29 de julho de 2026

Partidos vão à Justiça contra apoio da federação a Ciro

Wagner é presidente da federação enquanto os deputados Moses e AJ Albuquerque presidem, respectivamente, o União Brasil e o PP no Estado (Foto: Whyn Castro)

Confirmando informações anteriores os partidos União Brasil e Progressistas, ajuizaram ação visando anular a convenção da federação União Progressista que deliberou apoio a Ciro Gomes (PSDB) nas eleições de outubro próximo.

A decisão da federação foi judicializada no Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) pelos advogados de ambos os partidos na última segunda-feira (27/07) e, após a manifestação das partes, deverá ser incluída na pauta do Tribunal Regional Eleitoral - TRE-CE.

O presidente da federação União Progressista no Ceará e candidato a senador, Capitão Wagner (União Brasil), classificou como “exacerbada” a ação e afirmou a iniciativa atende à "tentativa desesperada do governo" e não por vontade própria dos dirigentes estaduais de União Brasil e PP.

"Vemos como precipitada a ação judicial, ela foi tão exacerbada que nem esperou a divulgação do edital da candidatura do Ciro. Antes de publicarem o edital, já estavam pedindo a impugnação. Isso mostra uma tentativa desesperada do governo. A gente sabe que o Moses e o AJ não estão fazendo isso por vontade própria, mas por pressão do governo", argumentou.

Wagner é presidente da federação União Progressista no Ceará, enquanto os deputados federais Moses Rodrigues e AJ Albuquerque presidem, respectivamente, o União Brasil e o PP no Estado.

Além do apoio a Ciro, a convenção aprovou o ex-prefeito Roberto Cláudio (União) como vice na chapa do tucano e Wagner como candidato a senador.

Individualmente, as convenções dos partidos federados defendiam coligação com o PT e apoio ao governador Elmano de Freitas (PT) no Ceará. As atas foram rejeitadas pelo diretório, enquanto os filiados às siglas foram liberados para apoio individual a qualquer candidato.

O dirigente estadual da federação sustentou que recebeu a ação com surpresa, mas que é "impossível" uma reviravolta para reverter o quadro de apoio a Ciro. Ele aponta que não houve divergência no diretório, além do aval prévio do comando nacional.

"A reviravolta é impossível, vou lhe explicar o porquê: o estatuto da federação é muito claro. Ele diz que, quando há convergência dos partidos, quem toma a decisão é a Federação do Estado do Ceará. E houve essa convergência, não houve atrito entre PP e União Brasil. Então, a decisão cabe à federação e nós tomamos a nossa decisão. Se houvesse divergência entre os partidos, aí sim, caberia à decisão nacional", disse.

Wagner projetou ainda um posicionamento do diretório nacional sobre o caso. "O esperado para as próximas horas é que possamos ter um posicionamento da nacional quanto a essa situação. E, com esse posicionamento feito, teremos tranquilamente a vitória no processo judicial protocolado no TRE, sem necessidade sequer de qualquer discussão", afirmou.

Ainda durante a convenção, o presidente estadual do União Brasil, Moses Rodrigues, afirmou que houve divergência entre o que o União Brasil e o PP decidiram em suas convenções individuais e o que foi definido pela Federação União Progressista.

Nesse sentido, Moses garantiu que o setor jurídico dos partidos iria avaliar as regras aos filiados durante a campanha, além de não descartar uma consulta ao TRE.

"Nós vamos analisar juridicamente o que pode ser feito quanto à questão das candidaturas proporcionais, caso tenha desalinhamento com as candidaturas majoritárias. Então, eu não posso responder exatamente o que vai acontecer, porque quem vai analisar a decisão, logicamente, é o departamento jurídico do partido", explicou na ocasião.

O caso foi levado ao Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (Nº 0600258-76.2026.6.06.0000) pelo União Brasil e pelo Progressistas.

Em despacho, o desembargador eleitoral Wilker Macedo Lima determinou que os requeridos e a Procuradoria Regional Eleitoral se manifestem sobre o caso no prazo de um dia. Após o fim do prazo, o processo deverá ser incluído na pauta extraordinária do dia 30 de julho.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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