Mais que grande exportador de pescados, o Ceará agora produz lideranças em larga escala, o que sem dúvidas é bom para a economia local. O risco é não sobrar ninguém para postular o Governo do Estado além do próprio Elmano de Freitas (PT) e de Eduardo Girão (Novo). Brincadeira à parte, é interessante olhar de perto essa estratégia de nacionalizar trajetórias cujo alcance em tese é limitado - não é o caso de Camilo, Tasso e Ciro, embora os três acabem tirando proveito dessa exposição como atores de projeção simultaneamente estadual e nacional.
Vitrine
Veja-se o exemplo de Camilo. O petista deixou o Ministério da Educação em meio a especulações sobre esse cenário em que tentaria um terceiro mandato de governador, algo que começava a escalar dentro da própria base palaciana. Esse movimento se estancou apenas quando Lula recolocou o ministro no plano macro da arena política, escolhendo-o como um dos coordenadores de sua campanha e vislumbrando no aliado um papel importante nessa seara.
Assim, o agora ex-titular do MEC voltou a entrar no rol dos potenciais nomes parar herdar o legado do presidente. O fato de desempenhar tarefa nacional, contudo, não afastou o senador das obrigações estaduais, tampouco o eliminou como alternativa para o embate pelo Abolição. Nessa hipótese, porém, o ex-governador teria um discurso pronto à mão se precisasse substituir Elmano: estava dedicado às questões do Brasil, mas a realidade do Ceará o convocou. Não é desejo, é missão.
Emplumado
Com Ciro dá-se algo parecido. Convidado pelo dirigente tucano Aécio Neves para concorrer à Presidência novamente, o ex-ministro fez mesuras de agradecimento e ficou de pensar, naturalmente depois de uma consulta a seus apoiadores e à família.
Não precisa decidir agora, claro. Para ele, é até melhor que não, já que essa dúvida é produtiva tanto para o PSDB (cearense e federal), porque insere o partido no jogo, quanto para Ciro, que, bem mais do que Camilo ou mesmo Tasso, realmente se constituiu como figura política no âmbito nacional desde o início de sua carreira.
Logo, a dúvida sobre seu futuro eleitoral a esta altura, se existir, é mais verossímil - ainda que seu entorno compreenda que sua candidatura ao Governo do Estado é prego batido e ponta virada. Também para Ciro essa indefinição entre nacional ou local é positiva.
A
briga de Priscila
Não é tão diferente assim a situação de Priscila Costa (PL), parlamentar mais votada em Fortaleza em 2024. Cotada para o Senado, passou recentemente a frequentar a lista de possíveis nomes para vice de Flávio Bolsonaro - diz-se que por intermédio de Michelle Bolsonaro, numa tentativa de recomposição com o enteado. A história não para em pé, no entanto.
Além
de filiada ao mesmo partido do senador, Priscila é tão somente vereadora de
capital - sem demérito para ela e para o legislativo. Essa movimentação ganha
sentido, contudo, se interpretada como um esforço da ex-primeira-dama em fazer
da aliada uma postulante na vaga para a Câmara Alta. Alçá-la à condição de
alguém que está à altura da vice, nesse caso, é uma forma de dizer que Priscila
tem todas as qualidades para disputar como senadora.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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