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| A aliança do PL com Ciro foi costurada cuidadosamente, com anuência do comando nacional, mas Michele não aceita (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais) |
Há uma evidente diferença de percepção sobre a aliança com Ciro Gomes (PSDB) entre a direita, em particular o bolsonarismo, dentro e fora do Ceará. Michelle Bolsonaro (PL) ilustra um sentimento não apenas dela. Mas, no Estado, o entendimento desse campo político é diferente.
Olhar
para o passado
Ciro, ele mesmo repete, foi dos críticos mais mordazes do bolsonarismo. Um questionamento não meramente circunstancial, mas estrutural. Batia do ponto de vista ético, político e quanto à postura. E, talvez o maior incômodo, na economia, apontava e segue apontando que Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT) adotam os mesmos fundamentos. Michelle guarda consigo particularmente os comentários sobre o marido dela. Ciro é muito eloquente, para criticar ou para elogiar.
Quem acompanha mais de perto e, principalmente, tem mais afinidade ideológica e pessoal, tende a ter a memória mais viva desses episódios.
Michelle verbaliza agora, mas, quando as conversas começaram, outros líderes nacionais descartavam a aliança. Em maio de 2025, o senador Rogério Marinho, na condição de secretário-geral do PL, afirmou ao O POVO: “O ex-governador e ex-ministro Ciro é um opositor declarado do presidente Bolsonaro. E evidente que não há afinidade nem dele conosco nem nossa com ele. Há uma reciprocidade de sentimentos em relação a uma eventualidade de um apoio”. Poucas semanas depois, ele mudou de postura.
Flávio Bolsonaro (PL), além disso, deu aval já há algum tempo à aliança para apoiar Ciro, mesmo sem reciprocidade.
O que explica isso?
Olhar
para o futuro
O
bolsonarismo cearense sabe tudo o que Ciro falou no passado e pensa no presente
sobre Bolsonaro. Porém, encontrou nele algo que a oposição não tem há muito
tempo no Ceará: chance de vitória. Mais que isso, possibilidade real de
derrotar o PT. Com vislumbre de algum proveito nacional desse movimento.
A aliança foi costurada cuidadosamente, com anuência do comando nacional.
O distanciamento em relação a Flávio Bolsonaro, assunto que deixa o pré-candidato tucano desconfortável, é compreendido estrategicamente. Será o ponto no qual o governismo mais irá bater. Tem potencial de estrago considerável.
O próprio André Fernandes, que ama o Bolsonaro, despregou-se dele na campanha. Que dirá o Ciro.
Com André quase deu certo.
Coisas
separadas
Ciro faz uma distinção sobre o que chama de "meus bolsonaristas": "São tudo homens honrados".
Essa separação ele já fez antes. Foi a primeira pessoa de que me recordo de ouvir criticar Eduardo Cunha. Mas, na época, separava do (P)MDB local, aliado do governo Cid Gomes (PSB). Quando batia no PT nacional, preservava os líderes no Ceará, a quem apoiava.
O tempo passou e o MDB local, de Eunício Oliveira, e o PT estadual, de Camilo Santana, tornaram-se os alvos preferidos dele.
Voto
ideológico
O
ponto destoante na direita cearense é o senador Eduardo Girão (Novo),
inconformado em ter Ciro como representante conservador na disputa.
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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