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| Ciro vem dizendo a quem lhe pergunte que não apoia nem pretende apoiar Flávio Bolsonaro, mas deve se coligar com o PL cearense (Foto: Jonne Roriz) |
Pré-candidato ao Governo, Ciro Gomes (PSDB) vem tentando manter distantes dois âmbitos que costumam se misturar numa campanha, a saber, o local e o nacional. Em recente passagem por município do interior, o tucano fez saber que terá como foco o Ceará, e, dentro do estado, os temas da saúde e da segurança, que encabeçam a lista de prioridades do eleitorado. Até aí, tudo bem.
Natural que o candidato trace a melhor estratégia para a disputa, conforme seus cálculos. No caso de Ciro, não há dúvida de que o meio mais rápido para atingir seus objetivos seja evitar a federalização do pleito, com o governismo empurrando-o para o colo do bolsonarismo, como o governador Elmano de Freitas (PT) e seus aliados não fazem questão de esconder. Daí que essa dinâmica tenda a se impor ao longo da corrida, balizando a retórica, bem mais do que qualquer ninharia sobre quem traiu quem. Sobretudo quando cada campo político se julga mais virtuoso do que o outro, ainda que ambos estivessem juntos não 20 ou dez anos atrás, mas até 2022.
Para Ciro, no entanto, a dificuldade se dá porque, na cabeça do votante, a eleição é uma só - governador, presidente e senador. Digo que é uma dificuldade para o postulante do PSDB, mas pode ser também um trunfo. Já explico.
Se
é pra nacionalizar...
Ciro vem dizendo a quem lhe pergunte que não apoia nem pretende apoiar Flávio Bolsonaro, do PL de André Fernandes, cujo pai é parte da chapa de oposição. Pois bem. A tese do tucano encontra guarida nos argumentos apresentados por uma bolsonarista insuspeita: Michelle, a ex-primeira-dama, para quem o candidato social-democrata nem é conservador, nem de direita, nem comprometido com os valores desse bloco - tampouco respeita o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ora em cana cumprindo prisão domiciliar, sobre quem Ciro já disse barbaridades.
Ainda nessa entrevista de fim de semana, o mais velho dos Ferreira Gomes declarou que faria gosto em votar em Ronaldo Caiado (PSD), de quem se sente próximo, mas que também via com simpatia a figura de Renan Santos, do Missão, fazendo uma ressalva a uma ou outra posição mais extremada do rapaz (Santos andou pelo Ceará sugerindo "metralhar" todo faccionado, por exemplo). Em seguida, para arrematar, o tucano afirmou que, na sua chapa, Alcides vota na família Bolsonaro, mas Mauro Filho (União Brasil) é vice-líder do governo Lula na Câmara.
Ganhando
em todo lado
A intenção da aposta cirista parece evidente: ampliar o palanque ao máximo para potencializar suas chances contra uma base governista expressiva, ganhando votos no lulismo, no bolsonarismo e em um eleitorado mais de centro ou de centro-esquerda, como se queira, que já se habitou a votar no ex-pedetista, uma fatia que o acompanha por causa do PND e de suas propostas na seara da economia. Para Ciro, é esse o mundo ideal. Se for para nacionalizar a disputa eleitoral no Ceará, então que seja nesses termos, isto é, sem vinculá-lo a ninguém, mas a todos os postulantes à sucessão de Lula (já que a cartada da candidatura de Aécio Neves falhou), incluindo-se o próprio petista, de quem foi ministro em tempos idos.
O
prazo se esgota
Os
dias que se seguem vão ser de muita conversa, especialmente na cozinha
palaciana, onde faltam cadeiras e sobram convivas. Por ora, as fotografias de
momento pressagiam uma chapa com contornos mais claros: Elmano na cabeça, Cid
no Senado e Domingos Filho na vice. Mas, eis o nó górdio, falta a segunda vaga
de senador, que foi prometida a meio mundo e, em razão das regras, não pode ser
dividida. É em torno desse impasse - e dos acordos apalavrados lá atrás - que
os aliados mantêm série de conversas.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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