21 de maio de 2026

O peso dos prefeitos e prefeitas para Ciro e Elmano

Ciro conta com o apoio de apenas 5 prefeito, Elmano tem os demais (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

O apoio dos prefeitos é métrica importante para qualquer projeto político, especialmente a quem pretenda concorrer ao Governo, a exemplo do mandatário atual, Elmano de Freitas (PT), e do desafiante Ciro Gomes (PSDB). No Ceará e no restante do Brasil, não se conhece prefeito de oposição, salvo uma ou outra raridade. No estado, mesmo Gledson Bezerra (Podemos) ensaiou aproximação com o Abolição, mas depois recuou. 

O usual é o adesismo, que assegura aos gestores recursos para alimentar sua rede. O resto é conversa. Natural então que o grosso dos prefeitos esteja na base. Com o mesmo grupo detendo prefeitura da capital, Executivo estadual e governo federal, estranho é que fosse diferente. Mas prefeito tem natureza volátil, não custa lembrar. É fiel só até a página dois, após a qual começa a repensar seus planos. Se um nome o favorece mais que outro, não tem pudor em retraçar sua rota. Digo isso porque o pleito está no começo. 

Em 2006, um bem avaliado Lúcio Alcântara se amparava na base superlativa como trunfo para se reeleger. Perdeu para Cid Gomes, cujo entorno integrou a gestão do tucano até a véspera. Isso prova alguma coisa? Apenas que os políticos costumam estar atentos à menor alteração dos ventos.

A lição de 2020

Exemplo disso foi a disputa de seis anos atrás, da qual a oposição saiu fortalecida, mesmo com revés em Fortaleza (Capitão Wagner foi superado por muito pouco por José Sarto). A despeito da derrota, esse bloco festejou o sucesso em Caucaia, Juazeiro, Iguatu e Maracanaú, além do Eusébio, onde Acilon Gonçalves, então no PL, mantinha-se com um pé em cada canoa, nesse difícil exercício do "governismo de oposição" que é a marca de muitas lideranças. Antes de deixar o Executivo para postular o Senado em 2022, porém, Camilo Santana já havia atraído Vitor Valim e Roberto Pessoa, num giro que se consolidaria com a vitória de Elmano. Esse arrodeio é para dizer o seguinte: todo prefeito é um pragmático por excelência, isto é, sua lealdade é como o amor para Machado, dura somente "quinze meses e onze contos de réis".

Família é família

A base de Elmano tem um desafio pela frente: desconstruir Ciro sem melindrar a ala governista dos Ferreira Gomes (leia-se, Lia e Cid Gomes, já que Ivo anunciou aos quatro ventos que não tem compromisso com a reeleição). Como "cada família infeliz é infeliz à sua maneira", o clã sobralense atravessa uma espécie de inferno político como nunca se viu. Compondo uma unidade mais ou menos coesa até 2022, de lá para cá os irmãos seguem às voltas com uma dificuldade: como evitar que o grupo, antes dominante, se frature a ponto de perder toda relevância? É questão com a qual seus membros vêm lidando isoladamente. Lia tenta se equilibrar. Ivo e Lúcio se bandearam para o lado de Ciro, enquanto Cid tenta operar como um contraponto ao mais velho dos FG. Entre eles, no entanto, preserva-se um vínculo difícil de se dissolver.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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