24 de outubro de 2026

Debate da Globo: Lula e Flávio avançam em propostas, mas com troca de acusações

Nas considerações finais, Lula defendeu a democracia e alertou para o risco de ter um "miliciano" no poder. Flávio, por sua vez, reforçou as críticas à gestão do adversário (Foto: Pablo Porciuncula)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrentaram-se nessa sexta-feira no último debate antes do segundo turno da eleição presidencial, realizado pela TV Globo. Após uma mudança de postura das duas campanhas em relação ao programa anterior, da TV Band, os candidatos abordaram propostas para temas como saúde, educação e segurança pública, mas não deixaram de trocar acusações de corrupção e ofensas. Enquanto Lula defendeu suas três gestões, sem apresentar grandes novidades para um eventual quarto mandato, Flávio prometeu mudanças, mas disse ainda que manterá uma série de programas do atual governo.

Ao falar sobre economia, Lula criticou a falta de reajuste do salário mínimo em governos anteriores, incluindo o do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "Se não fosse os governos do PT, Lula e Dilma, se a gente não estivesse reajustando o salário acima da inflação, sabe quanto seria o salário mínimo, por conta do seu pai e do (Michel) Temer, que não aumentaram? Seria de R$ 900". Flávio, em resposta, mencionou a alta carga tributária e ofendeu o adversário. "Não adianta nada você dar um salário mínimo de R$ 1.621, se você dá com uma mão e tira com nove dedos", rebateu o senador. Ele também criticou a alta carga tributária e atribuiu a perda do poder de compra do trabalhador ao atual governo. Flávio prometeu, ainda, manter o reajuste do salário mínimo acima da inflação.

A ofensa contra Lula rendeu um direito de resposta. O presidente perdeu um dos dedos em um acidente de trabalho, quando era operário. "Trabalhando de noite, quando não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Não vou. Ele nunca trabalhou na vida", disparou. Na tréplica, Flávio voltou atrás. "Lula, se eu te ofendi porque eu te chamei de nove dedos, eu te peço desculpa, de verdade. Não queria te ofender", declarou.

Ainda na economia, Flávio atribuiu a Lula alta nos juros e a diminuição do poder de compra. "Nós temos uma das maiores taxas de juros do mundo. É a mesma taxa que reajusta a sua dívida. É por isso que hoje você chega no mercado e já tem lá disponível uma caixa de ovo, uma dúzia de ovos com 10 ovos", afirmou. O petista rebateu: "Por que vocês fizeram um Banco Central independente?". Já Flávio, na tréplica, disse que a medida visa evitar "gastadores".

Questionado por Lula, Flávio também disse ser a favor da proposta de zerar a tarifa do transporte público aos finais de semana, e sustentou que vai manter o Pé-de-Meia e reajustar o Bolsa Família, bandeiras do petista. "Você não vai perder o seu Bolsa Família, vai ficar recebendo por mais um período até você estabilizar", afirmou Flávio. O senador também comentou sobre sua proposta para comprar as dívidas dos brasileiros, e congelá-las por até um ano, enquanto Lula acusou a medida de ser uma "cópia" do Desenrola.

Os adversários não deixaram de trocar ataques durante o debate. No terceiro bloco, trataram sobre bets. Flávio chamou Lula de "pai do tigrinho", por seu governo ter regulamentado as plataformas de apostas, em 2023. Lula rebateu, e disse que as bets foram "criadas por você e seu pai em 2022". "Não só o seu pai é o pai do tigrinho, como você é o irmão."

Em seguida, Flávio escolheu tratar da retomada de territórios controlados pelo crime organizado, e ressaltou que Lula já defendeu publicamente a manutenção da "saidinha" para presidiários.

Em resposta, o presidente levantou o tema da atuação de Flávio para inocentar Bruno Dias Delaroli, policial militar que matou Ana Clara, uma menina de cinco anos. Apesar da prisão ter sido em flagrante, a detenção foi revogada, e o policial passou a cumprir apenas medidas cautelares. O julgamento ainda não ocorreu. O presidente levou a mãe de Ana Clara, Cristiane Gomes da Silva, aos estúdios para acompanhar o debate.

"Ela e eu e o Brasil inteiro gostaríamos de saber por que um senador da República evita que um policial assassino, que era para ser julgado agora dia 21, não fosse julgado, por que vem um senador defender um policial que deu um tiro de fuzil em uma menina de cinco anos. Explica, que segurança é essa?, questionou Lula.

Em resposta, Flávio se confundiu, e dirigiu-se a Ana Clara, a menina morta, e não à sua mãe. "Era uma troca de tiros em uma comunidade conflagrada, a senhora (mãe da Ana) sabe que tem o tráfico de drogas aí, e o que eu estou fazendo é que eu quero ajudar a senhora, inclusive, a saber quem foi o autor desse disparo, porque eu tenho a confiança de que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda", disse o senador.

No último bloco, com tema livre, o embate ficou ainda mais acirrado. Lula citou a disputa envolvendo o jogador Richarlison e o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, por uma ilha em Angra dos Reis. O jogador disse ter comprado o terreno, mas que o perdeu para Tomaz. Lula questionou o envolvimento de Flávio no caso, mas o senador negou e mudou de assunto.

Ele questionou Lula sobre uma garrafa de whisky que teria recebido do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, que custaria R$ 500 mil, como presente. O petista desconversou, e citou também os R$ 134 milhões pedidos por Flávio a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse.

Ao encerrar o debate, nas considerações finais, Lula defendeu a democracia e alertou para o risco de ter um "miliciano" no poder. Flávio, por sua vez, reforçou as críticas à gestão do adversário e pediu para que os eleitores rezassem um "pai-nosso".

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

Leia também:

Veja como foram as considerações finais de Lula e Flávio Bolsonaro no debate da Globo

Nenhum comentário:

Postar um comentário

A Administração do Blog de Altaneira recomenda:
Leia a postagem antes de comentar;
É livre a manifestação do pensamento desde que não abuse ou desvirtuem os objetivos do Blog.