27 de março de 2026

Homologada no TSE, federação deverá se definir entre Ciro e Elmano

União Progressista é criada já como a maior bancada do Congresso Nacional (Foto: Pedro Gontijo)

Principal alvo das articulações políticas de governo e oposição no Ceará nos últimos meses, a federação União Progressista (UPB), que reúne os partidos União Brasil e Progressistas, agora passa a existir de fato. O acordo para a atuação conjunta das legendas foi homologado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em sessão realizada na manhã desta quinta-feira, 26.

A ministra relatora, Estela Aranha, deferiu o pedido de criação da União Progressista e foi acompanhada pelos demais membros da corte eleitoral.

A federação foi anunciada há quase um ano, no fim de abril de 2025, em um evento em Brasília. Na ocasião do anúncio, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), destacou a importância da criação do bloco, que passaria a ter a maior bancada no Congresso Nacional.

Em agosto passado, os partidos realizaram convenções para aprovar o acordo. Mas ainda era aguardada a oficialização por parte do TSE, para que a federação passasse, de fato, a existir.

Nos últimos meses a federação enfrentou entraves regionais que ameaçaram a criação do bloco, que agora se concretiza e deve definir posições nos estados, incluindo o Ceará onde é disputado por grupos políticos ligados à base e à oposição ao governador Elmano de Freitas (PT).

Os conflitos levaram à saída de Ronaldo Caiado, governador de Goiás e pré-candidato a presidente da República. Ele trocou críticas públicas com o senador Ciro Nogueira (PT), presidente nacional do Progressistas, e acabou deixando o União Brasil. Achou mais viável disputar para ser candidato a presidente pelo PSD, onde há outros três pré-candidatos, a ficar na federação.

O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, e Ciro Nogueira (PI), têm agora que determinar os caminhos da UPB, seja em termos nacionais, com o posicionamento na campanha majoritária à Presidência, quanto nos estados brasileiros, onde há entraves e divergências entre as siglas que compõem a federação recém-homologada.

Um dos estados nos quais há mais disputa sobre a UPB nas eleições a governador é o Ceará. Governo e oposição seguem lutando para trazer para si o apoio, que garantiria mais tempo de TV e mais verba do fundo partidário para a campanha, além de enfraquecer o outro lado.

O Progressistas é presidido no Ceará pelo deputado federal AJ Albuquerque e, em Fortaleza, pelo pai dele, Zezinho Albuquerque, deputado estadual licenciado e secretário de Cidades do governo Elmano. Ambos são governistas e apoiarão a reeleição de Elmano de Freitas (PT).

Já o União Brasil é presidido no Ceará pelo ex-deputado Capitão Wagner. Em Fortaleza, foi anunciado que o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, será o presidente. A dupla, além de alguns deputados estaduais e federais fazem oposição ao governo e defendem a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) a governador.

Por outro lado, há uma ala do partido que é governista. O deputado federal Moses Rodrigues já garantiu o apoio a Elmano, independentemente da posição da sigla. Ele é cotado para ser um dos candidatos ao Senado pela aliança governista, caso a federação fique na situação.

Outra ala governista no União é comandada pelo prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa. Ao lado dele, há ainda o deputado estadual Firmo Camurça. Filha de Roberto, a deputada federal Fernanda Pessoa, que já havia anunciado o apoio à reeleição de Elmano, anunciou nesta semana a filiação ao PSD, que compõe a aliança governista.

Na semana passada, a vice-governadora do Ceará, Jade Romero, anunciou que está deixando o MDB e se filiando à federação, sem explicar para qual dos dois partidos irá.

Caso vá para a base governista, a federação deve perder filiados de oposição. Caso fique do lado opositor, é possível que perca mais governistas. Restando pouco mais de uma semana para o fim da janela partidária (vigente até dia 3 de abril), a homologação desta quinta-feira é um passo relevante rumo às esperadas decisões envolvendo os caminhos que a UPB irá tomar.

Com a oficialização, os partidos devem atuar praticamente como se fossem uma única legenda em todo o País por, no mínimo, quatro anos.

O União Progressista terá a maior bancada na Câmara dos Deputados (101 nomes), o maior número de governadores (sete) e de prefeitos eleitos em 2024 (1.383). A federação também terá a maior fatia do fundo eleitoral (R$ 953,8 milhões, segundo valores de 2024) e do fundo partidário (R$ 197,6 milhões).

O novo grupo é definido por lideranças como "conservador, mas não reacionário", de "oposição" e "prego no caixão do velório" do PT e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, as duas legendas passaram por um período de alinhamento político e programático desde quando a criação da federação foi anunciada em abril de 2025 durante um evento no Congresso Nacional.

"Essa federação nasce após um longo período de conversas e discussões pautadas pelo espírito de sempre, que é oferecer aos brasileiros os melhores projetos e os mais qualificados quadros. Agora, formalmente autorizados pelo Tribunal Superior Eleitoral, é hora de começarmos a concretizar tudo aquilo que planejamos: fazer o Brasil se desenvolver e gerar dignidade aos brasileiros", afirmou Rueda.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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