2 de junho de 2026

Chuva no Ceará ficaram dentro da normalidade em 2026

Já o próximo anos pode ser afetado pelo El Niño, que apresenta 37% de probabilidade de ocorrer com intensidade "muito forte" (Foto: Reprodução/FUCEME)

A quadra chuvosa no Ceará em 2026 foi dentro da normalidade, com desvio positivo de 9,2%, conforme balanço apresentado pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) na manhã dessa segunda-feira, 1º, um dia após o fim do período de chuva. Já o próximo inverno no Estado, em 2027, pode ser afetado pelo El Niño, que apresenta 37% de probabilidade de ocorrer com intensidade "muito forte".

De acordo com a instituição, entre fevereiro e maio deste ano foi observado acumulado de 665,4mm no Estado, com média climatológica de 609,2.  O cenário é bem diferente do que foi visto ao fim da quadra chuvosa do ano passado, apesar de ambas terem ficado dentro da média.

Em 2025 choveu 518.7 mm durante o quadrimestre fevereiro-maio no Ceará, valor quase no limite do que a Funceme considera abaixo da média, que é o acúmulo de até 512 mm na soma dos quatro meses.

Com 28% a mais de chuvas esse ano, o Estado encerrou a quadra chuvosa de 2026 com uma "folga" bem maior, e a apenas 41 milímetros do índice considerado "acima da média".

O mês que mais choveu esse ano foi abril, com 208 mm. Por outro lado, fevereiro teve o maior desvio, ou seja, diferença entre quanto costuma chover e quanto realmente choveu durante o período.

Fevereiro:

Normal de chuvas para o mês: 121,3 mm

Observado total: 170,3 mm

Desvio de 40.4%

Março:

Normal de chuvas para o mês: 206,5 mm

Observado total: 174,4 mm

Desvio: - 15,6%

Abril:

Normal de chuvas para o mês: 190,7 mm

Observado total: 208,8 mm

Desvio: 9.5%

Maio

Normal de chuvas para o mês: 90,7 mm

Observado: 111,5 mm

Desvio: 22.9%

Como foi cada mês da quadra chuvosa?

Segundo especialistas, os volumes deste ano foram causados principalmente pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (Zcit) e por condições favoráveis nos oceanos. Em fevereiro, por exemplo, que  somavam-se um alto aporte de umidade vindo do Atlântico Sul e um Pacífico ainda em condições de La Niña. No período o volume observado foi de 170,3 mm.

No mês seguinte houve um aquecimento nas águas do oceano Pacífico e início da transição para El Niño. O cenário levou a uma série de dias sem chuvas no Ceará, fazendo março encerrar com chuvas 15% abaixo de sua média histórica. Naquele mês foi observado total 208,8 mm.

“O mês de março ele é, vamos dizer assim, o pico da estação chuvosa do Ceará, com uma média climatológica de 206 mm. Porém nós tivemos até um início aqui, talvez seis, sete dias [de chuva]. Depois nós tivemos uma variabilidade semanal devido ao aquecimento aqui no Pacífico Equatorial”, explica o diretor técnico da Funceme, Francisco Vasconcelos Júnior.

Para abril, quando foi registrado acumulado de  208,8 mm no Estado, foi observado novamente um grande aporte de umidade vindo da porção sul do oceano Atlântico, que resultou no mês mais chuvoso de 2026 no Ceará.

Ao todo, 21% do território cearense teve precipitações acima da média durante o mês. Exatamente 66% do Estado ficou dentro da normalidade e apenas 12% acumulou menos que o normal para o período.

Maio, por fim, chega com grande volumes no início do mês, em especial durante a primeira semana, acumulando 111,5 mm. Com o afastamento da Zcit e o aquecimento das águas do Pacífico, houve uma sequência de dias sem chuvas significativas, levando a um encerramento precoce da quadra chuvosa.

Os valores registrados no último fim de semana, por exemplo, já são considerados pós-estação, por não terem sido causados por influência da Zcit ou por outros vetores comuns à quadra cearense.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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