25 de junho de 2026

Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado

Wagner afirmou que pretende concentrar esforços em sua defesa (Foto: Jonas Pereira)

O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nessa quarta-feira seu afastamento da liderança do governo no Senado. A decisão foi tomada após encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no Palácio da Alvorada, em Brasília. 

Na semana passada, Wagner foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga as fraudes do Master. As suspeitas são de que ele recebeu benefícios indevidos de alto valor, como um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões, ingressos para shows internacionais, voos em aeronaves privadas e pagamentos de R$ 3,5 milhões a empresas ligadas ao seu núcleo familiar. Em contrapartida, trabalhava pelos interesses do dono do banco, Daniel Vorcaro, no Congresso Nacional.

Por meio de uma publicação no X (antigo Twitter), o senador declarou que, em uma "conversa entre amigos, decidimos, em comum acordo, que me afastarei da liderança do Governo no Senado Federal".

Em seguida, afirmou que pretende concentrar esforços em sua defesa e no apoio à reeleição do chefe do Executivo. "Neste momento, minha prioridade absoluta é provar minha inocência e me dedicar à reeleição do presidente Lula", escreveu.

Após a operação da PF, Wagner afirmou que não pretendia deixar a liderança do governo no Senado e que só o faria caso Lula pedisse. Também contou ter conversado por telefone com o presidente, que teria se solidarizado com ele.

No entanto, a pressão de aliados do Planalto e a necessidade de afastar o governo da crise envolvendo o Banco Master acabaram prevalecendo.

Mesmo sem se pronunciar oficialmente sobre o senador ou sobre a operação da PF, nos últimos meses Lula vinha afirmando que todos os envolvidos no caso Master deveriam ser investigados e, se comprovadas irregularidades, punidos.

O encontro dessa quarta-feira foi o primeiro entre os dois depois da ação da PF. Antes da reunião com o chefe do Executivo, Wagner vinha intensificando as articulações para permanecer na liderança do governo, principalmente junto ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se manifestou publicamente em defesa do colega. A estratégia seria que o parlamentar baiano promoveria uma aproximação entre Lula e o presidente do Congresso.

A expectativa de um encontro entre Wagner e Alcolumbre circulou ao longo do dia entre integrantes do governo e parlamentares da base. No entanto, a reunião não ocorreu.

Busca e apreensão

Na operação da semana passada, agentes apreenderam, no apartamento do parlamentar, US$ 49 mil, cerca de R$ 250 mil em espécie, além de relógios de luxo.

Na ocasião, Wagner disse à imprensa que os valores encontrados em sua casa são referentes às diárias pagas pelo Senado, fato que, segundo ele, pode ser comprovado pela própria Casa. Ele explicou que viajou diversas vezes ao exterior e que, de 2019 até o momento, recebeu aproximadamente R$ 70 mil em diárias.

Segundo ele, parte do dinheiro encontrado em seu cofre é proveniente dessas diárias, que muitas vezes não são totalmente gastas durante as viagens, enquanto outra parte foi comprada legalmente no Brasil. O parlamentar garantiu que, em Brasília, as diárias em espécie, pagas em dólar, são entregues em envelopes com o timbre do Senado Federal.

Sobre o apartamento, Wagner alegou ter pedido ajuda ao empresário Augusto Lima para adquirir o imóvel, destinado à filha, enquanto o prédio ainda estava em construção. Posteriormente, conforme ressaltou, faria a recompra do imóvel. "Eu teria que vender o apartamento da minha filha para poder complementar e pagar o apartamento, ou ela financiar. Então, não tem nenhuma transferência de patrimônio para mim", sustentou. Lima, ex-sócio do dono do Master, Daniel Vorcaro, também foi alvo da PF na semana passada.

Na última segunda-feira, a defesa de Wagner acionou o Supremo Tribunal Federal (STF), pedindo a anulação da operação policial. No despacho, os advogados alegam que a medida contém "erros graves" e afirmam que o parlamentar não atuou no Congresso para beneficiar Daniel Vorcaro ou o Banco Master.

Para o posto de líder do governo no Senado, um dos nomes cotados é o do senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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