16 de junho de 2026

Na França, Lula cobra acordo sobre prevenção e enfrentamento de futuras pandemias

Lula é recebido pelo presidente da França, Emmanuel Macron (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, fizeram um apelo conjunto aos líderes das principais economias do planeta para que acelerem a conclusão do acordo internacional voltado à prevenção e ao enfrentamento de futuras pandemias. A manifestação foi divulgada nesta segunda-feira (15/6), em Évian-les-Bains, cidade francesa que sedia a cúpula do G7, grupo dos países mais desenvolvidos do mundo.

No documento, direcionado aos países do G7, G20, Brics e demais nações envolvidas nas negociações conduzidas pela OMS, Lula e Tedros afirmam que é preciso avançar no processo iniciado após a pandemia da covid-19. “O mundo precisa concluir o que começou”, escreveram. Segundo os líderes, o compromisso assumido pela comunidade internacional após a maior crise sanitária do último século ainda não foi plenamente cumprido porque permanece pendente a definição do mecanismo de Acesso a Patógenos e Repartição de Benefícios (PABS), considerado a última etapa necessária para que o acordo entre em vigor.

A carta resgata os impactos humanos da pandemia para defender a necessidade de uma resposta global coordenada: “Estimativas da OMS e de outras instituições apontam que até 20 milhões de vidas foram perdidas”. Lula e Tedros lembram que, diante daquela tragédia, governos de todo o mundo prometeram que a humanidade jamais voltaria a enfrentar uma emergência semelhante sem estar preparada. De acordo com a dupla, “a próxima pandemia não vai nos aguardar”.

O principal impasse das negociações está relacionado às regras para compartilhamento de amostras biológicas e informações genéticas de vírus e outros agentes com potencial pandêmico. A proposta prevê que os países que disponibilizarem rapidamente esses dados tenham garantias de acesso mais justo às vacinas, medicamentos, testes e demais tecnologias desenvolvidas a partir dessas informações. 

“Trata-se da peça final não apenas do Acordo sobre Pandemias, mas de tudo o que a OMS e seus Estados-membros construíram a partir das lições deixadas pela covid-19”, afirma a carta.

Lula e Tedros reconhecem que as negociações envolvem temas complexos, especialmente sobre a distribuição dos benefícios gerados pelo compartilhamento de patógenos. Ainda assim, defendem maior envolvimento político dos chefes de Estado para superar os entraves. “As questões pendentes não serão resolvidas apenas por esforços técnicos”, alertam.

A carta destaca, ainda, ser necessário que os governos deem respaldo aos negociadores para que busquem consensos capazes de concluir o acordo já na próxima rodada de conversas. Os signatários defendem que a equidade seja um dos pilares centrais do sistema. Segundo eles, a experiência da covid-19 demonstrou que a desigualdade no acesso a vacinas e tratamentos ampliou os impactos da crise sanitária. 

“Aqueles que compartilham rapidamente patógenos perigosos devem poder confiar que as vacinas e tratamentos desenvolvidos a partir desse compartilhamento também chegarão às suas populações.”

O texto lembra, também, que o Brasil levou ao G20, em 2024, a discussão sobre a desigualdade como um fator que contribui para agravar pandemias. E faz um alerta sobre os riscos futuros e pedem urgência na conclusão das negociações previstas para julho. 

“Pedimos que tratem o dia 17 de julho como um prazo final, e não apenas como uma etapa do processo, e que o afirmem publicamente, enviando aos negociadores e ao mundo um sinal inequívoco de que esta será a rodada em que o trabalho será concluído.”

Brasil e OMS recordam, na carta, estimativas científicas que apontam a possibilidade de uma nova pandemia surgir na próxima década e destacam que fatores como mudanças climáticas, alterações no uso da terra e avanços da biotecnologia ampliam os riscos globais. 

“Cada mês em que esse anexo permanece inconcluso é um mês em que o mundo está menos preparado do que poderia estar.”

Lula é recebido pelo presidente da França, Emmanuel Macron

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi recebido nesta segunda-feira (15/6) pelo presidente da França, Emmanuel Macron, na cidade francesa de Évian-les-Bains. Nesta terça-feira (16), Lula participa do encontro do G7, grupo que reúne os países mais ricos e industrializados do mundo. A expectativa é de que o chefe do Executivo também encontre o presidente americano, Donald Trump.

Pela redes sociais, o presidente postou um vídeo onde mostra o encontro com líder europeu, um grande apoiador do presidente brasileiro, que acabou o convidando para o evento, mesmo o Brasil não fazendo parte do grupo — que reúne Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido.

"O Brasil retorna a este importante espaço de diálogo levando a voz do Sul Global e reafirmando seu compromisso com a paz, a defesa do multilateralismo, o desenvolvimento sustentável mais justo", declarou o petista.

Entre as pautas do G7, devem ser discutidas as guerras no Oriente Médio, a economia mundial e os materiais críticos. O presidente participará das sessões para os convidados, assim como líderes do Quênia, Índia e Coreia do Sul, que também estão na França.

Apesar de não existir nenhuma reunião agendada com Trump, a expectativa é que, caso haja o encontro entre os dois, Lula possa conversar sobre as novas taxas impostas aos produtos nacionais, que chegam a 25% e já estão em vigor desde o último dia 1º de junho. Donald Trump já está na cidade que sediará o encontro.

Lula ainda tem outra missão na Europa, que é tentar reverter as proibições impostas pela União Europeia a produtos 

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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