4 de novembro de 2026

Ciro faz primeira aparição pública após derrota

Ciro Gomes após reunião com Capitão Wagner, Alcides Fernandes e aliados na oposição (Foto: Taynara Lima)

O candidato do PSDB na eleição para governador do Ceará neste ano, Ciro Gomes (PSDB), apareceu em público pela primeira vez desde o pleito deste ano. Em reunião no diretório estadual do PSDB, em Fortaleza, o tucano reuniu aliados na tarde desta terça-feira, 3, e defendeu a continuidade do bloco de oposição unido no Estado.

Após o encontro, o tucano e presidente estadual da sigla afirmou que a reunião foi realizada com o objetivo de agradecer aos aliados que disputaram as eleições deste ano. Ciro também destacou que o grupo avaliou a importância de seguir com a aliança construída.

“Eu convidei essa reunião para nós, basicamente, agradecermos à base dos companheiros que foram candidatos a deputado estadual, eleitos ou não, estadual e federal. E analisar a importância que foi superar as nossas diferenças ao redor de uma aliança”, disse Ciro após o encontro.

Sobre as perspectivas do bloco, sinalizou: “Afirmar que, para nós, essas lideranças aqui, vale a pena redesenhar essa aliança para o futuro, para os próximos passos da vida comunitária no Estado do Ceará, o que quer dizer concretamente fazermos, daqui para diante, uma agenda em comum que renove nossas afinidades e supere cada vez mais as nossas diferenças. Esse foi o sentido da reunião”.

Participaram do encontro os demais componentes da chapa majoritária da oposição cearense: Roberto Cláudio (União Brasil), candidato a vice-governador; Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL), candidatos a senador. Outros nomes do PSDB também participaram do encontro, como os deputados estaduais Cláudio Pinho, Antônio Henrique e Emília Pessoa, reeleita neste ano, além do ex-prefeito de Fortaleza José Sarto (PSDB).

Articulação para 2028?

Questionado se já havia articulação com vistas a 2028, Ciro indicou horizonte mais próximo e afirmou que o grupo acompanhará as eleições das mesas diretoras das câmaras municipais do Estado e da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).

“Nós olhamos mais cedo ainda. Nos comprometemos a fazer uma operação conjunta de examinar os desdobramentos da eleição da mesa das câmaras municipais do interior e da Capital, examinarmos juntos a eleição da mesa da Assembleia Legislativa”.

Em seguida, o ex-candidato a governador mencionou as cadeiras do bloco na Alece: “Para você ter uma ideia, só o PL e o PSDB têm nove deputados. Se nós juntarmos a federação União Brasil, já vão para 12. Então, se nós agirmos de forma coesa, que é o que eu fiz a ponderação, nós temos uma importância estratégica na reconstituição da nova direção da Assembleia Legislativa”.

Além da chapa majoritária de Ciro ter saído da eleição com derrotas, o PSDB deixou a disputa com saldo negativo. Das sete cadeiras garantidas após a janela partidária deste ano, o partido terá apenas três a partir do ano que vem.

Emília Pessoa foi a única a garantir novamente o mandato pelos próximos quatro anos. Os dois novos tucanos na Alece são o vereador Felipe Vasques, presidente da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte, e Davi Benevides, filho do deputado federal Mauro Filho (União Brasil).

Na janela partidária, o PSDB recebeu a filiação de Antônio Henrique, Cláudio Pinho e Queiroz Filho, egressos do PDT, e de Felipe Mota, Heitor Férrer e Sargento Reginauro, que deixaram o União Brasil. Nenhum deles saiu vitorioso.

Grupo olha para o futuro

Além do presidente do PSDB ter enfatizado a continuidade da aliança construída nesta eleição, o ex-prefeito José Sarto, ex-candidato a deputado federal, defendeu que o grupo vislumbre o “futuro próximo”. O tucano reforçou o objetivo da reunião desta terça e avaliou que “o mundo não acabou” devido ao resultado da disputa.

“O Ciro chamou para agradecer o conjunto de partidos que defenderam essa posição, que representa quase 48% do Ceará, agradecer o empenho de todos. Nós retribuímos a gentileza dele ter topado ser candidato, porque a candidatura do Ciro não tivesse ido às ruas, não teria nem eleição. Primeiro, foi agradecer. Segundo, estabelecer metas para consolidar esse legado. A gente sabe que teremos perdas e perdas, mas vamos consolidar essa construção que foi feita durante a campanha e eleição e vislumbrar o futuro próximo. O mundo não se acabou por causa disso, não. Continua”, disse.

O ex-gestor municipal também compartilhou que, apesar de ainda não ter nada fixo, a ideia do grupo é realizar reuniões periódicas e estabelecer um cronograma flexível.

“Não tem nada fixo, mas tem o norte. A gente ainda está decantando tudo que aconteceu para depois ir lembrando que hoje está aí a violência de novo batendo a porta. Hoje, o sentimento é o mesmo. A eleição aconteceu, mas há um sentimento de que o Ciro representa hoje o que há de inteligência da oposição no Ceará”, apontou.

Publicado originalmente no portal O Povo +

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