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| (Foto: Júnior Pio) |
O pré-candidato do PL ao Senado, deputado estadual Alcides Fernandes, divulgou nesta sexta-feira, 26, um vídeo rebatendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) após críticas feitas por ela à articulação envolvendo o grupo bolsonarista no Estado e a aliança com Ciro Gomes (PSDB).
Ele abriu o pronunciamento pedindo atenção para falar sobre o "vídeo infeliz" que Michelle publicou "dirigindo inúmeras alegações infundadas" sobre ele e o filho, o deputado federal e presidente do PL Ceará, André Fernandes.
De acordo com o pré-candidato, a fala da ex-primeira-dama acabou fortalecendo os adversários. “O vídeo só serviu para ser usado pelo PT para ecoar os seus discursos e interesses; e a gente sabe que se o PT está feliz, coisa boa é que não é”, declarou.
Alcides sustentou que a construção de alianças mais amplas é necessária para derrotar o grupo governista liderado pelo PT no Estado. Segundo ele, o cenário de violência e avanço das facções criminosas no Ceará justifica uma união entre campos historicamente rivais.
"Foi esse cenário desesperador que nos motivou a procurar uma mudança concreta ainda em 2024, durante o segundo turno, quando André Fernandes, a época candidato a prefeito de Fortaleza, iniciou uma conversa com Roberto Cláudio em busca de apoio do grupo de Ciro Gomes. Tudo isso com aval e apoio do presidente Bolsonaro", contextualizou.
O postulante também rebateu a tese de que a aproximação com Ciro representaria abandono de princípios da direita. "O presidente não é traidor da direita, muito pelo contrário, ele apenas teve a sensibilidade de entender de forma muito clara a situação do nosso Estado", argumentou Alcides.
Segundo ele, "não dá para falar em construir aliança somente no segundo turno", como teria sugerido Michelle. "Michelle, nós nunca atacamos você nem mesmo quando você fez aquilo conosco aqui em Fortaleza, mas falar em alianças no segundo turno no Ceará é mais uma triste demonstração de desconhecimento sobre a realidade do Ceará", disparou.
Em outro momento, Alcides questiona o que levaria Michelle a não apoiar sua pré-candidatura. "É por que eu não agrado a vontade particular de quem mal conhece um palmo do nosso Estado? É por que eu não atendo a interesses individuais dessas pessoas? Se pararmos para pensar, tentar impor a própria vontade, ignorando uma decisão construída em conjunto de maneira coletiva, não seria exatamente essa a verdadeira definição de um projeto pessoal de poder?", questionou.
Nesse momento, Alcides lembrou que o governador Elmano de Freitas (PT) venceu no primeiro turno das eleições de 2022. "Por termos uma oposição dividida, não existiu o segundo turno".
Nesse momento, o pai de André também citou o senador e pré-candidato a governador apoiado por Michelle, Eduardo Girão (Novo).
"Infelizmente, a direita sozinha ainda não possui a força necessária para derrotar o PT. Seria um sonho, mas a realidade é outra. O próprio senador Eduardo Girão, que agora ataca uma aliança com Ciro por supostamente defender princípios e valores, venceu em 2018 com apoio do Ciro Gomes".
Alcides justificou que, por essas razões, a "aliança começou a ser desenhada" no Estado. Falou ainda que "não começou hoje", "nem foi feita às escondidas, como o vídeo da Michelle sugere", mas que teria sido construída "à luz do dia, de forma coletiva", junto com a base.
"Basta lembrar da reunião que aconteceu no dia 29 de maio de 2025, em Fortaleza, com toda a bancada do PL do Ceará. Cada parlamentar deu a sua visão. No fim, o presidente Bolsonaro deu o aval para apoiarmos o Ciro Gomes ainda no primeiro turno. Inclusive, pediu para um de nós ligar pro Ciro no viva-voz. Porém, o Ciro estava em palestra e não conseguiu atender. Nessa mesma reunião, o próprio presidente Bolsonaro escolheu o meu nome, Alcides Fernandes, para disputar o Senado. O presidente perguntou inclusive se alguém era contra essa decisão e ninguém contestou", detalhou.
Em seguida, Alcides alfinetou Michelle: "Dizer que isso foi feito pelas costas do presidente Jair Bolsonaro no momento em que ele não pode opinar, é faltar com a verdade que é pública. Não que eu acredite que a Michelle esteja mentindo propositalmente, pode ser que ela realmente não tenha ficado sabendo disso porque o presidente, por algum motivo, não tenha repassado o que ocorreu".
Problemas
do passado
O pai de André disse ter "total consciência de todos os problemas que aconteceram no passado entre Ciro e Bolsonaro", mas comparou a aliança do ex-presidente com o senador Sérgio Moro (PL-PR).
"Isso não é traição aos valores. É ter a grandeza de entender que, no momento, de guerra a nossa prioridade é derrotar o mal maior". Na sequência, Alcides disse que "todo esse barulho contra" ele seria para "impedir" a sua candidatura em benefício da vereadora Priscila Costa, que é apoiada por Michelle ao Senado.
"Para isso, vale até usar um discurso raso, dizendo que uma mulher está tendo que ceder um espaço para um homem", afirmou, acrescentando que "essa construção partidária começou muito antes de outras candidaturas serem sequer cogitadas".
Nessa ocasião, Alcides reforçou que o próprio Bolsonaro lançou seu nome como pré-candidato e que, depois, em setembro, o presidente nacional, Valdemar Costa Neto, fez o mesmo.
"Ou seja, ninguém está eliminando ou tomando espaço de ninguém. O que existe é o projeto que nasceu primeiro do desejo local com aval público do nosso líder maior. E existe uma outra movimentação que chegou muito tempo depois, de fora para dentro, sem consultar o Estado".
Publicado
originalmente no portal O Povo +
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