraude nas urnas do Conjunto Ceará e em meio a enorme pendenga judicial, devido a não ter domicílio eleitoral na Capital e, portanto, nem mesmo poder votar.
Em 2002, apoiou Lúcio Alcântara para governador. José Airton Cirilo perdeu por 3.047 votos e o PT moveu uma campanha de denúncias e questionamentos judiciais contra o resultado.
Em 2012, Roberto Cláudio derrotou o mesmo Elmano pela Prefeitura de Fortaleza. Luizianne Lins, na época prefeita, denunciou fraude e protestou contra a invasão das “camisas amarelas”.
Aliás, o ex-governador contesta a estranha decisão de Dias Toffoli sobre tempo de propaganda dado a Elmano já após o fim do horário eleitoral. Em 2012, a situação não foi igual, pois era o último dia do período de propaganda. Mas Roberto Cláudio teve uma avalanche de tempo do blocão no rádio e na televisão transformada em inserções, devido a um erro da emissora responsável pela veiculação.
Ciro
já esteve muitas vezes do outro lado da acusação. Ele considera que nunca houve
roubo tão grande, exatamente como faziam os detratores de outrora.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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