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9 de setembro de 2026

As contradições de Ciro Gomes na sabatina do O Povo

Ciro ainda não anunciou o seu apoio para candidato a presidente (Foto: Fábio Lima)

O ex-governador e candidato ao Governo do Ceará, Ciro Gomes (PSDB), afirmou que não há "absolutamente nada" de errado com o senador Flávio Bolsonaro (PL), apesar de evitar declarar apoio ao presidenciável bolsonarista. O tucano disse não ter "nada a ver com o bolsonarismo, como também não tenho nada a ver com o lulismo" e comentou sobre "contradição nacional" de sua aliança no Ceará.

“O que Flávio Bolsonaro tem de errado que impede o senhor de fazer um aceno, de elogiar ou até de cogitar um apoio nessa disputa para presidente?”, foi perguntado a Ciro em sabatina do O POVO realizada ontem (08/09). Ele respondeu: “Nada, absolutamente nada".

O questionamento foi feito diante da possível aliança com Flávio Bolsonaro em um eventual 2º turno nas eleições presidenciais, fato levantado pelo colunista e correspondente do O POVO, João Paulo Biage. Ao colunista, o coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), deu como sendo uma situação já "certa".

Em resposta, Ciro desmentiu categoricamente a informação, classificando-a como "intriga" e garantindo que ninguém falou com ele sobre isso. “Eu aprecio a sua intriga, mas não aconteceu isso. Nunca ninguém falou comigo sobre isso”, retrucou o candidato.

Ciro reiterou que não apoia nem o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem a ala de Flávio Bolsonaro, e explicou que "ninguém está me exigindo que eu apoie ninguém" nacionalmente.

Questionado sobre quem ele apoiaria, o tucano respondeu: "Primeiro, estou pensando, sabe, até aqui ninguém está me exigindo que eu apoie ninguém. Por quê? Porque é um ato de delicadeza que eu pratico com a contradição nacional da minha aliança. Eu não tenho nada para esconder".

Questionado sobre sua relação com as pautas bolsonaristas, como a obrigatoriedade da vacinação, Ciro foi enfático ao se posicionar a favor da imunização.

“Eu tenho 40 anos de vida pública. Você acha mesmo que eu sou a favor contra uma questão que é básica? [...] Veja bem, eu não tenho nada a ver com o bolsonarismo, como também não tenho nada a ver com o lulismo”, retrucou o candidato.

Crise no STF

Apesar de se distanciar das discussões nacionais, o candidato da oposição defendeu ser necessário colocar um "freio" em algumas autoridades do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Que eles nos ajudem a colocar respeitosamente um freio nestes abusos que uma fração do Supremo Tribunal tem feito”, disse Ciro ao detalhar o que pediu aos dois candidatos ao Senado de sua coligação, Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL).

Além disso, Ciro afirmou que pediu aos seus candidatos ao Senado para “tentarem endurecer a legislação penal para perseguir organizações criminosas”. “Eu quero, volto a dizer, eu quero federalizar esses crimes”, disse.

O candidato ainda criticou alguns mecanismos judiciais, defendendo o fim das decisões monocráticas e propondo que qualquer liminar que suspenda a pauta seja submetida ao colegiado em até 48 horas.

“O freio é, por exemplo, você acabar com esse negócio de liminar sem prazo. Eu tenho um punhado de sugestões para acabar com esse negócio de liminar sem prazo”, disse.

Sobre o ministro Alexandre de Moraes, Ciro disparou que "um ministro cuja esposa tem um contrato de 130 milhões de reais tem muita explicação para dar", classificando como "algo devastador para a população".

Relações familiares

A sabatina se iniciou com questionamentos acerca da relação entre Ciro Gomes e o irmão, senador Cid Gomes (PSB), candidato à reeleição na chapa de Elmano de Freitas (PT).

O tucano revelou que, após a derrota eleitoral de 2022, quando perdeu no Ceará e em seu berço político, o município de Sobral, distante 213 km de Fortaleza, ficou “muito magoado” e “sofrido” por conta de episódios que nomeou de "traição e ingratidão" de pessoas que ele sempre defendeu.

“Pela primeira vez, procurei ajuda psicológica. Eu não me envergonho de falar isso. Antigamente eu tinha vergonha, mas agora eu procurei porque teve esse componente de traição e de ingratidão. Gente a quem eu dei a minha vida, porque eu me sacrifiquei”, disse em referência ao senador Camilo Santana (PT), nome que Ciro apoiou ao Governo do Ceará em 2018.

O tucano relembrou o momento em que Cid avançou contra policiais amotinados utilizando uma retroescavadeira, em fevereiro de 2020, e foi atingido por dois tiros. Sobre o caso, em 2026, o candidato ao Senado pela chapa de Ciro, Capitão Wagner, sugeriu condecorar o policial que atirou em Cid.

“Especificamente, quando o Capitão Wagner falou isto, eu fiquei bastante frustrado, porque nosso entendimento já estava em andamento”, contou Ciro.

“Ele, antes que eu fizesse qualquer reclamação, me pediu desculpas com a maior naturalidade: ‘Não sei onde eu estava com a cabeça de falar uma bobagem dessa’, e já foi desdobrando, e eu disse: ‘Não se mortifique, qualquer um de nós está vulnerável a falar uma bobagem’”, apontou Ciro.

Segurança Pública

Assim como os outros candidatos, o ex-ministro priorizou detalhar suas propostas para a segurança pública no Ceará. Ciro propôs enfrentar as facções criminosas, baseando-se em uma estratégia que ele chama de "Cinturão de Segurança".

“O que é o cinturão de segurança? É a decomposição como método de resolver o problema. É fatiar o problema e ir resolvendo por partes. Como se trata de território, a minha proposta começa dando uma resposta objetiva para a casa do cidadão”, afirmou.

Outra proposta detalhada pelo candidato foi o projeto de recrutar pessoas da própria comunidade para fornecer pistas básicas anonimamente via WhatsApp ou telefone, sem a necessidade de produzir provas judiciais ou depor como testemunhas.

“Não quero que ninguém se arrisque, não quero que ninguém seja herói, mas eu preciso que a comunidade me faça chegar de qualquer jeito, pelo telefone 181, pelo WhatsApp, por meninos que vão ser recrutados, enfim, para passar para facção do bem”, disse.

Ele explicou: “Essa é uma inteligência comunitária que vai dar a pista. Não precisa provar nada, não precisa, enfim, não vai ser testemunha, não vai ser chamado na justiça. Prova o que você falou não, nada, zero”.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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