![]() |
| Amigo dos filhos de Bolsonaro, Paulo Figueiredo é o tipo de mediocridade alçada pelo extremismo (Foto: Reprodução/Redes Sociais) |
O Brasil possui um enredo que, caso encenado na ficção, seria caricato e exagerado. Enquanto Eduardo Bolsonaro (PL) empreende uma cruzada vilanesca nos Estados Unidos contra o próprio país, ao lado dele está uma figura obscura e satírica. Profere absurdos com regularidade, mas ganhou atenção adicional na semana passada.
“Mulher vota estatisticamente mal, principalmente as solteiras. As casadas costumam acompanhar o marido”.
A fala parece saída diretamente do século XIX, mas foi de 2026 mesmo. O sujeito tem seguidores e admiradores. Inclusive mulheres.
Existe muito saudosismo por aí, de coisas boas e também das ruins. Há saudade da seleção de 1970, bem como das equipes de 1982, 1994, 2002 e até da de 2006, mesmo sem ter feito um bom jogo sequer na Copa. Há quem sinta falta da escola pública do passado, realmente de qualidade, mas excludente. A elite estava lá, mas a maior parte das crianças não tinha acesso a educação alguma.
Existe saudosismo da Idade Média, da Inquisição e das cruzadas. Esse tipo de sentimento ocasiona até mesmo excomunhão no catolicismo. Figueiredo sente falta do tempo no qual mulher não podia votar.
Paulo Figueiredo é o tipo de mediocridade alçada pelo extremismo. É neto do último ditador do Brasil, João Baptista Figueiredo. O mesmo que, ao prometer uma reabertura política inevitável àquela altura, afirmou: “É para abrir mesmo, e quem quiser que não abra, eu prendo e arrebento”. É o DNA democrático do indivíduo.
Quando Figueiredo, o general ditador, foi indicado pelo antecessor Ernesto Geisel para sucedê-lo, o governo valeu-se de uma campanha de comunicação com ares de comicidade: apresentou-o como “João do Povo”. Mas o então chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI) era popular e carismático como uma escrivaninha. Quando o repórter Getúlio Bittencourt perguntou se ele gostava do cheiro do povo, o general respondeu: “O cheirinho do cavalo é melhor”. A desmoralização ocorreu antes da posse.
O neto de um ditador que preferia o cheiro de cavalo ao do povo quer dizer quem sabe votar.
Flávio
e o aliado
Flávio Bolsonaro (PL), esta tem sido a rotina dele, buscou se desassociar do discurso do apoiador e repudiou a manifestação. “Ele não faz parte da nossa campanha, embora seja uma pessoa que nos ajuda muito lá nos Estados Unidos”. Ajuda, no caso, atrapalhando o Brasil.
Figueiredo disse que Flávio, a quem chamou de “meu amigo”, está certo em repudiar a fala dele, embora errado sobre o assunto em si — o voto das mulheres.
Direito
eleitoral para além das mudanças
Começa neste sábado, 4, o período de restrições eleitorais. Transferências de recursos, nomeações e exonerações passam a ser bastante limitadas. Presença de candidatos em inaugurações se torna proibida (mas visitar obra pode). As regras eleitorais mudam a cada eleição e há pressão por reforma do modelo. A advogada e professora Raquel Machado lança o livro “Direito eleitoral”, pela Editora Íthala, no qual analisa, em meio às mudanças normativas a cada pleito, os princípios que permanecem imutáveis e definem esse ramo do direito.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
Leia também:

Nenhum comentário:
Postar um comentário
A Administração do Blog de Altaneira recomenda:
Leia a postagem antes de comentar;
É livre a manifestação do pensamento desde que não abuse ou desvirtuem os objetivos do Blog.