23 de abril de 2026

O fator nacional para Ciro, Camilo e Tasso, por Henrique Araújo

De uma hora para outra, Ciro Gomes foi convidado para disputa ao Planalto pela quinta vez, o senador Camilo Santana acordou como sucessor de Lula e Tasso Jereissati como vice de Ronaldo Caiado (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Num intervalo de poucos dias, as demandas da política nacional atravessaram o samba da disputa eleitoral no Ceará, nem que seja apenas como possibilidade (em alguns casos, remota). De uma hora para outra, o senador Camilo Santana (PT) acordou como sucessor de Lula, Tasso Jereissati (PSDB) como vice de Ronaldo Caiado (PSD) na corrida presidencial, Ciro Gomes (PSDB) como adversário na briga pelo Planalto pela quinta vez e a vereadora Priscila Costa (PL) como candidata a vice na chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL).

Mais que grande exportador de pescados, o Ceará agora produz lideranças em larga escala, o que sem dúvidas é bom para a economia local. O risco é não sobrar ninguém para postular o Governo do Estado além do próprio Elmano de Freitas (PT) e de Eduardo Girão (Novo). Brincadeira à parte, é interessante olhar de perto essa estratégia de nacionalizar trajetórias cujo alcance em tese é limitado - não é o caso de Camilo, Tasso e Ciro, embora os três acabem tirando proveito dessa exposição como atores de projeção simultaneamente estadual e nacional.

Vitrine

Veja-se o exemplo de Camilo. O petista deixou o Ministério da Educação em meio a especulações sobre esse cenário em que tentaria um terceiro mandato de governador, algo que começava a escalar dentro da própria base palaciana. Esse movimento se estancou apenas quando Lula recolocou o ministro no plano macro da arena política, escolhendo-o como um dos coordenadores de sua campanha e vislumbrando no aliado um papel importante nessa seara.

Assim, o agora ex-titular do MEC voltou a entrar no rol dos potenciais nomes parar herdar o legado do presidente. O fato de desempenhar tarefa nacional, contudo, não afastou o senador das obrigações estaduais, tampouco o eliminou como alternativa para o embate pelo Abolição. Nessa hipótese, porém, o ex-governador teria um discurso pronto à mão se precisasse substituir Elmano: estava dedicado às questões do Brasil, mas a realidade do Ceará o convocou. Não é desejo, é missão.

Emplumado

Com Ciro dá-se algo parecido. Convidado pelo dirigente tucano Aécio Neves para concorrer à Presidência novamente, o ex-ministro fez mesuras de agradecimento e ficou de pensar, naturalmente depois de uma consulta a seus apoiadores e à família.

Não precisa decidir agora, claro. Para ele, é até melhor que não, já que essa dúvida é produtiva tanto para o PSDB (cearense e federal), porque insere o partido no jogo, quanto para Ciro, que, bem mais do que Camilo ou mesmo Tasso, realmente se constituiu como figura política no âmbito nacional desde o início de sua carreira.

Logo, a dúvida sobre seu futuro eleitoral a esta altura, se existir, é mais verossímil - ainda que seu entorno compreenda que sua candidatura ao Governo do Estado é prego batido e ponta virada. Também para Ciro essa indefinição entre nacional ou local é positiva.

A briga de Priscila

Não é tão diferente assim a situação de Priscila Costa (PL), parlamentar mais votada em Fortaleza em 2024. Cotada para o Senado, passou recentemente a frequentar a lista de possíveis nomes para vice de Flávio Bolsonaro - diz-se que por intermédio de Michelle Bolsonaro, numa tentativa de recomposição com o enteado. A história não para em pé, no entanto.

Além de filiada ao mesmo partido do senador, Priscila é tão somente vereadora de capital - sem demérito para ela e para o legislativo. Essa movimentação ganha sentido, contudo, se interpretada como um esforço da ex-primeira-dama em fazer da aliada uma postulante na vaga para a Câmara Alta. Alçá-la à condição de alguém que está à altura da vice, nesse caso, é uma forma de dizer que Priscila tem todas as qualidades para disputar como senadora.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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