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| Na gestão de recursos hídricos, a aposta é no uso intensificado de obras como o Eixão das Águas e o Malha D'água (Foto: Priscila Nascimento) |
Com
a previsão de um El Niño muito forte já no segundo semestre deste ano, o Ceará
planeja formas de mitigar os efeitos deste fenômeno, como aumento de
temperaturas e redução das chuvas.
Na
gestão de recursos hídricos, a aposta é no uso intensificado de obras como o
Eixão das Águas e o Malha D'água, sistemas capazes de levar água de uma região
melhor abastecida para pontos com maior escassez de água.
Um
dos exemplos é o que ocorre com a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), que
desde fevereiro recebe águas do açude Orós, segundo maior do Estado, via Eixão
das Águas.
Com
menos chuvas desde a pré-estação, em janeiro, a RMF perdeu mais de 20% de seu
aporte durante o último ano, tendo seu menor volume armazenado desde 2021.
"O
que traz um pouco mais de segurança para a gente é o nosso sistema de
transferência de água. Eu não consigo dizer se essa água vai cair mais na zona
litorânea ou para o sul do Estado, mas onde ela cair nós temos uma condição
melhor que os outros estados do Nordeste de transferir água de um lugar para o
outro", explica o diretor de operações da Companhia de Gestão de Recursos
Hídricos do Ceará (Cogerh), Tércio Tavares.
Evolução
das bacias hidrográficas do Ceará no último ano
O
uso dessas ferramentas foi tema da última reunião entre os Comitês de bacias
hidrográficas do Ceará, realizada na quarta-feira passada, 8.
Durante
o encontro foram definidos os níveis de vazão para os três maiores açudes do
Estado, o Castanhão, Orós e Banabuiú (confira vazões completas ao fim da
matéria).
Além
da RMF, essas águas devem chegar às regiões do Baixo Jaguaribe, perímetro
Promovale , perímetro irrigado de Morada Nova e à cidade de Milhã, por meio do
Eixão e do projeto Malha D'água.
Os
valores definidos pelo comitê terão validade até o início de 2027, devido à
menor quantidade de chuvas característica de todo o segundo semestre no Ceará.
O período é maior que o definido no primeiro semestre, quando as vazões eram
definidas semanalmente.
"No
início do ano nós sabíamos que a reservação da RMF estava próxima de 40% a
menos que o ano anterior. Como tínhamos esperança de que a quadra chuvosa fosse
mais generosa na RMF, optamos por fazer avaliações semanais. Agora, quando olho
pro segundo semestre, eu sei que não vai haver chuva, então não precisa ficar
avaliando semana a semana. É a certeza que a gente delibera os seis meses
porque sabe que não vai chover", conclui Tavares.
El
Niño tem impacto direto para redução de chuvas, mas não do volume armazenado
É
comum que a população associe a chegada de um El Niño muito forte com a redução
do volume de água armazenada, assim como ocorre com a chuva.
Entretanto,
os dados mostram que essa ligação nem sempre é correta. Dos quatro eventos de
El Niño registrados neste século, em dois o Ceará teve aumento de volume
armazenado, incluindo o mais recente, que durou de junho de 2023 a maio de
2024.
Reserva
hídrica do Ceará no início e fim de cada El Nino do século XX
Segundo
Tavares, essa oscilação se explica pelo fato de que, mesmo com menos chuvas,
ainda é possível que as precipitações caiam em regiões estratégicas para o
sistema de reservatórios.
"Há
uma relação direta do El Niño com diminuição de chuvas. Essa é a única relação
direta que tem. Se essas poucas chuvas vão cair nos locais que proporcionam boa
acumulação, é isso o que diferencia. Como que chove pouco mas há uma boa
reverbação? É porque o local e forma onde a chuva caiu favoreceram a
reservação", explica o diretor técnico.
Outro
fator que pode auxiliar a manutenção dos níveis de armazenamento são as chuvas
extremas, que têm se tornado mais recorrentes durante a emergência climática.
Mais
fortes que as precipitações comuns, elas tendem a chegar mais rápido aos
reservatórios, evitando perdas por evaporação ou outros fatores atribuídos às
demais chuvas.
"Para
fazer reservação o ideal são chuvas fortes e rápidas, porque elas geram
escoamento. Elas descem escorrendo pela superfície rumo aos rios, que as levam
para os barramentos e açudes", finaliza Tavares.
Confira
vazões autorizadas para os três maiores açudes do Estado até janeiro de 2027
Açude
Orós: vazão média de 11300 metros cúbicos por segundo (m³/s), dos quais 850
m³/s vão para o canal Orós–Feiticeiro, 1400 m³/s para o Açude Lima Campos, 3037
m³/s para demandas instaladas e 6 mil m³/s para Sistema Castanhão-Eixão das
Águas, em direção à Região Metropolitana de Fortaleza.
Açude
Castanhão: vazão média 25 mil m³/s, sendo 19 mil m³/s para atendimento das demandas
da região do Baixo Jaguaribe pela perenização e pelo Eixão das Águas, além de 6
mil m³/s para a RMF (vindos do Orós).
Açude
Banabuiú: vazão média de 2900 m³/s, com 1480 m³/s destinados a usos múltiplos,
620 m³/s ao Perímetro Promovale, 700 m³/s para o perímetro irrigado de Morada
Nova, e por fim, m³/s enviados à 1ª etapa do Malha d’Água (até Milhã).
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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