8 de dezembro de 2010

COCOCI: uma Cidade Fantasma no Interior do Ceará

Avenida Central de Cococi - foto Raimundo Soares

Antigas casas marcam o início da colonização do Estado pelos Inhamuns, ainda no século XVIII, com a chegada da Família Feitosa na região.

Algumas casas ainda resistem ao tempo. Outras, no entanto, estão completamente em ruínas. Após ser extinta como cidade, há 39 anos, Cococi continua a despertar interesses de historiadores, paleontólogos e pessoas curiosas nos relatos da “cidada-fantasma”. Aos poucos, o mato invade os casarões antigos. Paredes não se sustentam mais à ação do tempo. No local, o catavento ainda continua erguido, mas não puxa água da mesma forma que antigamente. A praça da cidade mantém as cores vermelha e azul e a mesma estrutura, mas apenas os animais ocupam o espaço. A única igreja do local, iniciada em 1740 e concluída oito anos depois, ainda sedia a Festa da Padroeira do antigo município, Nossa Senhora da Conceição, em dezembro.

É desta forma que as pessoas encontram Cococi, na região dos Inhamuns, distante 63 quilômetros de Parambu. Extinta em 1968, Cococi começou como vila, passou a ser distrito de Parambu e depois foi emancipada após a instalação da Família Feitosa naquela região. Atualmente, não passa de uma “cidade-fantasma”, onde apenas duas famílias habitam o local, totalizando sete pessoas. Durante o século XVIII, esta foi a cidade onde se estabeleceu uma rica família, proveniente da bacia do Rio São Francisco. Por mais que Cococi seja um resquício da ocupação dos Inhamuns no Estado, muitos casarões encontram-se abandonados, precisando de reforma, restauração.

Visitas

Conforme os poucos moradores da antiga cidade, pessoas interessadas em conhecer ou gravar documentários sobre a região dos Inhamuns passam quase todos os dias por lá. Segundo a vice-presidente da Fundação Bernardo Feitosa, Fátima Feitosa, os únicos registros históricos apontam a fundação de Cococi em 1708, após a chegada do coronel Francisco Alves Feitosa naquela área de terra.

“A partir deste núcleo, outras famílias foram se instalando. Então começou a ser popularizado ainda no século XVIII”, conta Fátima.

Com isso, pode-se chegar à conclusão de que o processo de colonização da região dos Inhamuns passou por Cococi. “Foi designado município em 1954, mas em 1968 foi destituído para distrito de Parambu”, completa a vice-presidente.

Fim da cidade

A cidade de Cococi possuiu apenas dois prefeitos, o Major Feitosa e Leandro Custódio, da mesma família.

A história contada por populares narra que o Major Feitosa no seu segundo mandato (o terceiro e último do Município), ao receber verbas para investimentos no lugar, teria utilizado indevidamente o dinheiro para a compra de gado.

O fato repercutiu no Estado e a Ditadura Militar decidiu extinguir o Município, rebaixando a categoria de Distrito. Revoltados com a decisão da Capital, a família Feitosa e seus moradores abandonaram a cidade. Esse abandono permanece até hoje.

A cidade fantasma já foi matéria de várias emissoras de televisão, confiram dois vídeos:

  

Hoje é o dia da Padroeira da Cococi, Nossa Senhora da Conceição, a pequena vila recebe os membros da família Feitosa, turistas e descendentes dos antigos moradores, por um dia no ano Cococi deixa de ser cidade fantasma.

Visitamos o Cococi em dezembro de 2009, confira as fotos:
Entrada do Cococi - Orleans e Palito na camionete  - foto Raimundo Soares
Raimundo Soares no Cococi - foto João Matias
Ruinas do Hotel e a Câmara do Cococi  - foto Raimundo Soares

Ruinas do Cococi  - foto Raimundo Soares
Ruinas do Cococi  - foto Raimundo Soares
Ruinas do Cococi  - foto Raimundo Soares
Palito,  Orleans e João Matias  na Praça do Cococi - foto Raimundo Soares
Orleans, Raimundo Soares e João Matias no antigo 
Bar do Cococi - foto Palito MegaSom
Antiga residência do Major Feitosa primeiro e último 
Prefeito do Cococi - foto Raimundo Soares
Capela de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira do Cococi,
restaurada pela família Feitosa 
- foto Raimundo Soares

10 comentários:

  1. Sempre tive curiosidade em conhecer Cococi e em 2007 aí estive. Fiauei impressionada, maravilhada e, ao mesmo tempo emocionada. Minha bisavó quando emigrou do Rio grande do Norte para o Ceará, ficou algum tempo no Cococi em casa da Família Feitosa, que seria parente. Não sei precisar o grau de parentesc. Aí portanto, por volta de 1843 estiveram, ainda criança, meu avô paterno, José Joaquim de Castro Paiva, sua mãe, viuva e mais 3 irmãos.
    Salvei algumas dessas fotos, e gostaria de usar algumas (melhores que as que eu tirei, em 2007) em meu blog Da Cadeirinha de Arruar, cujo link é:
    http://dacadeirinhadearruar.blogspot.com/
    Meu email: lubpaiva@gmail.com

    Muito bom esse blog, atual e interessante nas variedades das matérias postadas.
    Atenciosamente,
    Lúcia

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    1. Lúcia, eu sempre consulto matérias referentes a Cococi. Lamento muito esse localidade encontrar-se nesse estado de abandono. Somente a Capela de Nossa Senhora da Conceição tem recebido cuidados. Um abraço.

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  2. É LAMENTÁVEL VER COCOCI DESTE JEITO, FUI MUITO PASSEAR AÍ E FICAVA HOSPEDADA NA CASA DO MAJOR FEITOSA,CONVEVI MUITO C/ TODOS ELES, POIS TINHA CASA NO CRATO, E ERAM MEUS VIZINHOS LÁ.ATÉ HJ SOU AMIGA DA MARILETE E Mª DO CARMO QUE SAO FILHAS DA D.FRANCELINA.
    HJ SÓ NOS RESTA RECORDAÇAO E MUITA SAUDADES DO MAJOR FEITOSA.
    ALDENIRA C. TEIXEIRA

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  3. fiz um passeio aí, em 2010! nasci em canafista município de parambu, meu pai foi embora nos Levando para o município de aiuaba, eu tinha 3 anos de idade.quando fiquei de maior vim embora para minas gerais, então só voltei a esta região de cococi após 38 anos, foi muita emoção.visitei as ruínas, o cemitério, tirei fotos fiz videos. mas confesso que tive uma sensação muito estranha! não sei descrever, algo como nostalgia,olhava e via os horizontes entristecidos,aquilo me apertava o coração!só me senti Livre e Leve, quando cheguei na confiança"estrada de taua a campos sales"acho que de tanto olhar aquelas antiguidades,fiquei um pouco nostálgico; mas valeu

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  4. cococi terra em que nasci se deus quiser estarei la dia 7/12/12 para a festa de nossa senhora

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  5. ao ver essa foto de novo da soudade do lugar. soudade de cococi e parambu.

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  6. Francisco alves ferreirasábado, março 09, 2013 8:03:00 AM

    Cococi e terra que eu morei adoro a quela localidades mais fe em nassa senhora da camceçao as cousa vai melhora por La

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  7. Olá caro amigo de Altaneira: Sou de Fortaleza e gosto de escrever contos e crônicas utilizando sempre como pano de fundo as coisas do sertão. Escrevi um conto sobre Cococi e peguei uma foto de seu blog, colocando o devido crédito. Veja a postagem aqui: http://calamus-scribae.blogspot.com.br/. Abraço.

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  8. O Cococi nāo é uma cidade fantasma, a Grécia, tem suas ruinas nāo há quem se refira ás mesmas, como fantasmas.Os Feitosas aqui chegaram em 1659 e trabalharam na colonizaçāo e construçāo de alguns municipios nos Estados da Bahia, Alagoas, Sergipe, Ceará.As informaçōes sobre a questão das verbas, citando o . major Feitosa, são inverídicas. Vivia-se sob uma didatura e o assunto / questões sobre a administração do municipio, foram indevidamente conduzidas pela mesma e que culminaram indevidamente na extinção do municipio ato afetou toda uma próspera comunidade.O povo ficou à mercê no tempo, tendo perdido o seu espeço de direito. Acredito até que cabe uma revisão do assunto, tome-se como exemplo o caso do jornalista Vladimir Herzog, foi expedido uma nova certidão de óbito, corrigindo assim a causa mortis.Atenciosamente
    JOSÉ EVERSRDO FEITOSA E CASTRO

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  9. O Cococi é ex-municipio ( não uma cidade fantasma) tem dono, tem história.
    Foi um erro do regime imposto pela ditadura militar a extinção de uma comunidade em pleno crescimento.
    Vejam o caso do jornalista Vladimir Herzog, foi revsto o seu caso e expedida uma niva certidão de óbito, corrigindo assim um grande erro cometido no tempo da ditadura.
    JOSÉ EVERARDO FEITOSA E CASTRO

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