15 de maio de 2026

Diálogos Flávio-Vorcaro: dia de silêncio e de desconforto na extrema-direita

Para o deputado Pedro Uczai o silêncio e o diversionismo da bancada sobre a CPMI do Master, desconsertou a extrema-direita (Foto: Vinicius Loures)

A divulgação de mensagens e áudios trocados entre o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro causou grande desconforto entre os poucos bolsonaristas num dia de Congresso esvaziado. Os governistas, por sua vez, evitavam o triunfalismo, mas avaliavam que o discurso anticorrupção alardeado pelo grupo do ex-presidente Jair Bolsonaro sofrera duríssimo golpe.

Nos bastidores, integrantes da extrema-direita classificaram os diálogos e áudios de Flávio como "péssimos" para a pré-campanha. Os bolsonaristas tentavam adaptar o discurso ante o dano dausado pelos diálogos. Afinal, o filho 01 chama Vorcaro de "irmão", afirma que estaria "contigo sempre" e cobra, explicitamente, parcelas relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção sobre a trajetória do pai ex-presidente.

Para amenizar o estrago, houve quem partisse para o ataque. O deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP) criticou o pré-candidato presidencial Romeu Zema (Novo) nas redes sociais. Em vídeo publicado ontem, chamou-o de "hipócrita" e questionou a relação do ex-governador de Minas Gerais com doações ao Novo no estado. No PL, a postura do ex-governador significa distanciamento do bolsonarismo e aprofunda a disputa por espaço na extrema-direita para a corrida presidencial.

Diversionismo

A estratégia dos poucos bolsonaristas no Congresso era mudar o foco para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Master e sustentar que não há ilegalidade na busca de financiamento privado a um projeto cinematográfico.

"As relações obscuras do Master precisam ser investigadas. Não vejo problema em pedir para um banco privado patrocinar um filme. O Itaú faz isso, o Bradesco faz isso, o Santander e muitos outros", disse o deputado Rodrigo Valadares (PL-SE).

O deputado Coronel Tadeu (PL-SP) disse que o episódio é uma ofensiva política contra o senador. "Não há irregularidade no fato de um filho buscar patrocínio privado para a produção de um filme privado. Não há uso de dinheiro público nem gastos bancados pelo contribuinte", observou, esquecendo-se, porém, que de que vários fundos de previdência de servidores estaduais (como os do Rio de Janeiro, do Amazonas e do Amapá) e municípais (como os de Maceió, Cajamar, em São Paulo, e Itaguaí, no Rio de Janeiro) aportaram milhões no Master.

Ao Correio, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que o silêncio e o diversionismo da bancada bolsonarista, ao dizerem que são a favor da CPMI do Master, desconsertou a extrema-direita. "É evidente que os bolsonaristas sumiram do Plenário. É constrangedor para eles. A informação que temos é de que Flávio havia garantido ao entorno da pré-campanha que as relações com Vorcaro eram protocolares. O entorno do próprio Flávio foi pego de surpresa", frisou.

Para a deputada Maria do Rosário (PT-RS), "tudo é muito grave, afeta Flávio Bolsonaro e toda a direita. Por esse motivo, muitos querem se distanciar. Mas as provas que eram todos 'irmãos' estão publicadas há meses".

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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