14 de setembro de 2026

Manifestações nas ruas a 20 dias do primeiro turno

No Rio de Janeiro, um cortejo cultural percorreu a orla de Copacabana liderado pela candidata do PT ao Senado, Benedita da Silva (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Na reta final para o primeiro turno das eleições gerais, em 4 de outubro, partidos da esquerda e da direita escolheram o dia para fazerem mobilizações pelo país, a fim de alavancar as respectivas campanhas e se posicionarem em relação à crise institucional do Supremo Tribunal Federal (STF).

A campanha para reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por exemplo, organizou a manifestação Brasil pronto para mais, que, segundo os representantes da legenda, até o fim da tarde foram contabilizadas 1.120 atividades em pelo menos 130 municípios brasileiros.

A iniciativa levou militantes, simpatizantes, dirigentes partidários, aliados e representantes de centrais sindicais às ruas em carreatas, caminhadas, panfletagem, bandeiraços, adesivaços e rodas de conversa. A mobilização teve como foco a defesa da candidatura de Lula, da democracia e de propostas para um país com inclusão social.

Pelas redes sociais, Lula convocou os apoiadores a participarem dos atos. "Hoje é dia de ocupar as ruas! Mostrar a força do Brasil que a gente acredita", afirmou o presidente, ao compartilhar também o novo jingle de sua campanha: Lula fez e Lula faz e vai fazer bem mais.

Em Brasília, cerca de mil pessoas participaram de uma caminhada pelo Eixão do Lazer. O ato contou com a presença da primeira-dama Rosangela da Silva, a Janja, do candidato do PT ao Governo do Distrito Federal (GDF), Leandro Grass, e de outras lideranças do campo progressista. "Estamos prontas e prontos para mais", declarou a primeira-dama.

Em São Paulo, onde foram registrados atos em 16 municípios, a mobilização da esquerda na capital ocorreu apesar do mau tempo. Participaram da panfletagem em frente ao Masp o candidato petista ao governo estadual, Fernando Haddad, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.

Haddad voltou a defender a abertura dos sigilos relacionados ao caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master. "Se a gente não aproveitar o momento para escancarar tudo e deixar cada cidadão formar o seu juízo sobre o que aconteceu, vamos perder uma grande oportunidade de passar esse país a limpo", afirmou.

Edinho destacou a participação dos militantes. "Mesmo debaixo de chuva, teve mobilização, disposição e muita vontade de construir o futuro que queremos em todos os estados do Brasil e no Distrito Federal", disse. "Agora é seguir mobilizando, em cada cidade, em cada bairro e em cada canto do estado. Vamos juntos até a vitória!", concluiu.

No Rio de Janeiro, um cortejo cultural percorreu a orla de Copacabana, na Zona Sul carioca, liderado pela candidata do PT ao Senado, Benedita da Silva. A petista defendeu uma bancada forte para apoiar Lula e reiterou uma das mensagens do presidente durante a campanha: "Não vamos voltar a ser colônia de ninguém". Vários artistas globais postaram vídeos chamando as pessoas para "o ato pela democracia" em frente ao hotel Copacabana Palace, como Beth Gofman ao lado de Malu Mader, Tony Bellotto, e Cláudia Abreu.

Atos da oposição

Enquanto os aliados de Lula promoviam atos em diferentes regiões do país, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) levou a Macapá uma mobilização contra o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), no estado do senador.

O ato no Amapá reuniu apoiadores vestidos de verde e amarelo e teve como principal pauta a pressão para que Alcolumbre dê andamento aos pedidos de impeachment apresentados contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. A manifestação havia sido anunciada por Nikolas durante o ato de 7 de Setembro, em São Paulo, e buscou transferir a pressão política para a base eleitoral do senador.

A cobrança ganhou força nas últimas semanas, especialmente após a quebra do sigilo de conversas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Alcolumbre, porém, ainda não sinalizou que pretende colocar os pedidos em votação e afirmou que pretende tratar o caso com cautela.

"Davi Alcolumbre, nós estamos aqui na sua terra, pelo seu povo pedindo o impeachment do Moraes, já. Caso contrário, você entrará como um dos maiores covardes do Brasil. Nós estamos aqui, não pedindo vingança, mas justiça. Paute o impeachment e o resto nós faremos. Porque o Amapá acordou", disse o deputado mineiro, pedindo para o público repetir.

O candidato à Presidência do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), não participou do ato no Amapá e ainda cancelou as agendas previstas para ontem, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. De acordo com nota distribuída à imprensa e aos organizadores dos atos na cidade, o cancelamento ocorreu em função dos últimos acontecimentos e das fortes chuvas que se abateram sobre a região no fim de semana.

Live de Lula

No fim do dia, Lula realizou uma live nas redes sociais bem tímida, que teve uma audiência que registrou pico de apenas 12,5 mil pessoas simultâneas no YouTube. Durante a transmissão, o presidente pediu aos apoiadores que utilizem os últimos 20 dias da campanha para apresentar resultados de seu governo e rebater o que classificou como informações falsas. "Eu queria que você transformasse esses 20 dias de campanha que faltam na verdade absoluta para vencer a mentira absoluta. É isso que está em jogo", afirmou.

Ao abordar a carestia crescente para os consumidores, Lula reconheceu que os alimentos continuam caros, embora tenha citado números para comparar a inflação da alimentação entre o governo anterior e sua atual gestão. Segundo ele, a inflação dos alimentos havia sido de 56,17%, no governo passado, e está em 13,6%, no atual mandato. "A comida está cara ainda porque o fato de a gente não ter permitido que a inflação aumentasse, o fato concreto é que a gente não conseguiu reduzir o preço estratosférico que estava no governo passado", declarou.

Lula também afirmou que a campanha precisa enfrentar o que chamou de "fanáticos" e "negacionistas". "O fanático, negacionista, ele não quer argumento. Ele quer confusão, ele quer fazer lacração, ele quer inventar história, ele quer mentir", disse.

Ao falar sobre a escolha dos eleitores, o presidente lembrou que foi o presidente que mais investiu em educação, citou os vários programas criados por ele, como Prouni, Fies e Pé-de-Meia, e pediu que cada pessoa reflita sobre o futuro desejado para o país. "Você pensa no Brasil. O Brasil que você quer para você, o Brasil que você quer para o seu filho, o Brasil que você quer para a sua mulher, o Brasil que você quer para o futuro", afirmou.

Durante o breve discurso, Lula ainda não deixou de atacar o principal rival, Flávio Bolsonaro, alegando que ele é quem é amigo do lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "careca do INSS" — que está no centro do escândalo de desvio de dinheiro de aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). "Quem tem escritório com o careca do INSS é o Flávio", afirmou. Ele ainda criticou a campanha da oposição afirmando que há muitas mentiras e ilusões, como as campanhas dos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Jair Bolsonaro. "Quem ganha as eleições com mentiras não consegue governar. O sacana que ganha a eleição mentindo vai resultar em um governo de imprestável que não sabe governar", emendou.

O petista também voltou a defender o fim da escala 6x1 como parte do projeto que pretende apresentar aos eleitores. "É esse o mundo que eu quero criar para vocês: é esse o mundo de permitir que todas as pessoas tenham direito a um bom emprego, a um salário decente, que a gente conquiste definitivamente a escala, o fim da escala 6x1", declarou.

Segundo o presidente, a redução da jornada permitiria ampliar o tempo de convivência familiar e dividir as tarefas domésticas. "As mulheres já aprenderam a ir para o mercado de trabalho, mas nós não aprendemos a ir para a cozinha ainda", afirmou.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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