26 de março de 2026

Eduardo Leite tenta viabilizar candidatura de fora para dentro do PSD, por Luiz Carlos Azedo

A estratégia de Eduardo Leite depende de condições políticas difíceis de se materializar (Foto: Mauricio Tonetto)

O governador gaúcho  intensificou suas articulações com setores da sociedade, como o movimento Livres da Polarização, encabeçado pelo sociólogo Augusto de Franco, que articula um manifesto em seu apoio, e na mídia, com o objetivo de viabilizar sua candidatura à Presidência no PSD de fora para dentro. Corre contra o relógio, para aproveitar um momento de inflexão da disputa presidencial, em que as pesquisas revelam uma mudança qualitativa no equilíbrio entre governo e oposição.

O levantamento AtlasIntel/Bloomberg, divulgado ontem, mostra que Luiz Inácio Lula da Silva aparece tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro no segundo turno, com 46,6% contra 47,6%, respectivamente, dentro da margem de erro de um ponto percentual. Esse dado ganha maior dimensão quando combinado com outros indicadores: 53,5% desaprovam o governo Lula, contra 45,9% que o aprovam, e 49,8% avaliam sua gestão como ruim ou péssima.

Trata-se de um quadro típico de "desgaste de material" às vésperas de uma eleição. Ao mesmo tempo, há uma inversão simbólica importante: 47% dos entrevistados afirmam confiar mais em Flávio Bolsonaro para administrar áreas-chave do governo, enquanto Lula registra 45%. Ou seja, começa a perder não apenas intenção de voto, mas atributos de confiança que sempre foram seu principal ativo eleitoral.

Esse ambiente de maior vulnerabilidade do governo e de ascensão da oposição cria uma janela política que Eduardo Leite tenta explorar. Sua aposta é ocupar o espaço de centro diante de uma polarização que mostra sinais de desgaste junto a setores da classe média e do empresariado. Em declarações recentes, o governador afirmou que "o PSD precisa ser, nesta eleição, o centro que está faltando", "posicionado" com firmeza em temas como segurança pública e ajuste fiscal combinados à defesa de políticas sociais. Leite também avisou que só deixará o governo do Rio Grande do Sul para disputar a Presidência como cabeça de chapa, descartando qualquer composição para ser vice ou candidato ao Senado (a conferir).

Essa estratégia tem dois alvos simultâneos. O primeiro é o eleitorado, que Leite tenta convencer de que existe uma alternativa viável à polarização. O segundo é o próprio PSD, partido comandado por Gilberto Kassab, que ainda não definiu seu candidato. Ao dizer que Ronaldo Caiado busca um espaço ocupado, pois "já tem representante na direita", o governador gaúcho procura desqualificar a candidatura do adversário interno, enquadrando-a como redundante diante da força do bolsonarismo.

A mensagem é direta: lançar Caiado seria disputar um eleitor já capturado por Flávio Bolsonaro, enquanto apostar em uma candidatura de centro poderia abrir um novo campo de votos. A disputa interna no PSD se dá num contexto de enfraquecimento da legenda. A desistência de Ratinho Júnior do processo interno evidenciou a dificuldade de consolidação de uma candidatura competitiva fora dos polos.

Centro imaginário

Tanto Caiado quanto Leite aparecem hoje com apenas 3% a 4% das intenções de voto, muito distantes dos líderes da corrida. Esse dado revela que, embora haja desgaste de Lula, isso não se traduz automaticamente no fortalecimento do centro, mas, sim, na reorganização da oposição em torno de um nome mais competitivo. É justamente contra esse movimento que Leite tenta se posicionar.

Sua estratégia de viabilização "de fora para dentro" consiste em usar a opinião pública como instrumento de pressão sobre o partido e criar uma percepção de viabilidade eleitoral que force o PSD a adotá-lo como candidato. Simultaneamente, Leite busca o apoio de sua antiga legenda, o PSDB, mais em direção aos segmentos sociais e personalidades que a legenda já representou, como os ligados ao ex-governador capixaba Paulo Hartung, hoje no PSD, do que em relação às lideranças tradicionais que permaneceram na legenda, como os ex-governadores Aécio Neves (MG) e Marconi Perillo (GO).

Isso é uma inversão da lógica tradicional, na qual o partido define o nome e depois o apresenta ao eleitorado. O governador gaúcho aposta no caminho inverso: primeiro conquistar espaço no debate público, depois consolidar apoio interno. Mas o tempo é curto. Leite também adota um discurso crítico em relação aos dois polos. Afirma que pretende apontar inconsistências nos legados de Lula e Bolsonaro, defende que autoridades — presidentes ou ministros do Supremo — que tenham cometido irregularidades sejam investigadas e punidas. Ou seja, tenta construir uma imagem de equilíbrio e firmeza institucional, atributos que julga capazes de atrair eleitores moderados, e agarrar com as duas mãos a bandeira da ética na política.

Sua estratégia depende de condições políticas difíceis de se materializar. Os mesmos dados que mostram o enfraquecimento de Lula também indicam a consolidação da polarização. A ascensão de Flávio Bolsonaro sugere que o eleitorado de direita não está migrando para alternativas moderadas, mas se concentra em torno de um candidato competitivo claramente de direita. Do lado da esquerda, apesar do desgaste, Lula mantém seu histórico e significativo núcleo de apoio, especialmente em regiões como o Nordeste, o que dificulta a emergência de uma terceira força. A aposta de Leite de alto risco: ocupar um espaço político que existe mais como potencial do que como realidade concreta, imaginário por causa da rejeição de Lula e de Flávio Bolsonaro.

Publicado originalmente no portal Correio Braziliense

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25 de março de 2026

Data Magna: um passeio pela história do abolicionismo do Ceará

O Museu Senzala Negro Liberto em Redenção é um dos locais importantes para o movimento abolicionista no Ceará (Foto: Aurelio Alves)

A Data Magna, marcada no calendário estadual pelo feriado do dia 25 de março, foi o ápice de um movimento pelo fim da escravidão que envolveu comerciantes, jangadeiros, políticos e escravizados do Ceará. Um passeio por diferentes pontos de Fortaleza ajuda a relembrar a história dos principais agentes do pioneirismo cearense na luta pela abolição.

Como está a briga pelo Senado no Ceará, por Érico Firmo

Capitão Wagner, Eunicio Oliveira e Junior Mano largam na frente na disputa por duas vagas (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Dos muitos pré-candidatos governistas, Eunício Oliveira (MDB) aparece em vantagem entre os que desejam concorrer. Ele e José Guimarães (PT) estão postos há mais tempo. O emedebista já ocupou a cadeira e deseja voltar. O petista tenta se lançar desde 2014. Eunício está melhor que Guimarães e também que Júnior Mano (PSB), ao menos agora.

24 de março de 2026

Altaneira é Ouro no Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização

A professora Micirlandia e a prefeita Kesia na solenidade de entrega do Selo Ouro em Brasília (Foto: Reprodução/Instagram)

A prefeita de Altaneira Késia Alcântara compartilhou nas suas redes sociais na noite de ontem (23/03) que recebeu em Brasília o Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização na categoria Ouro. A prefeita estava acompanhada na solenidade da gerente do PAIC local a professora Micirlandia Soares.

Ceará conquista ouro no Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, pelo segundo ano consecutivo

Lula, Elmano e Camilo na solenidade em Brasília (Foto: Ricardo Stuckert)

Colecionando conquistas na área da educação, o Ceará alcançou, pelo segundo ano consecutivo, a categoria ouro no Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização. A iniciativa reconhece e valoriza boas práticas em alfabetização desenvolvidas por estados e municípios. A cerimônia de premiação ocorreu nesta segunda-feira (23), em Brasília, e contou com a presença do governador Elmano de Freitas, do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Educação, Camilo Santana, além de outras autoridades.

Brasil supera meta de alfabetização na idade certa

Dos condecorados com o Selo de Alfabetização, 11estados e2.274municípios conquistaram a categoria Ouro (Foto: Ângelo Miguel)

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro da Educação, Camilo Santana, governadores e representantes de centenas de municípios participaram na tarde de ontem (23/03) em Brasília (DF) da premiaçãoda 2ªediçãodoSelo Nacional Compromisso com a Alfabetização. O reconhecimento foi entregue a4.710municípiose a18estados, contemplados nas categorias ouro, prata e bronze. Instituído porDecreto Presidencial, o selo foi lançado em2024e integra oCompromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA).

23 de março de 2026

A janela partidária movimenta o cenário político no Ceará

Nos primeiros movimentos, Danilo Forte deixou o União, Idilvan Alencar se filiou ao PSB e Fernando Hugo migrou para o Republicanos (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Entrando na penúltima semana da janela partidária, período, neste ano, em que deputados podem trocar de legenda sem risco de perda de mandato, o cenário político no Ceará já começa a se reorganizar de olho nas eleições de 2026.

22 de março de 2026

Os 100 anos do encontro entre Padre Cícero e Lampião

O Governo Federal pediu a ajuda do padre Cícero para solicitar as forças de Lampião para combater a Coluna Prestes (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Há 100 anos, a maior marcha militar do mundo percorria o Brasil e passava pelo Estado do Ceará. Formada por cerca de 1.500 homens, entre os anos de 1924 e 1926, a Coluna Prestes, percorreu 25 mil quilômetros pelo País com o objetivo de derrubar o governo do então presidente Artur Bernardes. Aquela época também ficou marcada por outro acontecimento: o encontro entre Lampião e Padre Cícero.

21 de março de 2026

Alguém perderá muito na briga pelo União Brasil, por Érico Firmo

O prefeito Roberto Pessoa e o ex-deputado Capitão Wagner representam alas distintas do União Brasil (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

Comparei a situação do União Brasil em 2026 com a do PDT em 2022, principalmente pela forma como se arrasta. A crise do PDT começou quatro anos atrás e até hoje não acabou. Decida o que decidir sobre o Ceará, o partido terá sequelas graves no futuro. Haverá uma ala de insatisfeitos, dissidentes ou ambos. A não ser que haja uma saída em massa de algum dos lados na próxima semana, a legenda irá para a eleição com divisões profundas.

20 de março de 2026

As pré-candidaturas nos estados do Nordeste

Elmano de Freitas no Ceará, Raquel Lyra no Pernanbuco e Rafael Fonteles no Piaui tem boas chances de reeleição (Foto: Reprodução/BA/Redes Sociais)

A jornalista Mariana Lopes publicou na edição de hoje (20/03) do Jornal O Povo um panorama das disputas pelos estados do Nordeste. Ela relaciona as pré-candidaturas já anunciadas, bem como os arranjos para composição das chapas majoritárias (governador, vice e as duas vagas para o Senado Federal).