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| Raimundinho, Renato e Roger são possíveis novidades em 2026 para a bancada federal (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais) |
A pouco mais de três meses das eleições, a disputa pelas vagas do Ceará na Câmara dos Deputados tem cenário que pode ser o mais competitivo dos últimos anos. Novos nomes competitivos são colocados pelos partidos e são cotados com boas chances de eleição. Porém, quem já está no mandato tem a vantagem das emendas parlamentares. Em um universo de apenas 22 cadeiras, a matemática eleitoral indica que alguns favoritos poderão ficar sem espaço na próxima bancada federal.
Em 2022, dos 22 deputados da bancada cearense, 19 tentaram a reeleição, o que equivale a 82% das cadeiras do Estado. Entre os quatro parlamentares que não disputaram novo mandato, dois tiveram os mandatos cassados (Genecias Noronha e Pedro Bezerra). Roberto Pessoa foi eleito prefeito de Maracanaú e Capitão Wagner concorreu ao Governo do Ceará. No lugar de Pessoa, foi efetivado o suplente Danilo Forte, que assumiu e se reelegeu.
Dos 18 que tentaram, 14 foram reeleitos, índice de 77% de sucesso. Além dos 14 reconduzidos, houve dois ex-deputados que retornaram — Eunício Oliveira (MDB), além de Danilo, que havia sido efetivado. E outros seis eram novos nomes: André Fernandes, Matheus Noronha, Fernanda Pessoa, Luiz Gastão, Yuri do Paredão e Dayany do Capitão.
Em 2026, pelo menos 16 dos 22 deputados federais devem concorrer à recondução, o equivalente a 73% da bancada. Mas é possível que sejam 21 dos 22 em busca de seguir na Câmara, índice de 95%.
Até agora, o único integrante da bancada que certamente não estará na disputa é o ministro José Guimarães (PT). Após não conseguir viabilizar sua candidatura ao Senado, o ex-líder do governo Lula na Câmara assumiu o comando da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República e permanecerá no ministério durante as eleições.
Júnior Mano (PSB), Mauro Filho (União Brasil), Luizianne Lins (Rede), Eunício Oliveira (MDB) e a recém-empossada Priscila Costa trabalham para viabilizar candidaturas ao Senado. Quem não conseguir espaço na disputa majoritária poderá buscar a reeleição para a Câmara.
Já Dayany Bittencourt (União Brasil), que perdeu o mandato para Priscila, tem o futuro eleitoral diretamente ligado aos planos do marido, Capitão Wagner (União Brasil).
Deputado federal mais votado do Ceará em 2018, Wagner é pré-candidato ao Senado. Caso dispute um cargo majoritário em outubro, Dayany poderá tentar retornar à Câmara dos Deputados. Se o ex-deputado optar por permanecer na disputa proporcional, a tendência é que ele seja o candidato do grupo à Câmara dos Deputados.
A força de quem já está em Brasília
Apesar da concorrência elevada, os deputados que já ocupam mandato largam em posição privilegiada. Nos últimos anos, o crescimento do volume de recursos distribuídos por meio das emendas parlamentares ampliou a capacidade dos congressistas de manter bases eleitorais e fortalecer alianças com prefeitos e lideranças municipais, fator que tende a favorecer a recondução ao cargo.
A renovação das cadeiras da Câmara dos Deputados é uma das principais preocupações dos partidos para 2026, ao lado da disputa pelas duas vagas ao Senado. É a partir do tamanho de suas bancadas no Legislativo que as legendas ampliam influência política e aumentam a participação no fundo partidário.
Comparando as bancadas cearenses eleitas em 2018 e 2022, houve renovação de oito das 22 cadeiras, o equivalente a 36,4% da representação do Estado. Em uma dessas vagas, porém, a renovação ocorreu durante o mandato, no caso da renúncia de Roberto Pessoa para assumir a Prefeitura de Maracanaú, com a efetivação de Danilo Forte. Se ele não for contabilizado, a renovação fica em 32%.
A disputa não ocorre apenas entre candidatos de partidos diferentes. A concorrência será travada primeiro dentro das próprias legendas e federações, que reúnem mais postulantes competitivos do que vagas potencialmente disponíveis.
Atualmente, cada deputado federal dispõe de cerca de R$ 37,2 milhões a R$ 40 milhões por ano em emendas individuais, valor significativamente superior ao disponível em eleições anteriores. Além disso, parlamentares também influenciam a destinação de recursos por meio das emendas de bancada estadual e das emendas de comissão, ampliando sua presença política nos municípios.
Novidades que chegam com força
As candidaturas em busca de reeleição na Câmara dos Deputados serão desafiadas por uma série de candidatos que buscam espaço na bancada federal.
O PL, que elegeu cinco deputados em 2022 — André Fernandes, Júnior Mano, Matheus Noronha, Yuri do Paredão e Dr. Jaziel — chega ao pleito com uma composição diferente da registrada há quatro anos.
Júnior Mano está hoje filiado ao PSB e tenta viabilizar candidatura ao Senado. Caso dispute a vaga majoritária, a aposta do grupo é na ex-prefeita de Nova Russas, Giordanna Mano (PRD), que deixou o comando do município para concorrer pela primeira vez a um cargo proporcional.
Yuri do Paredão migrou para o MDB e deve tentar a reeleição. Em contrapartida, o PL ganhou uma cadeira neste ano, ocupada por Priscila Costa, após o União Brasil perder uma vaga em decorrência da cassação dos votos do suplente Heitor Freire.
Vereadora mais votada de Fortaleza, Priscila tem o nome citado para disputar o Senado e chega a ser mencionada por aliados como possível candidata a vice-presidente em uma chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL). Caso não dispute nenhum dos cargos, poderá tentar permanecer na Câmara dos Deputados.
Outro nome considerado competitivo pelo partido é o deputado estadual Carmelo Neto (PL). Ex-presidente estadual da legenda, ele tentará uma vaga na Câmara Federal, enquanto sua esposa, a vereadora Bella Carmelo (PL), buscará substituí-lo na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).
O PSB também aposta em uma chapa robusta para a disputa. Além de parlamentares com mandato que migraram do PDT, a sigla pretende lançar novos nomes de peso.
Idilvan Alencar e Robério Monteiro tentarão a reeleição pela legenda comandada pelo senador Cid Gomes (PSB), que trabalha com a meta de eleger uma bancada numerosa.
Um dos estreantes na disputa é o presidente da Alece, Romeu Aldigueri (PSB). Com projeção ampliada após assumir o comando do Legislativo estadual, ele aparece entre os nomes que aliados consideram competitivos para alcançar uma das vagas.
Outro nome forte é o do ex-prefeito do Eusébio Acilon Gonçalves (PSB), líder com influência política na Região Metropolitana de Fortaleza.
Acilon, porém, responde no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a um processo que pode torná-lo inelegível. A Corte analisa uma ação que pede a cassação da chapa eleita pelo PL para a Alece em 2022 por suposta fraude à cota de gênero. Como presidia o partido à época, ele pode ser atingido por eventual punição. O julgamento está suspenso após pedido de vista.
Também integra os planos do PSB o ex-prefeito de Marco, Roger Aguiar. Com apoio de Cid Gomes e do ex-deputado federal Leônidas Cristino, Roger busca consolidar uma candidatura com forte presença na região Norte do Estado.
Partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Elmano de Freitas, o PT chega à eleição com o desafio de preservar a representação federal sem os dois nomes mais votados da legenda em 2022.
José Guimarães pretendia disputar o Senado, mas abriu mão para assumir ministério no governo Lula, o que o deixa inelegível. Já Luizianne Lins deixou o PT após 37 anos de filiação e atualmente integra a Rede Sustentabilidade. Embora possa disputar a reeleição pela federação formada por Rede e Psol, a ex-prefeita de Fortaleza não estará na chapa petista.
Mesmo fora da disputa, Guimarães tem atuado para fortalecer a candidatura do líder sindical Raimundinho Martins (PT), atual vice-presidente estadual do partido. Ex-presidente da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares do Estado do Ceará (Fetraece), ele disputará uma eleição proporcional pela primeira vez.
Outro nome em que o PT deposita expectativas é o deputado estadual Fernando Santana. Apesar da derrota na disputa pela Prefeitura de Juazeiro do Norte em 2024, ele mantém forte presença política no Cariri e é apontado por aliados como um candidato competitivo à Câmara Federal.
Pela federação Brasil da Esperança, Eduardo Bismarck (PV) tentará a reeleição aliado ao PT. Também integra o grupo o ex-senador Inácio Arruda (PCdoB), que atualmente exerce mandato de deputado federal na vaga aberta por Guimarães.
Em busca de eleger pela primeira vez um deputado federal no Nordeste, o Psol Ceará aposta na candidatura de Renato Roseno. Três vezes deputado estadual, o advogado disputará uma vaga na Câmara Federal pela segunda vez. Em 2010, recebeu 113.705 votos, mas não foi eleito porque o partido não atingiu o quociente eleitoral.
Como
Psol e Rede integram atualmente a mesma federação, dirigentes das duas siglas
avaliam que há possibilidade de conquistar até duas cadeiras caso Luizianne
Lins também dispute a reeleição.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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