5 de junho de 2026

Marcha para Jesus tem tom de campanha com disputa de narrativas

O presidente Lula justificou ausência, outros pré-candidatos participaram do ato (Foto: Reprodução/ICL/Redes Sociais)

Com milhares de fiéis nas ruas de São Paulo, a Marcha para Jesus, no feriado de Corpus Christi, atraiu pré-candidatos às eleições deste ano e teve discursos em tom de campanha. Entre os presentes estava o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ); o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos); o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD); o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e outros políticos. O advogado-geral da União, Jorge Messias, representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também compareceu o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pré-candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro atacou a gestão Lula ao falar à multidão. "Vamos orar pelo nosso Brasil. Essa guerra é espiritual. E hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo deste Brasil este ano, em nome do senhor Jesus", discursou.

Flávio também citou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar humanitária, após ser condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. "Queria muito que meu pai estivesse aqui presente, mas vamos lutar por ele. Obrigado a todo mundo pela orações, continuem orando pelo Brasil", acrescentou.

Também pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado foi outro que aproveitou a evento religioso para criticar Lula. "O povo quer alguém com dignidade e integridade moral para poder dizer aos jovens que eles não serão mais subordinados ao narcotráfico e que não vão viver sob um governo de corrupção", discursou. Se chegarmos lá (ao Planalto), vamos devolver o Brasil aos brasileiros de bem", acrescentou o ex-governador de Goiás, que esteve ao lado do presidente do PSD, o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.

Messias esteve na Marcha pela quarta vez representando o governo. Ele postou um vídeo nas redes sociais em que aparece em cima do trio com o apóstolo Estevam Hernandes, organizador do evento. O AGU liga, então, para Lula e o coloca para falar com o líder religioso. Na conversa, o presidente, pré-candidato à reeleição, deu uma estocada nos adversários, ao justificar sua ausência no ato.

"Eu não participo de nada religioso em época de eleição, porque eu não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada", argumentou Lula, na ligação com Hernandes.

O chefe do Executivo lembrou ter sancionado a lei que criou o Dia Nacional da Marcha para Jesus (em 2009). Também agradeceu pelo carinho do apóstolo com "o companheiro Messias". Hernandes respondeu: "Messias é um grande irmão, e a gente fica muito feliz aqui com a presença dele, viu, presidente".

No ato, Messias ressaltou que a Marcha não era lugar para "comício" e falou em renovar a fé a esperança. "Jesus não fez segmentação na sua mesa, e nós estamos aqui com um único propósito: louvar e adorar o nome do nosso senhor Jesus Cristo. Sem segregação, com amor, com coração leve, com muito espírito de louvor e adoração", frisou o AGU. 

Ao comentar, com jornalistas, a eventual nova indicação ao STF, prometida por Lula, Messias disse ter aprendido a "colocar a vida nas mãos de Deus". "Eu vou esperar a resposta de Deus, vou esperar a posição do presidente", destacou. O nome dele foi rejeitado no Senado por 42 x 34, no fim de abril.

Reaproximação

O evento marcou a aparente reaproximação de Flávio Bolsonaro com Tarcísio de Freitas, pré-candidato à reeleição ao Governo de São Paulo. A relação entre os dois estava estremecida desde as revelações de que Flávio negociou R$ 134 milhões com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, supostamente para custear o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente. Na ocasião, o governador de São Paulo disse que o senador tinha de se explicar sobre o pedido de dinheiro ao banqueiro.

Na semana passada, Tarcísio saiu em defesa da Polícia Civil de São Paulo, criticada por Flávio após a operação deflagrada contra o Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG presidida por Karina da Gama, produtora de Dark Horse. As suspeitas são de fraude em um contrato firmado com a Prefeitura de São Paulo para a instalação e manutenção de rede wi-fi na capital paulista.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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