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| Apoiadores de Lula lotaram a ponte sobre o Rio São Francisco na divisa da Bahia com o Pernambuco (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais) |
A influência das redes sociais nas campanhas cresceu de forma exponencial na última década. A eleição presidencial chega aos dias finais com as estratégias visíveis a olho nu conduzidas, do lado de Flávio Bolsonaro (PL), por Pablo Marçal; de Lula (PT), por André Janones. Um dos temas do País nas últimas semanas é o grupo de Whatsapp coordenado por Janones, para cuja divulgação o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deu expressiva contribuição.
O impacto do horário eleitoral de rádio e televisão vem em queda e neste ano me parece ter sido o menor de que me lembre, ao menos até aqui.
Por outro lado, as megacampanhas nacionais parecem ter redescoberto as ruas no segundo turno.
O
habitat da política
O corpo a corpo eleitoral nunca deixou de existir, mas perdeu espaço conforme a esfera digital ganhou relevância. Os comícios, antes o centro da mobilização, tornaram-se muitas vezes secundários. A transição coincidiu com a ascensão da esquerda ao poder federal. Esse campo ideológico, tradicionalmente com militância mais ativa e presente nas ruas, institucionalizou-se.
Enquanto se dava esse processo, a partir de 2013, a direita passou a reunir multidões para protestar. Esses atos também ocorreram em período eleitoral, contudo, na maioria das vezes a justificativa era outra. O 7 de Setembro de 2022 foi um colossal ato de campanha de Jair Bolsonaro (PL). Oficialmente, tratou-se da comemoração dos 200 anos da independência. Neste segundo turno, a forma de se manifestar ganhou outro tom.
André Fernandes (PL) promoveu os “bloquinhos”, incorporados nacionalmente por Flávio Bolsonaro. A mobilização de Lula partiu para os atos de grande porte com a entrada na coordenação de figuras do Nordeste, como Rafael Fonteles e Camilo Santana. Em Fortaleza, o deputado estadual eleito Léo Suricate (Psol) tem promovido também movimentos expressivos na periferia.
A política nasceu nas ruas, nas praças, nos espaços públicos. A comunicação de massa se tornou protagonista e permitiu falar a muito mais gente simultaneamente. Então, passou a soar como perda de tempo dedicar parte da agenda dos candidatos a estar em um local específico, com público delimitado.
O
corpo a corpo nunca foi 100% abandonado porque sempre serviu para a produção de
imagens veiculadas em larga escala. Mas não é só isso. Numa época na qual as
inovações na propaganda eleitoral são para pior, tornando-a mais rasa,
superficial e agressiva, esse reencontro da política com o habitat natural é
uma notícia, até agora, positiva.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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