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18 de janeiro de 2020

Secretário da Cultura cita ministro de Hitler em vídeo e acaba exonerado


O secretário especial da Cultura do governo federal, Roberto Alvim, citou trechos de uma fala do ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, ao anunciar a liberação de R$ 20 milhões para o Prêmio Nacional das Artes.

O vídeo do secretário foi postado na internet na noite de quinta-feira (16/01) e logo gerou uma onda de críticas, devido à semelhança com o discurso de Goebbels. O nome do ministro nazista se tornou um dos mais citados no Twitter durante a madrugada desta sexta-feira (17/01).

Pela manhã, uma crise havia se instalado, e Alvim acabou exonerado pelo presidente Jair Bolsonaro no início da tarde. Bolsonaro chamou a peça de "pronunciamento infeliz" e disse repudiar toda forma de totalitarismo, "como o nazismo e o comunismo". O vídeo foi retirado do ar.

Fala semelhante à de Goebbels

Alvim diz no vídeo que "a arte brasileira da próxima década será heróica e será nacional, será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional, e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes do nosso povo – ou então não será nada”.

A fala é semelhante a um discurso de Joseph Goebbels em 8 de maio de de 1933, no Hotel Kaiserhof, em Berlim. "A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada."

Na ocasião, ele falava para diretores de teatro. O trecho do discurso do ministro nazista está relatado no livro Joseph Goebbels: Uma biografia (Ed. Objetiva), escrito pelo historiador alemão Peter Longerich.

Outra referência ao nazismo contida no vídeo postado por Alvim é a trilha sonora. A música de fundo é um trecho da ópera Lohengrin, de Richard Wagner, obra que Hitler afirmou, em sua autobiografia, ter sido decisiva em sua vida.

Repercussão negativa
Logo pela manhã, uma série de críticas de autoridades passaram a ser feitas. O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou pelo Twitter que o secretário havia "passado dos limites" de maneira "inaceitável". "O governo brasileiro deveria afastá-lo urgente do cargo", acrescentou.

O Planalto, inicialmente, afirmou que não comentaria o caso, e Alvim ainda tentou se defender, dizendo que as semelhanças entre sua fala e o discurso de Goebbels eram coincidência. O secretário ainda afirmou que conversou com o presidente, que, segundo ele, não teria visto má intenção no vídeo.

As pressões, no entanto, continuaram. Parlamentares usaram termos como "repugnante" e "inaceitável" para classificar o vídeo. Os presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), do Supremo Tribunal Federal e do Senado também repudiaram as declarações do secretário. Já o apresentador Luciano Huck, que é judeu, chamou Alvim de "perverso".

Por fim, após o Planalto avaliar que o governo estava sofrendo um "massacre nas redes", e assessores, especialmente da ala militar, recomendarem que Bolsonaro se livrasse logo da crise, o presidente anunciou a exoneração de Alvim, adotando um tom mais ameno e chamando o vídeo de um "pronunciamento infleiz".

 Quem foi Joseph Goebbels

Joseph Goebbels tornou-se ministro da Propaganda de Adolf Hitler em 1933. Esse era um dos cargos mais importantes do governo alemão, já que era atribuição desse ministério a tarefa de convencer a população sobre os ideais nazistas. Cabia a Goebbels também o controle de toda a produção jornalística da Alemanha, o que acarretou em censura e perseguição a jornalistas judeus e outros grupos de oposição.

Sob ordens de Hitler, Goebbels convocou a população a boicotar negócios judeus e incentivou e organizou a queima de livros considerados “não alemães”. Após a morte de Hitler, Goebbels exerceu a função de chanceler por um dia. Ele e a esposa tiraram a própria vida em 1º de maio de 1945 após envenenarem os seis filhos.

Com informações portal Correio Braziliense


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