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| O relator Alfredo Gaspar foi acusado de mudar o relatório para agradar o PL, seu novo partido (Foto: Geraldo Magela) |
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes em pagamentos de aposentadorias e pensões feitas pelo INSS acabou em pizza, sem relatório aprovado. E isso só ocorreu por opção de todos os parlamentares que lá estavam, da direita à esquerda, passando pelo centrão.
Tudo começou no início da semana passada. Alfredo Gaspar (PL-AL) elaborava o relatório pedindo mais de 200 indiciamentos, mas aguardava a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela prorrogação. Como não houve prazo maior, o texto do relator foi apresentado na sexta-feira de manhã, diferente daquele que estava quase pronto na segunda.
Os
nomes de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e do ex-ministro Carlos Lupi
(PDT-RJ) entraram no parecer após a filiação de Alfredo Gaspar ao PL - é o que dizem
dois parlamentares do União Brasil, antigo partido de Gaspar. A mudança, feita
para agradar a nova sigla, afastou a possibilidade de acordo com a base
governista. Gaspar e o PL se mostraram irredutíveis em alterar o texto e, desde
o início da sessão, era possível saber que o relatório não seria aprovado.
A base governista, por sua vez, apresentou um voto em separado, com pedido de 130 indiciamentos, entre eles os de Jair e Flávio Bolsonaro. Desta vez, foi a oposição que não quis negociar e, por opção do presidente do colegiado, Carlos Viana (Podemos-MG), o relatório não foi votado. Viana também deve desembarcar no PL esta semana.
Viana, Gaspar e todos os outros parlamentares, durante os 7 meses de CPMI, se mostraram indignados com o 'roubo aos aposentados', mas na hora de fazer a investigação valer a pena, a busca incessante por votos falou mais alto. Eles preferiram a narrativa política à investigação, a disputa de versões ao documento que relataria o trabalho do colegiado. Pizza e palhaçada, nada além disso.
Mais
de mil sigilos quebrados para nada
Além disso, o colegiado se mostrou incompetente em todo o suposto processo de investigação. O plano de trabalho, aprovado na segunda sessão da CPMI, não foi seguido nem por 40 dias. Nos últimos 3 meses de 'trabalho', só dois investigados foram ouvidos: entre dezembro e o fim de março, a comissão teve mais sessões canceladas do que realizadas. Uma vergonha!
Houve blindagem de todos os lados. Quer ver? A quebra de sigilos de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e operador do Master, ficou na gaveta de Viana por 3 meses e meio e só foi votada depois da CPI do Crime Organizado ter quebrado o sigilo. Os governistas, por sua vez, blindaram a Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha e vinculada a Antônio Carlos Camilo Antes, o Careca do INSS. A oposição evitou acesso a dados de Letícia Caetano, sócia de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e também próxima do Careca.
E vale lembrar: a CPMI fez uma verdadeira devassa na vida de centenas de inocentes. Foram mais de mil sigilos quebrados de 602 pessoas. Mesmo pegando o relatório de Gaspar como referência e mesmo que todos forem considerados culpados, o número de pessoas que teve dados pessoais invadidos é superior a 300. Uma suposta investigação que mais cometeu mais crimes do que apurou e não conseguiu mostrar para a população quem são os culpados pelo golpe.
Deputados e senadores não estão no Congresso para investigar processos policiais. Eles não sabem fazer isso, não são pagos para isso e usam casos populares, como este do INSS, para ganhar votos. A CPMI do INSS, assim como as recentes CPIs do MST e das Bets, acaba em pizza exatamente por causa disso.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
Leia também:
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