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| Aliados de Ciro Gomes tentam retomar as negociações, mesmo com o PL de Michele Bolsonaro (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais) |
No vídeo repostado pela esposa de Jair Bolsonaro, Ciro concede uma entrevista em que faz uma série de críticas ao ex-presidente. Em trecho da publicação ele diz: “Se a gente entender o Bolsonaro, a gente tem que entender a psicologia de um homem quase doente”.
Na ocasião, Ciro também critica a capacidade intelectual de Bolsonaro: “Por que o Bolsonaro tem esse ódio anti-intelectual? É porque ele é curto, a capacidade de raciocínio dele é abstrata, ele é quase um burro, quase um jumento, um cara imbecil mesmo”, disse.
Ele ainda menciona questões ambientais e comportamentais: “Ele foi multado pescando ilegalmente lá, ele tem horror à questão ambiental. E essa coisa do gay, essa piada com o tamanho do pênis dos orientais isso tudo é um problema de armário”.
A ex-primeira-dama é uma critica ferrenha da aliança do PL no Ceará com Ciro, tendo feito críticas públicas que gerou um desgaste interno e paralisou as negociações no Estado. Ela defende que a direita apoie a pré-candidatura do senador Edurado Girão (Novo) no Ceará.
A crítica de Michelle ocorre num momento de definições no Ceará. Aliados de Ciro Gomes afirmaram que ele está prestes a formalizar a pré-candidatura ao governo do Estado, com previsão de lançamento no próximo dia 16 de maio.
Deputados do PL cearense já afirmaram que querem apoiar Ciro e que aguardavam apenas a formalização da pré-candidatura para fechar o apoio, cenário que parece se avizinhar.
Em março, parlamentares aumentaram pressão para que Ciro fosse candidato no Ceará.
Na ocasião, a deputada Dra. Silvana (PL) tratou o ex-ministro como o único capaz de vencer o PT. "Eu, Silvana, digo: o PL hoje precisa do Ciro. Eu, Silvana, líder do PL, eu quero o PL apoiando o Ciro, porque eu quero o melhor pro meu Estado. Eu quero realmente ganhar a campanha para governador".
O episódio nas redes sociais retoma uma tensão que ganhou força durante passagem de Michelle pelo Ceará, quando ela criticou diretamente a aproximação entre aliados do PL e Ciro.
Durante evento em Fortaleza, no lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão ao governo do Estado, Michelle fez um alerta público a lideranças do partido.
Ela afirmou que a aliança com o ex-ministro havia sido feita de forma precipitada. Na ocasião, pediu que fosse lida uma manchete em que Ciro dizia se orgulhar de ter contribuído para a inelegibilidade de Bolsonaro. Em seguida, reagiu: “É sobre isso, é sobre essa aliança que vocês se precipitaram em fazer”.
Ela também direcionou a crítica ao deputado André Fernandes, presidente do PL no Estado, apesar de afirmar que tem apreço por ele. “Tenho orgulho, mas fazer aliança com um homem que é contra o maior líder da direita? Isso não dá”, disse.
À época, as declarações provocaram reação dentro do partido. André Fernandes defendeu a articulação e afirmou que a aproximação com Ciro vinha sendo construída desde 2024, com conhecimento e aval de Bolsonaro. Segundo ele, a estratégia buscava fortalecer a oposição ao PT no Ceará e ampliar as chances eleitorais em 2026.
O deputado também criticou a exposição pública do tema, afirmando que havia um acordo para tratar dessas negociações internamente.
O embate evidenciou uma divisão no PL entre um grupo que defende alianças pragmáticas e outro, liderado por Michelle, que rejeita qualquer aproximação com Ciro.
A nova publicação da ex-primeira-dama, ao resgatar críticas duras do ex-ministro, reforça esse posicionamento e mantém a tensão entre as alas da oposição.
O deputado Felipe Mota (PSDB) comentou nesta terça-feira, 5, as declarações de Michelle e a situação das negociações. Segundo ele, as tratativas entre os grupos estão, neste momento, suspensas por iniciativa do próprio PL, mas a avaliação interna é de que manifestações como a da ex-primeira-dama fazem parte do jogo político.
“O que já foi dito para nós e permanece é que as negociações estão suspensas a pedido do próprio PL. Nós consideramos essa declaração da ex-primeira-dama Michelle uma coisa normal da política. Ela tem o pensamento dela e o PL do Ceará tem outro”, afirmou.
Mota defendeu ainda a construção de uma frente contra o PT no Estado e disse que a aliança com Ciro é vista como estratégica.
“Se não for o Ciro para poder fazer o enfrentamento ao PT, nós teríamos dificuldade. É a realidade”, argumentou.
O
parlamentar também alertou que disputas internas podem enfraquecer a oposição
no Ceará. “Procedimentos como esse, tanto dela como de qualquer outra figura
nacional do partido, vão fazer com que o PT ganhe força. Nós não temos que nos
digladiar uns contra os outros”, afirmou.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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