8 de maio de 2026

Após encontro, Lula descarta interferência de Trump nas eleições brasileiras

 

Lula disse ter saído muito otimista da reunião com Trump (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que acredita que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tentará interferir nas eleições brasileiras em outubro, mas descartou qualquer possibilidade de pedir seu apoio para a reeleição. "Não existe nenhuma possibilidade de eu discutir esse assunto com qualquer presidente de qualquer país do mundo. Isso é um assunto brasileiro", destacou Lula em entrevista coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 7, após reunião com Trump em Washington.

Lula disse que tem uma relação "sincera" com o presidente americano e que a relação dos dois "evoluiu muito" desde o primeiro encontro que tiveram - um diálogo de 29 segundos na Assembleia-Geral da ONU no ano passado classificado por Lula como "amor à primeira vista".

"Eu tenho razões para acreditar que Trump gosta do Brasil e, por isso, eu quero que ele saiba que nós, brasileiros, temos interesse em fazer os melhores acordos com os EUA. E eu acho que, sinceramente, ele não vá ter qualquer influência nas eleições brasileiras, porque quem vota é o povo brasileiro e eu acho que ele vai se comportar como presidente dos EUA, deixando o povo brasileiro decidir o seu destino", afirmou Lula.

Em postagem nas redes sociais, Trump informou que discutiu "muitos tópicos" com Lula, incluindo questões comerciais e de tarifas, e chamou Lula de "um presidente muito dinâmico".

"A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário", escreveu o norte-americano.

Lula chegou à Casa Branca pouco depois do meio-dia (horário de Brasília). O encontro foi previamente negociado pelas equipes dos dois países, com a expectativa de tratar diversos temas, como comércio, combate ao crime organizado, além de questões geopolíticas e de minerais críticos.

A jornalistas, Lula disse ter saído muito otimista da reunião bilateral. "Eu acho que o Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo, qualquer assunto. Não tem assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutido", afirmou o presidente.

Durante a coletiva de imprensa, Lula anunciou que o governo brasileiro vai lançar um plano de combate ao crime organizado "na semana que vem" e que, na conversa com Trump, ficou acertado que uma das frentes de trabalho entre dos dois governos será a cooperação para asfixiar financeiramente as organizações criminosas transnacionais que atuam no Brasil e nos EUA.

Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, equipes da Receita Federal brasileira e a contraparte norte-americana deverão fazer operações conjuntas para bloquear o contrabando de armas e outros produtos, incluindo o tráfico ilegal de drogas sintéticas provenientes dos EUA.

Ainda segundo Lula, eles não trataram sobre facções criminosas que atuam no Brasil. O governo dos EUA estuda mudar a designação de facções brasileiras como grupo terroristas, o que na avaliação do Brasil e de especialistas é um risco à soberania e não ajuda no combate ao crime

Em abril, Brasil e Estados Unidos já haviam anunciado um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas.

A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países, de forma a viabilizar uma investigação célere de padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.

Presidentes orientaram ministros a resolverem tarifas em 30 dias

Lula disse após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, que equipes dos dois governos deverão fechar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e de uma investigação comercial aberta pelos norte-americanos contra o Brasil desde o ano passado.

O objetivo é que uma proposta seja levada aos dois líderes em cerca de 30 dias. O Brasil voltou a defender o encerramento da apuração aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

"Eu falei assim: 'Vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço [do Ministério] da Indústria e Comércio do Brasil, junto com o teu ministro do Comércio, sentem em 30 dias e apresentem para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo'. Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder", disse Lula a jornalistas na sede da Embaixada do Brasil em Washington.

No procedimento, os EUA acusam o Brasil de concorrência desleal, mencionando o Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e proteção de propriedade intelectual.

Em abril deste ano, técnicos brasileiros reuniram-se nos EUA para esclarecimentos, defendendo o país contra a alegação de práticas desleais.

O governo brasileiro não reconhece a legitimidade de instrumentos unilaterais como a Seção 301, argumentando inconsistência com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Lula, o tema do Pix não foi mencionado durante a reunião entre os presidentes.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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