8 de junho de 2026

PEC ultraliberal contraria campanha para acabar com jornada 6x1

Uma PEC de autoria do senador Rogério Marinho e outros parlamentares do PL foi  interpretado como o antípoda da PEC do fim da jornada 6X1 (Foto: Pedro França)

O fim da jornada 6x1 no Brasil mobilizou o Congresso Nacional no fim do mês passado, com a aprovação, na Câmara dos Deputados, da proposta de emenda à Constituição 221/2019. O texto reduz a jornada de trabalho semanal de 44 horas para 40 horas e estabelece um descanso de dois dias, um deles preferencialmente aos domingos. De forma efusiva, os deputados registraram 461 votos favoráveis à PEC, contra 19 contrários. Seguiu-se uma ampla comemoração por parte de setores ligados aos trabalhadores, além de aliados do governo Lula e do próprio presidente da República. Em contraponto, a classe empresarial lamentou a mudança de regime e espera avançar no Senado Federal na obtenção de ajustes na proposta chancelada pela primeira Casa Legislativa.

Nesta nova fase, o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre, já deixou claro que não pretende se deixar levar pela empolgação do momento. Disse não ter pressa para avaliar o fim da jornada 6x1 e deixou no ar até a possibilidade de o texto passar por outras instâncias além da Comissão de Constituição e Justiça, abrindo uma possibilidade pouco usual para o rito legislativo. Sensível às pressões políticas do governo e de diferentes setores da sociedade, Alcolumbre pretende valorizar o protagonismo do Senado. "Não é razoável que a Câmara dos Deputados passe cinco meses debatendo um assunto muito relevante para o Brasil, para o povo brasileiro, para a nação e também para os trabalhadores e para os empreendedores, e o Senado seja obrigado a carimbar um texto aprovado na Câmara", disse o presidente do Congresso no início da semana passada.

Nesse ponto, convém abrir um parêntesis: é chocante a contradição entre o cuidado de Davi Alcolumbre em debater mudanças na legislação trabalhista brasileira e o atropelo parlamentar que, em menos de dois minutos, suspendeu a resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) para o aborto legal em crianças e adolescentes vítimas de estupro. Em votação simbólica e sessão remota, os senadores eliminaram as diretrizes do Conanda a favor de procedimentos que assegurem às vítimas de abuso sexual o cumprimento da lei. Em um país onde, diariamente, 450 crianças e adolescentes se tornam mães, ficou evidente que o Senado Federal está aberto ao debate somente quando lhe convém.

Paralelamente à cautela de Alcolumbre, outro movimento no Senado Federal promete frear o ímpeto em favor dos trabalhadores com o fim da jornada 6x1. Trata-se da PEC 12/2026, de autoria do senador Rogério Marinho e de outros parlamentares. O texto pode ser interpretado como o antípoda da PEC 221/2019. A PEC permite aos trabalhadores optar quanto à jornada de trabalho, podendo escolher entre o regime comum previsto pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) ou um regime flexível baseado em horas trabalhadas. Estabelece, ainda, o pagamento proporcional dos benefícios garantidos pela legislação, como férias, 13º salário, FGTS e adicionais trabalhistas. Por fim, o texto privilegia a negociação individual à convenção coletiva.

No entendimento do senador Rogério Marinho, esse modelo daria mais autonomia ao trabalhador, de modo que ele poderia conciliar o tempo dedicado ao trabalho e o lazer. "Se você quiser trabalhar 20 horas, 30 horas, 40 horas, 50 horas, é possível. E que você seja remunerado pela sua atividade e pela sua disponibilidade em relação ao seu empregador. É assim que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos", argumentou o líder da oposição e coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro.

A proposta defendida por Marinho foi imediatamente batizada por termos pejorativos, como "PEC da Escravidão", "PEC 7x0" ou "PEC das Horas Trabalhadas". Na avaliação dos críticos, a PEC abre caminhos para consequências, como precarização do trabalho, redução de renda e fragmentação dos direitos trabalhistas. Os opositores ressaltam ainda que o texto, ao defender uma suposta modernização nas relações de trabalho, aprofunda a desigualdade entre categorias de trabalhadores e fragiliza o poder de negociação entre empregados e empresas.

Com apoio de entidades empresariais e políticos de direita — entre os quais o senador Flávio Bolsonaro —, a PEC 12/2026 pode ser considerada um extrato do ultraliberalismo brasileiro. Propõe uma espécie de desregulamentação do mercado de trabalho, deixando para empregados e patrões a livre negociação. Propor esse modelo abre uma janela para diversos questionamentos, considerando a realidade nacional: será essa proposta suficiente para reduzir a informalidade, que atinge 40 milhões de trabalhadores? Quais serão os impactos no regime da Previdência, absolutamente comprometido para as futuras gerações? Permitirá a PEC que os brasileiros tenham mais tempo para se qualificar e dedicar-se à família? Como ficará a fiscalização desses micro regimes de trabalho, em um país continental e extremamente desigual?

Há um risco de que a flexibilização total das relações de trabalho aprofunde os problemas já existentes no país. Fenômenos como a uberização já formaram, no Brasil, uma geração de trabalhadores que dedicam horas de seu tempo sem nenhuma garantia trabalhista ou contribuição previdenciária. Caberá aos senadores definir os termos necessários para aprimorar o texto proveniente da Câmara ou a proposta ultraliberal defendida por senadores bolsonaristas e aliados.

Ainda em relação à PEC 12/2026, supostamente emulada do modelo norte-americano, chama a atenção representantes da direita brasileira defenderem mais liberdade no mercado de trabalho na mesma semana em que os Estados Unidos ameaçam impor uma tarifa de 12,5% ao Brasil por identificar falhas no combate a trabalhos forçados. Na visão dos norte-americanos, o liberalismo brasileiro adquiriu sotaque de exploração econômica.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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7 de junho de 2026

Resistência em meio a ataques, por Thays Maria Salles

Em 2026 comemora-se os 30 Anos da Urna Eletrônica (Foto: Reprodução/TSE)

No passado recente do Brasil, uma urna podia desaparecer antes da apuração ou chegar ao destino com votos a mais. Naquele tempo, havia mortos que votavam, cédulas em branco que ganhavam candidatos depois do fechamento das seções e mapas de votação adulterados durante a transferência dos resultados. Bastava uma letra escrita de forma errada para um voto ser anulado.

Trump vira peça-chave no tabuleiro da corrida eleitoral brasileira, por Fernanda Strickland

O anúncio das medidas tarifárias adotadas pelo governo Trump colocou a política externa no centro da campanha (Foto: Mandel Ngan)

A quatro meses da eleição presidencial, pelo menos quatro grandes temas despontam como centrais para a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os candidatos de oposição: a relação entre Brasil e Estados Unidos após o novo tarifaço anunciado por Washington; a segurança pública e o avanço das facções criminosas, tema em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também tentou interferir recentemente; a economia em meio às discussões sobre a crise fiscal; e a condição das mulheres.

6 de junho de 2026

Palanques cearenses acumulam confusões. Relembre

Girão, Elmano e Ciro já experimentaram as primeiras confusões na pré-campanha Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Os palanques cearenses já foram cenário de brigas, discussões, puxões de orelha e bate-boca entre governadores, parlamentares e diversas lideranças políticas no Estado.

Lula sanciona renovação automática da CNH para bons motoristas

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, sem vetos, nesta sexta-feira (5/6), o Projeto de Lei que promove mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e consolida a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para motoristas com bom histórico de condução.

5 de junho de 2026

André Fernandes e Girão travam "guerra indireta" na Justiça

André e Girão são os principais líderes da direita no Ceará (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Duas das principais lideranças da direita no Ceará, o deputado André Fernandes (PL) e o senador Eduardo Girão (Novo) têm travado uma espécie de "guerra judicial indireta" nas últimas semanas. Desde maio, direções do PL e do Novo têm acionado a Justiça Eleitoral contra páginas com ataques cruzados entre os candidatos, com ambas as siglas apontando uma "campanha de desconstrução de imagem" de seus filiados. No caso do PL, foram denunciados, por exemplo, perfis anônimos como @direita_periferia, que têm publicado vídeos, inclusive com uso de inteligência artificial, atacando Fernandes pela aliança com Ciro Gomes (PSDB). Nas publicações, o deputado é retratado de forma pejorativa e acusado de "trair" o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Marcha para Jesus tem tom de campanha com disputa de narrativas

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Com milhares de fiéis nas ruas de São Paulo, a Marcha para Jesus, no feriado de Corpus Christi, atraiu pré-candidatos às eleições deste ano e teve discursos em tom de campanha. Entre os presentes estava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos); o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD); o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e outros políticos. O advogado-geral da União, Jorge Messias, representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também compareceu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

4 de junho de 2026

Elmano também critica Flávio Bolsonaro: "Traindo o próprio País"

Elmano afirmou nunca ter visto antes alguém querer presidir o Brasil e trair a própria pátria (Foto: Fábio Lima)

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3 de junho de 2026

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Depois de classificar duas facções criminosas como "terroristas", o que permite aos EUA aplicarem sanções a bancos e empresas, possibilitando inclusive ações militares em território nacional, a Casa Branca faz nova ofensiva contra o Brasil.